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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Apneia de sono


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Apneia_do_sono
Apneia de sono
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Apneia do sono)


Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono
Aviso médico
Classificação e recursos externos


CID-10 G47.3
CID-9 780.51780.53780.57)
MeSH D012891
MeSH Apnea&field=entry#TreeC10.886.425.800.750 C10.886.425.800.750


Apneia do sono, apneia noturna (FO 1943: apnéia) ou Síndrome de Apneia-Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) é uma desordem do sono caracterizada pela obstrução das vias respiratórias durante o sono, que inibe a passagem de ar por pelo menos 10 segundos mais de 5 vezes durante o período de sono.[1] Apneia (do grego em grego: ἄπνοια (ápnoia), falta de respiração) gera um despertar súbito, mas é comum que esse episódio seja esquecido junto com os sonhos. É mais comum em idosos, em homens e em pessoas acima do peso. Uma versão mais leve desse transtorno, onde ocorre diminuição entre 30% a 50% do fluxo de ar, é chamado de hipopneia. [2]


Índice
1 Epidemiologia
2 Características
3 Causas
3.1 Comorbidades comuns
4 Fisiopatologia
5 Diagnóstico
6 Tratamento
7 História
8 Ver também
9 Referências

Epidemiologia

Entre a população geral casos de apneia-hipopneia variam de 1% a 5% em homens e de 1,2% a 2,5% em mulheres, subindo para 10% da população acima de 65 anos e para 46% entre motoristas profssionais[3]

Características

A falta de fluxo de ar adequada geralmente resulta em dessaturação da oxihemoglobina e, no caso de eventos prolongados, em aumento progressivo da pressão parcial de gás carbônico no sangue arterial (PaCO2). Na maior parte das vezes, as apneias não são suficientes para despertar a pessoa, mas há uma alteração no padrão de sono, passando do sono profundo para um sono mais superficial. Como este sono não é repousante, as manifestações típicas são uma sensação de "noite mal dormida" ao despertar, assim como fadiga e sonolência durante o dia. A apneia do sono é diagnosticada com um teste chamado polissonografia, ou "estudo do sono".

Níveis clinicamente significativos de apneia do sono são definidos como cinco ou mais episódios por hora de qualquer tipo de apneia (pela polissonigrafia). Existem três formas distintas de apneia do sono: central, obstrutiva e mista, ou complexa (i.e., uma combinação da central e obstrutiva), constituindo 0.4%, 84% e 15% dos casos respectivamente. Na apneia do sono do tipo central, a respiração é interrompida pela "falta de esforço respiratório"; na apneia do sono do tipo obstrutivo, a respiração é interrompida por um bloqueio físico ao fluxo aéreo "apesar de esforço respiratório". Na apneia do sono complexa (ou mista), há uma transição de características centrais para obstrutivas durante os eventos.

Em qualquer um dos tipos, o indivíduo com apneia do sono está raramente consciente de que tem dificuldade para respirar, mesmo depois de acordado. Apneia do sono é reconhecida como um problema por outras pessoas que testemunham o indivíduo durante os episódios ou é suspeitada devido a seus efeitos no corpo. Os sintomas podem estar presentes por anos (ou mesmo décadas) sem identificação.
Causas

Dentre os fatores predisponentes incluem-se:
Sexo masculino
Avançar da idade
Aumento do Índice de Massa Corporal (IMC)
Obesidade central
Hormônios estrogênios e androgênios
Hereditariedade

Aumento da complacência das vias aéreas superiores por:
Uso de drogas miorrelaxantes, álcool, sedativos
Aumento da circunferência do pescoço
Tabagismo (ativo e passivo)

Na infância:
Hipertrofia de tecido linfóide das vias aéreas superiores (adenoides e amígdalas)
Malformações congênitas (síndromes genéticas, micrognatia, retrognatia)
Comorbidades comuns

Apneia e hipopneia estão frequentemente correlacionados com:
Diabetes - 50% dos diabéticos têm apneia do sono .
Obesidade - 70% das pessoas com apneia do sono estão obesas.[3]
Hipertensão - 35% dos hipertensos têm apneia do sono.
Insuficiência cardíaca - 50% dos pacientes com insuficiência cardíaca têm apneia do sono.
Infarto - 30% a 50% dos pacientes infartados têm apneia do sono.
Arritmia cardíaca.
Fibrilação atrial - 50% dos pacientes com fibrilação atrial têm apneia do sono.
AVC - 50% dos pacientes com AVC (Acidente Vascular Cerebral) têm apneia do sono.
Síndrome do ovário policístico (SOP) - mulheres com SOP tem 30 vezes mais risco que a população normal de desenvolver apneia.[4]

Logo, é recomendado fazer um exame de polissonografia para diagnóstico de apneia do sono nos pacientes com diabetes, obesidade, hipertensão, insuficiência cardíaca, infarto, fibrilação atrial, AVC ou acidente vascular cerebral (derrame cerebral). Especialmente após os 60 anos em pessoas acima do peso.
Fisiopatologia

O fechamento parcial das vias aéreas superiores é definido como hipopneia, enquanto que o fechamento total constitui uma apneia. Nos fechamentos parciais, temos como principal manifestação o ronco, devido à produção de som pelo turbilhonamento alterado do ar expirado. Existe um espectro de doença desde o ronco normal e assintomático até o quadro completo de SAHOS. O ronco pode preceder e evoluir para SAHOS, sendo que a obesidade e o envelhecimento contribuem para isso.
Diagnóstico

O diagnóstico da apneia do sono é feito através de polissonografia. Fale com o seu médico.

O principal sintoma da apneia do sono é a sonolência intensa durante o dia. Esta sonolência pode levar a acidentes de automovel ; ao sono intenso em horas inadequadas, como no trabalho ou na sala de aula. As outras manifestações da doença incluem o ronco (com pausas respiratórias, as apneias); e dificuldade de manter a concentração e a atenção pela sonolência diurna. Ao dormir, têm também movimentos muito frequentes, durante toda a noite, associados às pausas respiratórias (apneias). (CAPLES, 2005; REIMÃO, 1996)

As apneias podem ser classificadas como obstrutivas, centrais ou mistas:
Apneias obstrutivas: O diagnóstico clínico dos maiores especialistas do mundo é considerado correto em 50% dos casos, considerando uma prevalência de 5% da doença. O único método de diagnóstico conhecido é a polissonografia, que mede o número total de eventos de apneia + hipopneia por hora, o índice de apneia e hipopneia (IAH). Para um evento ser considerado como obstrutivo, é necessário haver aumento do esforço respiratório reflexo. Se o IAH for maior ou igual a cinco o paciente é considerado portador da síndrome da apneia obstrutiva do sono.
Apneias centrais: Ao contrário das apneias obstrutivas, não há esforço respiratório reflexo durante as apneias ou hipopneias, e sua etiologia também parece ser bem distinta.
Apneias mistas: Possuem componentes tanto obstrutivos quanto centrais.

A gravidade da SAHOS é classificada conforme o índice de apneia e hipopneia (IAH - número de hipopneias e apneias por hora):
de 10-15: leve;
de 15-30: moderado;
mais que 30: grave.
Tratamento

Advertência: A Wikipédia não é consultório médico nem farmácia.
Se necessita de ajuda, consulte um profissional de saúde.
As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.


Medidas gerais:
Redução do peso corporal;
Redução do consumo do álcool;
Tratamento de congestão nasal, rinite, sinusite;
Higiene do sono: antes de dormir evitar cigarro, álcool, bebidas com cafeína, exercícios intensos, refeições pesadas, medicamentos sedativos, evitar dormir de barriga para cima, dormir em horário constante.

Tratamento mecânico:
Uso de CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) ou BIPAP (Bilevel Positive Airway Pressure);
Aparelhos intra-orais.

Tratamento cirúrgico:
Cirurgia nasal;
Adenoidectomia;
Uvulopalatofaringoplastia;
Traqueostomia;

Outros.
História

Os primeiros relatos na literatura médica do que hoje é chamado de apneia obstrutiva do sono datam de 1965, quando foi independentemente descrito por pesquisadores franceses e alemães. Entretanto, o quadro clínico dessa condição já era reconhecido há bastante tempo como um traço pessoal, sem uma compreensão do processo patológico. O termo Síndrome de Pickwick, que é algumas vezes usado para a síndrome, foi cunhado pelo médico famoso do século 20 William Osler, que deve ter sido um leitor de Charles Dickens. A descrição de Joe, "o garoto gordo" no romance de Dickens "The Pickwick Papers", é uma figura clínica acurada de um adulto com síndrome da apneia do sono obstrutiva.

Os primeiros relatos na literatura médica descreviam indivíduos que eram muito gravemente afetados, frequentemente se apresentando com hipoxemia grave, hipercapnia e insuficiência cardíaca congestiva. Traqueostomia era o tratamento recomendado e, ainda que pudesse salvar a vida do paciente, as complicações no estoma eram frequentes nesses indivíduos muito obesos e de pescoço curto.

O manejo da apneia obstrutiva do sono foi revolucionado com a introdução do CPAP, primeiramente descrito em 1981 por Colin Sullivan e associados em Sydney, Austrália. Os primeiros modelos eram volumosos e barulhentos, mas o design foi rapidamente melhorado e, no final da década de 1980, CPAP foi amplamente adotado. A disponibilidade de um tratamento efetivo estimulou uma busca agressiva por indivíduos afetados e levou ao estabelecimento de centenas de clínicas especializadas dedicadas ao diagnóstico e tratamento dedistúrbios do sono. Embora muitos tipos de problemas do sono sejam reconhecidos, a vasta maioria de pacientes que procuram esses centros têm problemas com sono relacionados à respiração.

Referências

COSTA, Cruz e Oliveira. Otorrinolaringologia : Princípios e Prática, 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006
http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/obesidade/apneia-do-sono/
a b Andrea Barral Martins, Sérgio Tufik, Sonia Maria Guimaraes Pereira Togeiro Moura (2007). Síndrome da apnéia-hipopnéia obstrutiva do sono. http://www.scielo.br/pdf/jbpneu/v33n1/a17v33n1.pdf
Vgontzas AN, Legro RS, Bixler EO, Grayev A, Kales A, Chrousos GP. Polycystic ovary syndrome is associated with obstructive sleep apnea and daytime sleepiness: role of insulin resistance. J Clin Endocrinol Metab. 2001;86(2):517-20.
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