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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

À Guisa de Prefácio - Celso Martins

Há cerca de 3 anos atrás escrevi um livro, resultado de uma pesquisa na área de terapia floral e de comportamento humano de mais de 7 anos. O livro, por um decisão minha, deixou de ser publicado.
Na época, meu amigo Celso Martins, autor de mais de 40 livros, escreveu um texto à guisa de prefácio.
Transcrevo aqui na íntegra em homenagem à dedicação e grande empenho do Celso em ver este livro no prelo.


" À Guisa de Prefácio - Celso Martins
"Agora veja você leitor ou leitora amigos, entendidos na matéria deste livro, até que ponto vai o valor duma sólida amizade...Conheci o Jorge Purgly bem nos começos dos anos 80 do século recentemente passado.
Foi-me excelente aluno, já que domina com facilidade vários idiomas, (por correspondência) de ESPERANTO, a lingua do Amor Universal, bela e genial criação do médico judeu da Polônia ZAMENHOF (1859-1917), cujo sacrossanto ideal é exatamento o de reunir pacificamente toda a Humanidade numa grande roda familiar (unu grandan rondon familian), independentemente das múltiplas divisões e subdivisões em que se diferencia a imensa familia humana em decorrência de raça, de dinheiro, de credo religioso, de ideário filosófico ou politico...À epoca, desde 1908, funcionava, principalmente aos sábados à tarde, até as 18 h, num vetuso sobrado de propriedade da Sociedade Brasilieira de Geografia à Praça da República, número 54, a tradicional BEL, quer dizer BRAZILA ESPERANTO LIGO...Por volta de 1984, salvo engano, deslocou-se par o Planalto Central, Brasilia, DF...

Então o inteligente e bonachão engenheiro, formado brilhantemente em Energia Elétrica com Especialização em Energia Solar, pela Universidade de Mogi das Cruzes, SP, esposo da querida amiga Tininha (Catarina) e pai de dois diletos filhos, hoje já adultos e universitários, sempre que veio até o meu Rio de Janeiro, a serviço, ele que já andou, trabalhando afanosamente por vários países do mundo, encheu-nos o lar modesto com a sua simpatia e com seu entusiasmo além de brindar com presentes a minha querida esposa Neli e aos estimados Celsinho, formado em Educação Fisica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, meteorologista do Aeroporto Santos Dumont, técnico pela Escola Federal Celso Sucrow da Fonseca, e Silvana, professora de Geografia, licenciada pela mesma Universidade da Ilha do Fundão...

O dileto descendente de húngaros imigrantes, em me sabendo modestamente licenciado em História Natural, num tempo em que se estudavam juntas a Biologia, a Geologia e a Paleontologia, entre 1963 e 66, na hoje extinta Universidade do antigo Estado da Guanabara, tendo então estagiado tanto no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista como no Jardim Botânico, estudando Botânica Sistemática sobremaneira as familias das Caparidáceas e das Burmaniáceas, no quadro de estagiário do Herbarium Bradeanum do Rio de Janeiro, sob a segura orientação do cultíssimo Sr. Guido Pabst, um dos mais graduados diretores da Varig S.A., um dos maiores entendidos em Orquidáceas no mundo, apenas por isso entendeu o Purgly escrevesse logo eu, jejuno  no conteúdo do seu livro de estréia como pesquisador cirterioso, justamente um prefácio, deixando-me em palpos de aranha viúva-negra...Repito, coisas de uma sólida amizade, já se vê...

Carioca, nascido em 1942, vivi, esta agradável verdade entre 7 de julho de 47 e 17 de julho de 1969, no meio das plantas e dos bichos de Nova Iguaçu, no contexto da proletária Baixada Fluminense, ali chegando cinco anos antes da luz elétrica, estudando à noite, muita vez, à luz do lampião de querosene...

Em sendo assim, conheci de perto girinos e alevinos das valas pútridas, nas charnecas vi preás e saquaremas, nas macegas persegui até ofídios nem sei se peçonhentos, na copa das árvores ouvi o cantar dos bem-te-vis e dos sabiás-laranjeira, e mais ainda, admirei o cintilar dos pirilampos nas negras noites quando pelos céus escampos piscam as estrelas distantes, escutando em plena madrugada os cânticos exóticos e os sons cadenceados dos atabaques de vizinhos negros em seus cultos afrobrasileiros...

Ah! Comi, sem lavar, pois não havia agua encanada, tampouco esgoto sanitário, abios e jaboticabas, genipapos e cocos baba de boi, batatas doce e inhames que a ternura da saudosa mãezita assava nas brasas das noites juninas, e mais, muito mais, chupava gomos de cana-caiena, mangas-espada, devorava jamelões, pitangas, amoras... E que dizer das laranjas-lima, seleta, pera, das tangerinas e mexericas, haja vista ser  o berço do Duque de Caxias um centro exportador de milhares de caixas das frutas da familia da Citráceas, enriquecendo os Barroni e os Cocozza, aos quais conheci de vista... Foi um tempo antes dos agrotóxicos, dos pesticidas, dos corantes, de modo que você podia comer tudo isto sem receios de tumores malignos no fígado... Compravam-se o feijão e o arroz em armazéns, a farinha da mesa comercializada em garrafas, ao lado dos botecos vendendo cálices da cachaça mineira por poucos antigos centavos... Não havia os enlatados, a não ser as goiabadas e marmeladas, leite condensado.... Raríssimas familias tinham a geladeira branca, na sala, ao lado de um gramofone ou de um aparelho de rádio sintonizado na Nacional, na Tupy, na Mayrink Veiga, para ouvir a Marlene ou a Emilinha Borba, o Repórter Esso, o César Ladeira, o César de Alencar, o Manoel Barcelos, o Júlio Louzada às 6 da tarde pela Tamoyo, as radionovelas, porque a telinha mágica só entraria no Brasil, através de São Paulo (Capital), se  não erro, em 1950, num arrojado empreendimento do nordestino Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello...

Lembraria eu, eterno memorialista, os versos do poeta fluminense Casemiro de Abreu: "Ah! Que saudades da minha infância querida"... Até que dela tenho lembranças doloridas, como no gosto que ainda trago na língua da erva Macaé e da casca do quinino cujas infusões mornas ingeri aos litros porque uma semana em Nova Iguaçu, não é que me vejo picado, no escuro quente da madrugada, pela fêmea do mosquito Anopheles, já que o macho se nutre da seiva elaborada das plantas, e ela, na época da postura de ovos nos brejos necessita das proteínas séricas do sangue humano? E o magricela se pos a tremer o tempo todo, vítima da malária, o mesmo que sezão, maleita, paludismo, febre palustre, endêmica nas Baixadas Fluminense e Santista, bem como da então exuberante Floresta Amazônica, o Inferno Verde... Dizem que o famoso general macedônio Alexandre, o Grande, desta febre morreu em Cápua...

Ou então do chá de folhas de sabugueiro, aos 9 anos de idade, quando tive o sarampo, podendo morrer em razão da diarréia em decorrência do excesso de celulose no tracto intestinal... Ou ainda do chá de erva cidreira para asserenar os nervos, hoje em dia ditos estressados... Mais ainda, os ramos da Erva de Santa Maria, postos entre o colchão de sapê e o lençol de algodão, para matar as famélicas pulgas irritantes, não fossem elas cientificamente chamadas pelo botânico sueco no século XVIII de Pulex irritans...

E me vem o Purgly querido pedir um prefácio para um livro oportuno, escrito à guisa de divulgação científica, numa hora em que rompe o dualismo de Descartes separando o corpo da alma, no Renascimento, aquilo que não ousara fazer na Grécia Antiga Hipócrates, o Pai da Medicina... Tento satisfazer o meu ex-aluno de Esperanto num misto de tristeza e de alegria...

"And last but not least", quer dizer, por fim, sem ser por último a enorme alegria por saber que novos livros o amigo nos dará a estampa brevemente cooperando para o bem-estar físico e psiquico dos homens da tumultuada atualidade planetária... Aliás já não dissera o botânico Teutônio, que visitou o Brasil imperial, von Martins que "as plantas brasileiras não curam, fazem milagres?"

Novembro de 2006
Celso Martins
Caixa Postal 61003
Vila Militar
21615-970 Rio de Janeiro, RJ "
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