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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Neutralidade Suiça na Guerra colocada em duvida por livro

NEUTRALIDADE LUCRATIVA

Fonte: http://www.riototal.com.br/comunidade-judaica/juda5b9.htm

Livro mostra como a Suíça ajudou Hitler na guerra

Por 52 anos, o governo suíço tentou preservar a imagem de país neutro durante a Segunda Guerra Mundial, apesar de algumas evidências terem sinalizado uma relação de proximidade com os nazistas alemães.

Em 1946, por exemplo, o serviço secreto americano divulgou uma lista com os nomes de 34 advogados de Zurique suspeitos de terem administrado na Suíça bens das contas de vítimas do Holocausto que os nazistas teriam espoliado e, depois, deles se apropriado.

O que não se sabia, exatamente, era o grau de comprometimento dos helvéticos com a política expansionista e devastadora de Hitler.

Documentos secretos do governo americano, liberados há dois anos, revelaram informações assustadoras que levam a duas conclusões:

1- a Alemanha nazista não teria resistido à guerra sem a ajuda de empresários e banqueiros suíços e

2- muitas vidas teriam sido poupadas sem a participação dos suíços.

Essa história macabra está contada em detalhes no livro reportagem

"A Suíça, o Ouro e os Mortos, Como os Banqueiros Suíços Ajudaram a financiar a Máquina de Guerra Nazista", do sociólogo, escritor e político suíço Jean Ziegler.

O autor apresenta os fatos após a explosiva quebra de sigilo de informações ocorrida em 1997, graças ao empenho da Comissão Bancária do Senado americano e do Congresso Mundial Judaico.

Naquele ano, pressionado pelos republicanos e democratas, o presidente Bill Clinton assinou o War Crimes Disclosure Act, que permitiu o acesso aos documentos secretos comprometedores, escritos por espiões americanos sobre a relação dos dois países europeus vizinhos.

Ziegler comprova que os receptadores suíços tiveram contribuição importante para o prolongamento da guerra.

Estima-se que, entre 1941 e 1942, 60% da indústria de armamentos, 50% da indústria óptica e 40% da indústria de máquinas suíças trabalhavam para o regime nazista.

A Suíça, explica o autor, era importante para o Reich por sua posição no mercado internacional de ouro.

Por causa da guerra, a Alemanha tinha necessidade de divisas para comprar mercadorias de importância estratégica mesmo junto a países aliados.

A maioria dos países, inclusive os neutros, se recusava a receber o ouro nazista.

Aí entrava a Suíça como intermediária nessas transações lavando o ouro roubado dos judeus (em muitos casos, arrancados dos dentes dos executados).

Ficou provado o comprometimento do governo suíço diretamente no episódio, por meio do Banco Nacional e do Conselho Federal.

Não se sabe ainda o volume aproximado do lucro dos grandes bancos privados suíços com as transações do ouro roubado pelos nazistas, o levantamento deverá ficar pronto em cinco anos.

Mas foram reveladoras as informações que ajudaram a dimensionar essas negociatas.

As transações eram realizadas principalmente entre os bancos privados suíços e o Reichsbank, da Alemanha.

As primeiras somas em ouro para lavagem chegaram aos bancos do país vizinho em 14 de janeiro de 1940, pouco depois da invasão da Polônia.

O auge desses depósitos teria ocorrido em 1943, quando foram armazenados 592 milhões de francos suíços em barras e moedas.

Entre 1939 e 1945, os depósitos totalizaram 1,7 bilhão de francos suíços.

Dois pontos polêmicos alimentaram por décadas a suspeita de cumplicidade dos suíços com os nazistas: as contas "não reclamadas" dos judeus e o ouro nazista depositado em seus bancos.

Segundo Ziegler, os banqueiros suíços eram dedicados receptores de Hitler.

Como denunciou a revista alemã "Der Spiegel", em troca do ouro judeu, o Banco Nacional Suíço e o Banco de Pagamentos Internacionais chegaram a financiar as agressões nazistas.

Na verdade, a neutralidade suíça era apenas um pretexto para enriquecimento de seus bancos.

Sem o auxílio da Suíça a Alemanha teria sido derrotada em outubro de 1944.

O país apoiou ativamente a guerra nazista.

Além de intermediar os negócios alemães e fornecer material bélico, o governo suíço manteve abertas as ligações norte-sul pelo São Gotardo, expulsou de suas fronteiras os judeus que fugiam dos nazistas, levando-os à morte, criou impostos inconstitucionais e chegou a transportar judeus para os campos de extermínio.

Também se apropriou dos bens de judeus incapazes que não conseguiram provar a morte de seus familiares nos campos de concentração.

A espionagem americana sobre as relações entre suíços e nazistas foi coordenada pelo habilidoso advogado e espião Allen Dulles.

Seus relatórios e documentos provam, que por mais incrível que pareça, a Alemanha estava praticamente falida quando invadiu a Polônia, em 1939 apesar de tentar impressionar o mundo com seu poderio militar.

 

Desde 1933, o armamento do Estado nazista havia consumido 51,9% das despesas públicas.

Ziegler observava que a máquina de lavar ouro de Berna, mesmo sabendo a origem do metal, não exigia um documento oficial atestando a sua legalidade, limitando-se às garantias do banqueiro Emil Puhl, do Reichsbank.

Ziegler acredita que os receptores suíços não agiram por qualquer simpatia ideológica ao governo nazista, mas simplesmente pelo lucro que essas operações permitiram.

Não é exagero afirmar que o destino da empreitada expansionista de Hitler estava nas mãos desses banqueiros e que não houve qualquer pressão de sua parte para que esse apoio fosse expressivo.

A justificativa do governo suíço para sua colaboração com os nazistas se apóia em três princípios:
(1), o fato de o Banco Nacional estar ligado ao padrão-ouro obrigava o banco a comprar o ouro que lhe era oferecido;


(2), o Reichsbank tinha por certo reservas declaradas e


(3) a política de agressão externa de Hitler afluiu ao Reichsbank de modo legal.

Para entender essa cooperação, Ziegler ressalta que e preciso compreender o funcionamento do Estado suíço.

Segundo ele, é uma ilusão ver aquele país como um Estado plurinacional.

Ele explica que as razões para isso estão no fato de que seus múltiplos povos não vivem juntos, mas lado a lado, ignorando-se e tolerando-se mutuamente; a segunda é que se trata não de um Estado, mas de uma comunidade de defesa.

"Só o estrangeiro preserva a Suíça da dissolução".

Por outro lado, é preciso "satanizar" o estrangeiro.

"Se ele deixasse de representar perigo, de onde viria a pressão externa de que necessitamos para nossa coesão interna?"

* Veja a entrevista de Jean Ziegler a Claude Meyer:

A Suíça, o Ouro e os Mortos, de Jean Ziegler,
trad. Ana Barradas
Enviado por Leon M. Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da
B'nai B'rith do RJ

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