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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O prazer e o afeto

 
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Estimado leitor, para celebrar mais de um milhão de visitas às minhas páginas, convidei meu amigo Roberto Warken de Florianópolis, SC para escrever um guest post, um artigo como convidado de tema de livre escolha.
Vejam que interessante.
Um abraço estimado leitor,
Jorge Purgly
“O prazer e o afeto
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Para onde quer que você vá duas coisas quase que indissociáveis estão sempre com você: o seu corpo e a sua consciência. Quando um dos dois falta essa ausência só é sentida também em dois lugares: a sua falta de consciência é percebida pelos outros, menos por você; quando o seu corpo falta os outros também sentem falta. Mas se sua consciência ainda funciona e seu corpo não corresponde, há um certo desespero em não saber bem o que fazer e , a certeza de que você está em algum lugar.
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Mas, vamos voltar ao seu cérebro, a sua central de processamento de dados.
É justamente ali, dentre as orelhas, que tudo se dá. O processo de diferenciação entre você e as demais pessoas, a sua recuperação de algum vício, o aprendizado, o discernimento entre certas coisas que podem manter o seu corpo com vida ou, sem ela, no limite do certo e do errado, do bom e ruim, bem e mau se dá ali: em sua mente alguns processos são inatos outros, já aprendidos, assimilados, treinados até entrarem num processo quase que automático.
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Para saber mais, clique em Mais informações, abaixo.



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Enquanto cientista que estuda um paciente complicado – a sociedade - como as sexualidades são construídas por um lado e inatas por outro, eu quero dar uma pequena volta com você. Enquanto pessoa que estuda a sociedade, as formas como as pessoas se organizam e criam regras para manterem-se nessas organizações que todos pensam resumirem-se apenas as empresas, no seu momento burocrático; enquanto cientista das interrelações que levam as pessoas as fronteiras das regras impostas, que possibilitam capacidades e competências; sobre suas crenças num ser superior que ao mesmo tempo vive em si e que é onipresente, onisciente, multiforme, que a tudo perdoa; sobre suas faltas de crenças, ou seja, vivendo no grande universo de possibilidades sem impedimentos.
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Há certas coisas que seu livre arbítrio tem consciência: planejamentos, estratégias, etc. Outros, como a respiração, a sede, urinar, enfim: não.
É aqui que começa o que eu quero lhe dizer. Enquanto algumas reações eletro-químicas mantém o seu corpo funcionando enquanto você dorme e enquanto sua mente toma decisões para promover ajustes nos sistemas nervoso, límbico, etc. com vistas a você não ter problemas, o prazer do afeto é construído por sua experiência e por conta de códigos sociais estabelecidos, negociados entre você, as demais pessoas e o meio em que vivem.
Vou lhe dizer uma coisa para refletir. Nem sempre felicidade está ligada a um ato sexual. Nem sempre um ato sexual implica em felicidade. Geralmente um ato sexual é apenas um ato sexual. E, prazer e felicidade não são sinônimos. Assim sendo, o que é fidelidade? O que é traição? Quem construiu esses conceitos?
Há muito tempo codificou-se que a heterossexualidade com vistas à procriação atendendo as normas da igreja era normal, natural, correto, certo. Qualquer outra forma de afeto ou de prática sexual, não seria normal. Era inaceitável.
Em alguns países é o pai e/ou a mãe que escolhem com quem sua filha ou filho vai casar. Mesmo que isso leve anos. Houve época em que as mulheres não eram sequer consideradas como gente. Por outro lado, há lugares em que somente mulheres que se submetem a circuncisão ou mutilação genital feminina são consideradas pessoas. Mundo estranho esse, não? (Você pode visualizar algumas informações no link acima). E isso acontece há centenas de anos até o século atual. A circuncisão masculina, idem, ocorre por vários motivos, dentre ele para determinar dentre os judeus, por exemplo, uma ligação com deus.
Com passar dos anos e com as pesquisas na área da Educação Sexual e Educação e Cultura, História e Antropologia e que entendemos que as sexualidades foram construídas, suas formas de expressão e as formas de afeto.
Desde a antiga Grécia passando por organizações indígenas em algumas tribos contemporâneas, há rituais voltados a iniciação de pessoas e rituais de passagens.


A sua sexualidade está dentre suas orelhas, seus órgãos sexuais se encontram dentre as pernas.


Há, nos dias de hoje, quem ache que o afeto entre pessoas do mesmo sexo não é tão digno quanto pessoas de sexos diferentes.
Para algumas pessoas, a exemplo do primeiro parágrafo, tomar consciência de que há gentes capazes de amar os próximos e as próximas de mesmo sexo desloca toda a consciência que se tem da própria corporeidade.
Certa vez um irmão perguntou ao outro: “Como você consegue?”- ao que o outro respondeu: “ O que?” – “sentir atração e gostar de alguém do mesmo sexo?” – Em dúvida, o irmão que gosta de homens, disse: “Vou te responder a pergunta se você me responder a uma grande dúvida que tenho.” , e logo veio um sonoro: “Claro!”. “Então me responda, como é que você consegue sentir atração por uma pessoa de sexo diferente, e gostar dela. Pois até me dar conta de quem eu sou para pessoas como você (na sociedade) eu pensava que todos fossem iguais a mim, inclusive você.”
Você pode ter um ato sexual com alguém (independentemente do sexo da outra pessoa) e não amá-la. Por outro lado, você pode sentir amor por alguém (independentemente do sexo da outra pessoa) e não ter praticas sexuais com a mesma pessoa. Você pode sentir amor por alguém e gostar de fazer sexo com ela. Você pode não gostar de receber carinhos, mas de faze-los. Pode não gostar de recebe-los porque nunca se permitiu recebe-los. Para você amor pode ser: trabalhar para alimentar os filhos. Mas o amor não é uma forma de alimento.? Não.
O nosso apego as pessoas foi aprendido. A nossa fé foi construída. E, tudo isso foi apreendido durante séculos. Mas, esse já é um outro assunto.
Roberto Luiz Warken
Sociólogo – Palestrante - Consultor
www.warken.floripa.com.br  “
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