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quinta-feira, 17 de abril de 2014

A cura na visao da Cabala

A cura na visão da Cabala































A boa saúde depende do pensamento positivo.

Segundo a cabala, a alma humana é dividida em 3 partes básicas.


 A mais "baixa", chamada nefesh, é a parte animal, responsável pelos instintos e reflexos corporais. 

Acima dessa estaria ruach, o espírito ou alma média, que contém as virtudes morais e a habilidade de distinguir o que é bom e o que é ruim. 

A alma alta, neshamah, seria a terceira parte, que representa o intelecto e distingue o homem das outras formas de vida, por permitir a vida após a morte. É a neshamah que permite a percepção da existência de Deus.

Leia mais: http://drbachflower.blogspot.com/#ixzz2zBzoWa1C


Nefesh - Corpo físico ou corpo dos sentidos
Ruach - Perispírito ou corpo astral
Neshamah - Corpo mental inferior ou corpo espiritua


A matéria é energia condensada.
A origem do mal é a justiça sem compaixão.

Cabalaterapia
Fonte: http://www.chabad.org.br/tora/cabalaterapia/indice4.htm

Freqüentemente mencionada como a "alma" da Torá, a Cabalá é uma antiga tradição judaica que ensina as mais profundas percepções sobre a essência de D’us, Sua interação com o mundo, e o propósito da Criação. 


A Cabalá ensina a cosmologia judaica essencial, integrante de todas as outras disciplinas de Torá. 

Às vezes chamada de "Torá Interior" ou "A Sabedoria da Verdade", ela oferece uma estrutura geral abrangente e um projeto para o universo, bem como uma compreensão detalhada dos pormenores de nossa vida. 

O estudante de Cabalá se torna consciente do processo de retificação pessoal, bem como do coletivo, e é encorajado a desempenhar um papel ativo nele.

Por Rabi Yitschac Luria

Fonte: http://www.chabad.org.br/tora/cabalaterapia/cab064.html

A cura do corpo e da alma - parte 1 
Introdução

Nas gerações passadas, os temas de saúde e cura eram estudados principalmente por aqueles da área médica. Entretanto, atualmente o conhecimento destes campos não somente estendeu-se ao público em geral, como mais do que nunca, novas idéias estão sendo divulgadas, tanto em termos de técnica aplicada e discussão teórica no mundo da medicina, como no âmbito e natureza da própria cura.

A medicina convencional, que antes tendia a procurar a causa imediata de uma doença observando empiricamente seus sintomas, agora abriu sua pesquisa às origens psicológicas e espirituais das doenças, e nossa capacidade de nos recuperarmos delas. Aquilo que já foi uma predisposição médica de separar o corpo e seus sistemas físicos da pessoa interior começou a mudar. A abundante popularidade de novas alternativas médicas criou um imenso supermercado de novos tratamentos, que estão constantemente desafiando nossas idéias sobre a natureza da saúde e da cura.

Tendo isso em vista, é mais adequado que a duradoura tradição de cura e práticas médicas dentro do judaísmo em geral e na Cabalá em particular seja apresentado. Esta obra foi escrita para a pessoa que deseja começar a adquirir um entendimento da grandeza desta tradição e sua sabedoria a respeito da natureza do corpo e suas raízes espirituais. Além disso, a singularidade da Cabalá, em sua capacidade de interpretar sistematicamente todos os métodos de cura secular e suas correlações espirituais, será demonstrada aqui.

A imagem de D'us

"E disse D'us: 'Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança.'"

Um dos ensinamentos mais básicos da Cabalá é o sistema das dez sefirot, ou canais da Divina força da vida. Como conceito, uma especial atenção deve ser prestada ao termo sefirot, pois seu significado flutua segundo o contexto no qual é usado.

Ao falar de nossa percepção da Divindade, a maneira pela qual a Divindade - a auto-expressão de D'us - é percebida, as dez sefirot são entendidas como dez manifestações da Divindade. Encontramos este fenômeno refletido nos dez Nomes essenciais para D'us, cada um dos quais corresponde a uma determinada sefirá.

Ao refletir como esta demonstração da Divindade é projetada na experiência de vida de um ser humano, as sefirot tornam-se inteligíveis como os dez poderes da alma. Aqui, uma pessoa pode relacionar todas as facetas da condição humana a estas dez propriedades básicas. Estas, por sua vez, tornam-se os instrumentos conceituais para a contemplação e análise de nós mesmos e nosso serviço a D'us.

Finalmente, descobre-se que as sefirot são também consideradas as forças estruturais básicas, orquestradas para formar nossa realidade exterior. Todos os mundos nos quais habitamos, tanto físico quanto espiritual, exibem o mesmo arranjo de características celestiais.

Para resumir, cada sefirá ou canal pode ser compreendido como um módulo da manifestação Divina com respeito à nossa percepção da Divindade - uma força criativa que age por trás dos bastidores para criar mundos, ou de forma mais pessoal, as propriedades básicas ou poderes da alma.

A tabela abaixo resume as sefirot, conforme elas se aplicam aos poderes da alma e à própria experiência interior da pessoa:


Sefirá
Poder da Alma
Experiência interior


keter
coroa
supra-consciência
fé, prazer e vontade


chochmá
sabedoria
percepção
altruísmo


biná
entendimento
análise
júbilo


da'at
conhecimento
concentração
unificação


chessed
bondade
doação
amor


guevurá
poder
restrição
temor


tiferet
beleza
equilíbrio
misericórdia


netzach
vitória
superar obstáculos
confiança


hod
agradecimento
perseverança
sinceridade


yessod
alicerce
auto-realização
verdade


malchut
reino
influência sobre o ambiente da pessoa
inferioridade


Para saber mais, clique sobre Mais informações, abaixo



A cura do corpo e da alma - parte 2


A Anatomia Humana

O próximo estágio de reflexão sobre os poderes da alma é meditar sobre como a Cabalá Clássica relaciona estes poderes aos aspectos da anatomia humana. Esta identificação dos poderes espirituais com membros do corpo ilustra o pensamento cabalista de hitlabshut ("revestimento") no qual uma realidade superior é revestida em uma inferior. Neste exemplo, um poder da alma é a realidade superior que é revestida e se expressa por meio de uma realidade inferior, por exemplo, um recipiente físico como um membro ou órgão do corpo.

É importante notar que na literatura tradicional da Cabalá, coloca-se grande ênfase na correlação entre as sefirot celestiais e os membros e órgãos físicos do corpo humano, saltando diretamente de um plano do Divino ao plano do físico. Somente em um estágio posterior no desabrochar histórico da revelação da sabedoria oculta da Torá, o Báal Shem Tov e seus discípulos revelaram e descreveram em detalhes os correlatos psicológicos tanto das sefirot celestial e seus paralelos físicos. Estes correlatos psicológicos servem como intermediários espirituais através dos quais as sefirot Divinas podem de fato tornar-se revestidas e refletidas nos membros físicos do corpo.

A correspondência apresentada na Cabalá entre as sefirot e os membros do corpo pode ser resumida da seguinte forma:


Sefirá
Partes correspondentes do corpo

keter
coroa
crânio


chochmá
sabedoria
cérebro (especificamente o lobo direito do cérebro)


biná
entendimento
coração (relacionado com o lobo esquerdo do cérebro)


da'at
conhecimento
lobo posterior do cérebro


chessed
bondade
braço direito


guevurá
poder
braço esquerdo


tiferet
beleza
torso


netzach

vitória
perna direita


hod
agradecimento
perna esquerda


yessod
alicerce
órgão procriador


malchut
reino
boca (também associada à coroa na extremidade do órgão procriador)


Keter manifesta-se no corpo como o crânio. Assim como uma coroa circunda a cabeça, da mesma forma, relativamente, o crânio é a coroa do corpo. O crânio ainda sugere a idéia de colocar um horizonte em nosso campo da experiência consciente. Dando definição à mente e limites a sua capacidade de expandir-se e inflar, a consciência está sempre cercada por uma fronteira de experiência inconsciente que por si mesma dá forma à consciência.

Chochmá, de todos os poderes mentais, é considerado como sendo a mente essencial ou a "mente dentro da mente." Conseqüentemente, biná relativo a chochmá, além de referir-se ao próprio coração (o assento físico da experiência emotiva nascida do entendimento da mente), pode ser considerado como o relativo "coração dentro da mente." Esta distinção também se representa no corpo, onde chochmá está posicionado no lobo direito e biná no lobo esquerdo do cérebro. O terceiro elemento adicional, da'at, está localizado no lobo posterior do cérebro, no ponto em que o cérebro encontra a espinha - a posição do lobo occipital.

Quanto aos três atributos emotivos do coração, encontramos que o braço direito incorpora chessed, e o braço esquerdo, guevurá. Isso é mencionado no versículo "Seu braço esquerdo está sob minha cabeça, e seu braço direito me abraça" e no dito de nossos Sábios: "Deixe o braço esquerdo empurrar, e o braço direito aproximar." "Empurrar, neste contexto, significa desengatar, dando à outra parte um senso de independência (antes de puxá-lo para perto). Similarmente, a imagem de "seu braço esquerdo está sob minha cabeça" significa que ele nutre minha consciência de auto-independência (antes de abraçar-me com seu braço direito). A posição de equilíbrio da beleza, aquela que vincula todas as partes do corpo em geral e está centrada entre os braços em particular, é o torso.

Das propriedades comportamentais da alma, aquelas de netzach e hod correspondem às pernas do corpo. As pernas representam o primeiro e mais contínuo contato com a realidade exterior. Além disso, as pernas facilitam o movimento do corpo como um todo, levando a pessoa aonde quer ir. Netzach é a qualidade de "colocar para frente o melhor pé da pessoa " numa postura afirmativa. Hod é a perna esquerda, que mantém o movimento de uma pessoa em curso, monitorando e validando seu avanço afirmativo. Finalmente, a propriedade de yessod é mencionada como o "sinal do Pacto Sagrado," que corresponde aos órgãos reprodutivos, feminino e masculino. Mencionado como "a conclusão do corpo," yessod é a manifestação física do corpo de sua própria capacidade de se realizar, bem como conectar-se e se comunicar com os outros.

O último poder da alma manifesta-se na boca. Malchut (reino) é o domínio da influência de uma pessoa. Como está escrito, "A palavra do rei governa," significando que o alcance do governo do rei é marcado pela distância que sua palavra viaja. A capacidade de falar da boca, de se auto-expressar, é o poder de afetar o ambiente da pessoa, seu próprio mundo.


A cura do corpo e da alma - parte 3
Três vezes três

Da análise anterior, vimos que os poderes da alma estão divididos em três níveis gerais de consciência - intelecto, emoção e características comportamentais - cada uma das quais ainda se divide em três (direita, esquerda, e mediana).

Acima do intelecto está o keter supra-consciente, que na Cabalá é considerado um adjunto do intelecto. Entende-se que o intelecto refere-se a qualquer estado de percepção direta da realidade (em contraste com as emoções, que são reações subjetivas ou experiência da realidade). Todos os níveis inerentes ao keter são de fato níveis super-racionais de intelecto, os quais, através do serviço Divino, podem ser levados à percepção direta da consciência da alma (como inspiração Divina). Muitas vezes, na Cabalá, o próprio trio intelectual - conotado "o três inicial" - é considerado como sendo composto das três sefirot de keter, chochmá e biná (sem contar da'at).

A sefirá final, malchut, é sempre considerada um adjunto das características comportamentais da alma, que são freqüentemente consideradas, quando se inclui o malchut, como sendo quatro - netzach, hod, yessod e malchut. Como uma característica comportamental, malchut é a maneira natural da pessoa, ou modo de falar. Pela fala de alguém, a pessoa se relaciona e "lidera" o comportamento de outras. Assim, malchut serve como uma ponte entre a maneira comportamental de alguém e o dos outros.

A divisão básica dos poderes da alma em três, e dos três em três, reflete-se no corpo humano de várias maneiras. Descreveremos aqui duas delas, em resumo:

1 - Na Cabalá, aprendemos que o corpo humano como um todo e cada um de seus membros divide-se em três segmentos ou juntas.

Quanto à completa estatura do ser humano, estes são a cabeça, o corpo e os pés. Claramente, esses espelham os três níveis gerais da alma: intelecto, emoções e características comportamentais.

Cada um desses ainda se subdivide em três: três lóbulos do cérebro; dois braços e o torso; e duas pernas e o órgão procriador (considerado pela Cabalá como uma "terceira perna").

E assim com respeito a cada um dos membros em particular: cada braço, cada perna, e até cada dedo está dividido em três segmentos ou juntas. E assim ocorre com partes menores e menores do corpo.

Na Cabalá, este fenômeno geral é entendido para indicar que cada parte do corpo possui um início, meio e fim; uma cabeça, um corpo, e pés. Este fenômeno é uma das mais importantes indicações da santidade intrínseca do corpo humano.

Espiritualmente, isso significa que todo membro possui intelecto (cabeça), emoção (corpo), e características comportamentais inatas (pés).

2 - Se visualizarmos a cabeça humana como uma esfera, três grandes círculos são aparentes, cada um definindo um plano circular da esfera e uma dinâmica de movimento circular em torno do eixo que corre através do plano. Os três planos da cabeça continuam a refletir-se nas partes inferiores do corpo.

Movimento - a dinâmica mais básica da vida - é primeiro e acima de tudo uma propriedade dos olhos, que definem o primeiro e mais elevado dos três planos da cabeça. Como os três planos descendem no corpo (em última instância para atingir o plano das pernas), o movimento físico torna-se mais pronunciado.

Na cabeça, os olhos definem o plano horizontal; as orelhas definem o plano vertical da direita para a esquerda; e o nariz e a boca definem o plano vertical da frente para trás.

Em geral, estes três planos correspondem às três sefirot do intelecto: chochmá, biná e da'at. Os olhos, através dos quais se manifesta o sentido da visão, correspondem à chochmá - a sabedoria interior da alma é a visão espiritual. Os ouvidos, pelos quais se manifesta o sentido da audição, correspondem à biná - a compreensão interior da alma é a audição espiritual. O nariz e a boca, através dos quais se manifestam os sentidos do olfato e paladar, correspondem à da'at - o conhecimento interior da alma é o olfato e o paladar.

Estes três planos circulares são manifestados em outros dois locais do corpo humano.

Na boca, os dentes definem o plano horizontal, o plano da sabedoria; os lábios - visualize o círculo formado por lábios abertos - definem o plano vertical da direita para a esquerda, o plano do entendimento; a língua - visualize o círculo formado pela curva da língua em direção à garganta - define o plano vertical da frente para trás, o plano do conhecimento.

No corpo em si, o torso - fazendo uma rotação ao redor de seu eixo - define o plano horizontal, o plano da sabedoria; os braços - levantados e abaixados - definem o plano vertical da direita para a esquerda, o plano do entendimento; as pernas - caminhando ou pedalando - definem o plano vertical da frente para trás, o plano do conhecimento.


A cura do corpo e da alma - parte 4 
YHVH

As quatro letras do nome de D'us

Talvez o modelo mais fundamental da Cabalá é aquele baseado nas quatro letras do nome essencial de D'us, Havaya. As próprias dez sefirot são de fato apenas manifestações do Divino processo, representado por estas quatro letras.

Embora a essência do nome Havaya esteja acima de um significado, etimologicamente é derivada do radical hebraico que significa "existência", e pode ser lido "Aquele que continuamente traz [toda a realidade] à existência." Isso nos ensina que podemos conceber "existência" ou "vida" em termos de uma estrutura expandida de quatro estágios.

A sefirá transcendente do keter é indiretamente referida pela pontinha superior da primeira letra do Nome, o yud. O yud, um "ponto formado," corresponde à sefirá primária de chochmá; o primeiro hê para a compreensão expansiva da sefirá da biná. O vav (cujo valor numérico é seis) corresponde aos seis atributos emotivos, de chessed a yessod. O hê final corresponde ao domínio da sefirá de malchut.

Os três modelos básicos

A palavra "Cabalá" deriva da raiz hebraica cujo significado original na Bíblia é "fazer paralelos." A Cabalá analisa toda a realidade "em paralelo" aos modelos básicos ou estruturas de referência.

Acima, discutimos os dois modelos mais básicos, que consistindo de dez níveis ou estágios de desenvolvimento, as dez sefirot, e a ainda mais fundamental estrutura de referência, o "carimbo de toda a criação," as quatro letras do Nome essencial de D'us. Também vimos como o segundo modelo encerra também o primeiro.

Há um terceiro modelo básico ou estrutura de referência na Torá - as vinte e duas letras do alfabeto hebraico. Relativamente, as dez sefirot são chamadas de "luzes" e as vinte e duas letras de "recipientes." Juntas, as dez sefirot e as vinte e duas letras tornam-se as "trinta e duas trilhas da sabedoria" através das quais D'us criou o mundo.

As vinte e duas letras subdividem-se em três categorias de 3, 7 e 12. Quanto às sefirot (e num certo sentido, ainda mais, pois as letras são recipientes, ao passo que as sefirot são luzes), as letras correspondem aos membros individuais e órgãos do corpo.

As três letras "mãe" - alef, mem e shin - correspondem aos três "elementos" básicos da criação - ar, água e fogo - e as três divisões gerais do corpo: peito (ar), abdômen (água) e cabeça (fogo), respectivamente.


Letra
Elemento da criação
Parte do corpo


shin
fogo
cabeça


alef
ar
peito


mem
água
abdômen


As sete letras "duplas" - bet, guimel, dalet, caf, pê, resh, tav - correspondem no corpo aos sete "portais" da cabeça (cada um serve como portal para os sentidos da visão, audição, olfato e paladar, a sensação da realidade externa, para entrar na consciência da alma). Cada portal, quando santificado, serve como um portal através do qual recebe-se um dom Divino ou bênção:


Letra
Dom
Portal da cabeça


bet
sabedoria
olho direito


guimel
riqueza
ouvido direito


dalet
filhos
narina direita


caf
vida
olho esquerdo



governo
ouvido esquerdo


resh
paz
narina esquerda


tav
favor
boca


As doze letras "simples" - hê, vav, zayin, chet, tet, yud, lamed, nun, samech, ayin, tsadic, cuf - correspondem aos doze membros básicos e órgãos do corpo. Cada um destes "controla" (muitas vezes de forma misteriosa, pois nenhum relacionamento óbvio é aparente) um sentido espiritual ou talento da alma (os talentos particulares de cada uma das doze tribos de Israel):


Letra
Sentido/Talento
Membro/Órgão


fala, expressão
perna direita


vav
pensamento, contemplação
rim direito


zayin
caminhar, progresso
perna esquerda


chet
visão, percepção
mão direita


tet
audição, entendimento
rim esquerdo


yud
ação, retificação
mão esquerda


lamed
tato, sexualidade
vesícula biliar


nun
olfato, sensibilidade
intestinos


samech
sono, sonhos
baixo estômago


ayin
raiva, indignação
fígado

tsadic
comer, paladar
alto estômago


cuf
riso, exuberância
baço

A cura do corpo e da alma - parte 5
As dez sefirot dentro da boca


Baseado no princípio de inter-inclusão, a Cabalá vê em cada um dos membros do corpo um reflexo e manifestação do corpo inteiro com todos seus membros. (A partir daí, fica claro o rumo do agora-conhecido fenômeno biológico de que os genes de cada célula do corpo codificam o corpo inteiro.)

Analisaremos agora vários dos membros primários do corpo desta forma - começando pela boca.

O palato corresponde à sefirá de chochmá ("sabedoria") dentro da boca. Assim como o olho interior da sabedoria sempre vivencia novos lampejos de discernimento, assim também as papilas gustativas do palato, no plano espiritual interior, invariavelmente experimentam novos sabores da verdade. Lemos em Tehilim "Prove e veja que D'us é bom." A própria palavra chochmá é lida na Cabalá como chech-ma, "o paladar do [i.e., que tem sabor] sublime."

Assim como o palato é a extensão inferior ou reflexo do cérebro, geralmente identificada com a chochmá (nas palavras do Zôhar, "chochmá é o cérebro"), da mesma forma a garganta é considerada como sendo a extensão ou reflexão mais elevada do coração, geralmente identificado com biná ("biná é o coração"). A garganta é então considerada como sendo o biná da boca. Na Cabalá, falamos da união do palato e da garganta, refletindo a união celestial da chochmá e biná (denominadas "pai" e "mãe") na boca.

A língua, que na boca corresponde ao eixo central das sefirot, possui três "centros de energia," correspondendo às três sefirot ao longo do eixo central: da'at, tiferet e yessod.

O ponto onde a língua se conecta com a garganta é o ponto de da'at, o poder de conectar, na boca. Sobre este ponto, afirma-se: "se não há da'at lá, não há biná; se não há biná, não há da'at."

O comprimento da língua em si corresponde à sefirá de tiferet na boca. Neste ponto fica o poder da "linguagem" ou "língua" (tanto em hebraico quanto em português). Na língua está a beleza da auto-expressão, a eloqüente combinação de rico vocabulário (tiferet significa "beleza").

A ponta da língua corresponde à sefirá de yessod, o sagrado pacto na boca. Sobre este centro de energia oral afirma-se que: "o pacto da língua corresponde ao pacto da carne [i.e., o órgão procriador]".

Aqui, na sua ponta, a língua toca, por assim dizer, a cavidade vazia da própria boca. Esta cavidade é de fato a essência da boca, pois como a boca em geral corresponde à sefirá de malchut - o recipiente vazio que recebe as luzes de todas as sefirot mais elevadas - desta forma, na análise detalhada da boca, a cavidade é seu próprio nível específico de malchut, o finalzinho do eixo central das sefirot. O toque da ponta da língua na cavidade bucal é, então, uma analogia à união sexual de homem e mulher, yessod e malchut.

As mandíbulas superior e inferior, com suas duas fileiras de dentes, correspondem às duas sefirot de chessed e guevurá dentro da boca. Mastigar a comida é como processar uma idéia para torná-la digerível. Este processo depende dos dois poderes emotivos básicos da alma. Amor, chessed, motiva o desejo da alma de "integrar" as centelhas presentes na realidade externa. A força, guevurá, desempenha o papel de moinho dos dentes, quebrando a comida em partículas digeríveis, das quais se diz: "malchut [em nosso contexto, a boca] é construído [i.e., tornado capaz de desempenhar sua função de comer] pelos [estados de] guevurá."

Similares às mandíbulas superior e inferior e os dentes, os lábios, superior e inferior, correspondem às duas sefirot de netsach e hod dentro da boca. Estas "guardam" a entrada da boca do ambiente externo (na Cabalá, netsach e hod são descritos como "fora do corpo"). Além disso, os lábios servem para transmitir uma expressão da alma, mais profunda que palavras - o beijo. Aqui, eles se juntam com a ponta da língua, a união do trio netsach-hod-yessod dentro da boca. Assim como "língua" significa "linguagem," assim também "lábio" (safá) significa "linguagem" em hebraico. Isso alude à linguagem do beijo.

Assim, completamos a análise da inter-inclusão das dez sefirot dentro da boca.

Sefirá
Parte da boca

chochmá
palato

biná 
garganta

da'at
ponto de contato da língua e da garganta

chessed
mandíbula superior e dentes

guevurá
mandíbula inferior e dentes

tiferet
comprimento da língua

netsach
lábio superior

hod
lábio inferior

yessod
ponta da língua

malchut
cavidade da boca

A cura do corpo e da alma - parte 6
As cores dos olhos - parte 1


Na Cabalá, aprendemos que o olho é um espelho em miniatura que reflete o homem por inteiro como foi criado à imagem de D'us, tanto no corpo quanto na alma.

O olho possui quatro cores, que correspondem tanto às quatro letras do Nome essencial de D'us, Havaya, quanto às quatro pernas do trono e carruagem Divinos.

O branco do olho reflete o yud do Nome Havaya, e corresponde ao poder da sabedoria - percepção Divina - e seus derivativos emotivos (ao longo do eixo direito da sefirótica árvore da vida), o poder da bondade. Estes são os atributos espirituais de nosso primeiro ancestral, Avraham.

Ao redor e penetrando no "mar" branco (da sabedoria) do olho, existem vasos de sangue, vermelhos, minúsculos mas visíveis. Na bênção de Yaacov a seu filho Yehudá, ele abençoa os olhos para que se tornem vermelhos por causa do vinho bom. Disso entendemos que o vinho - que em si é vermelho e até chamado na Torá de "sangue das uvas" - provoca vermelhidão nos olhos. O vermelho nos olhos reflete o hei do Nome Havaya, e corresponde ao poder do entendimento (o poder intelectual esquerdo) - a capacidade da alma de meditar sobre o Divino (o serviço espiritual mencionado na Torá, metaforicamente, como "beber vinho") - e seu derivado emotivo, a força do poder (junto com sua própriedade intrínseca, o poder da reverência). Estes são os atributos espirituais de nosso segundo antepassado, Yitschac.

Em geral, quando falamos da cor dos olhos - que distingue um indivíduo de outro - referimo-nos à cor da íris. Aqui, a pessoa tem olho azul, castanho ou verde, com vários matizes intermediários. Na terminologia da Torá, todas estas cores são consideradas como matizes de uma cor geral, denominada de "amarelo-esverdeado" (yaroc).

A cor específica dos olhos de cada pessoa reflete o vav do Nome Havaya, e corresponde ao poder central da mente, o conhecimento (da'at). Nossos sábios ensinam que é a da'at de cada pessoa que distingue sua personalidade da personalidade dos outros. "Assim como cada face de uma pessoa não é igual à outra, da mesma forma o da'at de cada indivíduo é diferente." Aqui, a cor específica do olho varia de pessoa para pessoa.

Da'at é denominado a "chave" que abre todas as câmaras do coração, as seis forças emotivas de chessed (bondade) a yessod (verdade, lealdade, e devoção). Estas, por sua vez, correspondem ao espectro total das cores do arco-íris. Quanto às cores específicas do olho, os vários matizes do azul correspondem ao eixo direito do coração, chessed (bondade) e netsach (vitória, confiança); os vários tons de marrom correspondem ao eixo esquerdo do coração, guevurá (poder, reverência) e hod (agradecimento, glória); as várias gradações de amarelo-verde correspondem ao eixo central do coração, tiferet (beleza, misericórdia) e yessod (verdade, lealdade, e devoção).

Embora da'at abra todas as câmaras do coração, seu maior derivativo - sua manifestação básica nas emoções - é o poder de tiferet (amarelo) e o derivativo imediato e direto do último, o poder de yessod (verde). Amarelo é a cor do sol, e verde é a cor da vegetação, nutrida pelos raios de luz solares (pelo processo de fotossíntese). Assim, entendemos por que, na terminologia da Torá, amarelo-verde é escolhido para representar a cor toda-inclusiva (cujos matizes variam de pessoa para pessoa).

Tiferet significa "beleza", definida na Cabalá e Chassidut como sendo a mescla harmoniosa de muitas cores juntas. A beleza do olho está em sua cor individual, que de certo modo reflete ou sugere o espectro completo do arco-íris.

Os atributos espirituais correspondendo à cor dos olhos da pessoa, da'at e tiferet, são aquelas de nosso terceiro antepassado, Yaacov. Sobre ele, fala-se que "sua cama é completa," com doze filhos santos, os progenitores das doze tribos de Israel. Cada tribo possuía sua própria cor, a cor de sua pedra preciosa no peitoral do sumo sacerdote e aquela exibida em sua bandeira (que assinalava seu acampamento no deserto).

Finalmente, chegamos à pupila do olho, cuja cor - ou melhor dizendo, ausência de cor - é preta. A pupila do olho é chamada pela Torá como a "filha" do olho. Na Cabalá, a figura da "filha" é sempre associada ao poder de malchut (reino), a última das sefirot, que, "nada possuindo de seu" (somente aquilo que recebe do alto), corresponde ao preto (a experiência da inferioridade existencial e distância de D'us, a propriedade interior do malchut).

Esta é a propriedade do Rei David, que disse "e serei [sempre] inferior a meus próprios olhos," claramente aludindo ao estado intrínseco de inferioridade dentro do olho, sua pupila negra.

O poder da visão emana do ponto interno da pupila. Como no início da criação, a luz brota da escuridão - "a escuridão precede a luz." O profeta declara "à distância, D'us aparece para mim," do ponto mais recôndito do estado existencial de sentir-se "distante" de D'us (o ponto interior da pupila) a luz de D'us reluz aos olhos do homem.

A cura do corpo e da alma - parte 7
As cores dos olhos - parte 2


Segundo a análise feita pela Cabalá da visão de Yechezkel (Ezekiel) dos ossos secos, os quatro componentes constituintes do corpo humano - ossos, vasos sangüíneos, carne e pele - correspondem às quatro letras do Nome Havaya. O quinto, nível espiritual que dá vida ao corpo, o espírito ("De todas as direções, vem, ó espírito, e sopra nestes corpos, para que vivam"), corresponde ao quinto nível transcendente do nome Havaya, a ponta superior do yud.

Da mesma forma, a respeito do olho - todo o corpo físico e espírito de vida está encerrado no olho - suas quatro cores correspondem às quatro letras do nome Havaya, como também os quatro componentes constituintes do corpo humano: do branco do olho aos ossos e o yud; o vermelho aos vasos sangüíneos e ao primeiro hê; a cor da íris à carne e o vav; e a pupila negra à pele e ao segundo hê. O poder de visão dos olhos corresponde ao espírito que dá a vida do corpo e ao quinto nível transcendente do Nome Havaya, a ponta superior do yud. Aqui, a ponta superior do yud aparece no ponto interior do segundo hê, no segredo de "o fim é introduzido no início, e o início no final."

Nossos sábios estabeleceram a correspondência do espírito da vida à visão do olho, assim como aquela do pai (chochmá) à cor branca e a mãe (biná) à cor vermelha na seguinte descrição da formação do homem:

Há três parceiros na [formação do] homem: o Santíssimo, bendito seja, o pai e a mãe. O pai contribui com a brancura, que se transforma nos ossos, tendões, unhas, cérebro e o branco do olho. A mãe contribui com o vermelho, que se torna o sangue, a pele, a carne, o cabelo e o negro do olho. E o Santíssimo, bendito seja, contribui com o espírito [da vida], a alma, o formato da face, a visão dos olhos, a audição dos ouvidos, a fala da boca, o movimento das mãos, o caminhar das pernas, o entendimento e o intelecto.

Resumindo (a respeito do olho):


Nome de D'us
Sefirá
Aspecto do olho

Arquétipo
ponta superior do yud

keter
poder da visão
Divindade


yud
chochmá
branco

Avraham

biná
vermelho (vasos sangüíneos)

Yitschac
vav
da'at e midot
cor da íris

Yaacov
hê 
malchut
pupila negra
David

No Zôhar, o segredo do olho, o segredo da visão, é visto como relacionado ao santo dia do Shabat. Em hebraico, a palavra para Shabat é composta de três letras: shin, bet e tav.

A letra shin é formada de três linhas (três vavs, cada um com cabeça, um yud, no topo) elevando-se de uma base comum. Estas três linhas aludem aos três Patriarcas, do povo judeu, Avraham, Yitschac e Yaacov, e portanto a letra shin é chamada de "a letra dos Patriarcas."

As duas letras restantes da palabra Shabat, o bet e o tav, formam a palavra bat, "filha." O shin de Shabat, assim, alude às três cores do olho ao redor da pupila, ao passo que o bet e tav de Shabat aludem à própria pupila.

No Shabat, o dia que alude à revelação do Mundo Vindouro, o olho retificado do homem - que reflete todos os três Patriarcas juntamente com o Rei David - merece visualizar a luz Divina do Shabat, referida na palavra Shabat (que no Zôhar é tirada para ser um Nome de D'us), a qual, quando vista como um todo, manifesta a luz que transcende infinitamente aquela das letras que a compõem.

Para resumir:

Shabat
Arquétipo
Olho

Sefirá
Shabat
Divindade
poder de visão 

keter
shin
Avraham
branco

chochmá
Yitschac
vermelho

biná
Yaacov
cor da íris

da'at e midot
bet
David
preto

malchut
tav

A cura do corpo e da alma - parte 8
Os dez dedos, a língua e o órgão procriador

A alusão mais evidente às dez sefirot no corpo humano são os dez dedos e os dez artelhos. Esta correspondência aparece no início de Sêfer Yetsirá, o mais antigo texto cabalístico, cujos três primeiros itens (mishnayot) dizem:

1 - Com trinta e duas maravilhosas trilhas de sabedoria, D'us... criou Seu mundo com três livros: "escriba", "livro" e "história."

2 - [Há] dez inefáveis sefirot e vinte e duas letras de fundação: três mães, sete duplas e doze simples.

3 - [Há] dez inefáveis sefirot, correspondentes aos dez dedos, cinco contra cinco, e o único pacto está colocado no meio, na palavra da língua e a circuncisão do órgão procriativo.

Aqui, na terceira mishná do primeiro capítulo de Sêfer Yetsirá, encontramos a primeira descrição das dez sefirot na Cabalá.

A primeira mishná de Sêfer Yetsirá introduz as 32 trilhas da sabedoria em geral; a segunda mishná divide as 32 trilhas em dois grupos gerais de 10 sefirot e 22 letras (que ainda se subdividem em 3 grupos de 3, 7 e 12 letras). Na terceira mishná, o texto começa a lidar explicitamente com as dez sefirot (e continua fazê-lo por todo o restante do primeiro capítulo).

Estas próprias primeiras três mishnayot seguem a ordem das três sefirot do intelecto: chochmá (sabedoria), biná (entendimento) e da'at (conhecimento). A primeira mishná começa com as 32 trilhas da chochmá (o lóbulo direito do cérebro). A segunda mishná analisa e divide estas 32 em sub-grupos, um processo que depende da faculdade intelectual da biná (o lóbulo esquerdo do cérebro). A terceira mishná apresenta um modelo físico concreto para as dez sefirot, empregando assim o poder da da'at (lóbulo posterior do cérebro, no meio), que serve para concretizar a cognição intelectual abstrata da chochmá e da biná.

Além disso, esta mishná apresenta o princípio mais fundamental do tikun (retificação) na Cabalá - o balanceamento e o equilíbrio. O equilíbrio entre os eixos direito e esquerdo das sefirot depende do eixo central das sefirot em geral, e no poder do da'at em particular.

Quando o da'at não é contado como uma das dez sefirot (i.e., quando os dez são contados a partir do keter), serve como ponto de contrapeso entre os dois grupos simétricos das cinco (lado direito) e cinco (lado esquerdo) sefirot. Da'at é capaz de equilibrar e regular os dois grupos de cinco porque ele próprio subdivide-se em duas categorias internas de cinco cada uma: cinco chassadim (forças "positivas" de atração) e cinco guevurot (forças "negativas" de repulsão). Estes dois conjuntos de cinco inerentes ao da'at prevalecem em todo o decorrer da criação. Devem estar regulados e corretamente equilibrados a fim de servirem a seu propósito no processo de retificação da realidade.

Na Torá, o princípio dos "cinco opostos a cinco" encontra sua expressão nas duas tábuas do pacto, dadas a Moshê no Sinai, sobre as quais estavam escritas os Dez Mandamentos - "cinco opondo-se a cinco."

Em geral, as cinco forças "positivas" da kedushá (santidade) motivam o desempenho das 248 mitsvot positivas da Torá, ao passo que as cinco "forças negativas" de kedushá fortalecem a alma a abster-se e assim cumprir as 365 mitsvot negativas da Torá. Assim, encontramos o ensinamento geral de nossos sábios "a mão esquerda deve sempre repelir e a mão direita deve aproximar."

O segredo da "pacto único" (ou o "pacto do único") que aparece em dois níveis - na língua (para equilibrar os dez dedos) e no órgão procriador (para equilibrar os dez artelhos) - é assim, a manifestação do poder de da'at "acima" e "abaixo."

Da'at "acima" - na Cabalá, da'at elyon - é a perspectiva retificada, concreta, sobre toda a realidade "a partir de cima": o próprio Criador é a verdadeira essência de todo ser, ao passo que a "realidade virtual" da criação vista como existindo independentemente é na verdade "nada." Da'at "abaixo" - na Cabalá, da'at tachton - é a perspectiva da criação de seu Criador como uma "doação" absoluta, porém totalmente "desconhecida."

Moshê, o mais notável de todos os homens, é chamado "o homem de D'us," que é interpretado por nossos sábios como significando: "a partir de seu 'ponto mediano' e acima, [ele era] D'us; e de seu 'ponto mediano' e abaixo, [ele era] homem." Moshê une e integra completamente os dois níveis de da'at (como será explicado), o poder de perceber a realidade através dos "olhos de D'us" (sendo este o significado de "a partir de seu ponto mediano e acima, [ele era] D'us"), bem como o poder de "humildemente" conhecer D'us o Criador da pessoa, sob o ponto de vista do homem (o significado de "a partir do 'ponto mediano' e abaixo, [ele era] homem").

A expressão externa do da'at mais elevado é através dos meios da fala da língua, especialmente quando falando palavras de Torá em geral, e revelando os mistérios interiores da Torá, em especial. Quando a Moshê, este é o segredo de a "Shechiná [Presença Divina] falar através da garganta de Moshê."

A expressão externa do da'at inferior é pela união de marido e mulher (para procriar), como mencionado na união original de homem e mulher: "E Adão conheceu Eva, sua mulher." (Relações conjugais são mencionadas como "conhecer" somente quando o órgão procriador é circuncidado, e na verdade, aprendemos que Adão foi criado já circuncidado.)

O recato presente na sagrada união entre marido e mulher reflete o "não conhecimento" da essência do Criador por Sua criação, especialmente naquele exato momento em que a criação deve imitar seu Criador - o momento da procriação - ligando-se à Sua indubitável existência. Este é o momento em que o "homem" atinge sua epítome (cumprindo o primeiro e único mandamento dado a ele por D'us no momento da criação: "crescei e multiplicai-vos...").

Do acima exposto, aprendemos que a "língua" e o "órgão procriador" (as duas manifestações do "pacto único" - a união entre D'us e o homem) estão interrelacionadas em essência. A partir daí podemos deduzir que sua "retificação" é interdependente. A "correção" da faculdade da fala de uma pessoa (para falar somente palavras boas e "doces") e a "guarda" do pacto do órgão procriador da pessoa (para expressar o verdadeiro amor de alguém pelo cônjuge nas relações conjugais em santidade), dependem e influenciam um ao outro. Por este motivo, os dois termos: "a palavra (em hebraico, milá) da língua" e "a circuncisão (em hebraico, milá) do órgão procriador," são a mesma.

O modelo mais básico do serviço Divino, conforme ensinado pelo Báal Shem Tov, é o processo de três estágios de chash, mal, mal - "silêncio, circuncisão, e fala" (equivalente a "submissão, separação e suavização"). Os dois últimos estágios, circuncisão e fala, correspondem aos dois níveis mencionados em nossa mishná: "a circuncisão do órgão procriador" e "a palavra da língua."

O primeiro estágio do serviço Divino - chash ou silêncio - também aparece na frase de abertura da mishná: "dez sefirot inefáveis." A palavra para "inefável" - blima - aparece subseqüentemente no texto, como "feche sua boca e não fale," referindo-se assim ao serviço de chash (que deve preceder aqueles de mal-mal). Dessa forma, descobre-se que a ordem do serviço Divino é que primeiro a pessoa deve meditar, em silêncio, nos mistérios das "dez sefirot inefáveis" e então realizar o potencial de seu da'at inferior (similar ao humano) e seu da'at superior (similar ao de D'us).

A cura do corpo e da alma - parte 9
O da'at superior e inferior

Continuando nosso estudo da terceira mishná em Sêfer Yetzirá, encontramos que é constituída de vinte e dois elementos:

• dez dedos, correspondendo às dez sefirot do mundo de Atsilut, o mundo cuja consciência é exclusivamente de da'at elyon;

• dez artelhos, correspondendo às dez sefirot do mundo de Beriá (e os mundos inferiores), cuja consciência é de da'at tachton; e

• dois pontos de equilíbrio - a língua e o órgão procriador.

Podemos associar os vinte e dois elementos acima do corpo físico com as vinte e duas letras hebraicas, esquematizando a seguinte representação (a língua acima dos dez dedos, e o órgão procriador acima dos dez artelhos):



Vemos por este diagrama que as duas letras que correspondem ao "único pacto" (manifestado em seus dois níveis) - alef e lamed - combinam-se para formar o Nome Divino E-l. Este é o Nome Divino que aparece no versículo:

D'us [Havaya] é um D'us [E-l] de dois [níveis de] conhecimento.

Este versículo (na canção de agradecimento Chana, entoada após o nascimento de Samuel) é a fonte bíblica para a existência de dois níveis de da'at, conforme descrito no capítulo 8. Assim, os dois níveis de da'at são referidos nas duas letras do nome de D'us:E-l, as duas letras que aparecem nos locais das duas manifestações do "pacto único" como explicado acima:

• Alef - corresponde à sabedoria intuitiva e percepção da mente, como está escrito: "Eu te ensinarei [alef] a sabedoria";

• Lamed - corresponde ao poder emotivo do coração, pois a letra lamed no decorrer de toda a Torá representa o "coração" (lev).

Assim, aprendemos que a percepção interior da mente (a consciência de da'at elyon) encontra sua expressão externa na língua, ao passo que a emoção interior (amor) do coração (da'at tachton) encontra sua expressão externa no órgão procriador.

Quando as mãos são levantadas (como as mãos dos sacerdotes quando estão abençoando o povo), a língua (que abençoa) está entre os dez dedos. Porém, quando as mãos estão abaixadas, é o órgão procriador que está entre os dez dedos. Da mesma forma, encontramos na Bíblia uma expressão idiomática da língua "caminhar", como os pés.

Embora tenha sido explicado acima que o da'at superior do alef serve para equilibrar os dez dedos - as dez sefirot do mundo de Atsilut - e o da'at inferior do lamed serve para equilibrar os dez artelhos - as dez sefirot do mundo de Beriá (e os mundos inferiores) - vemos aqui que também existe uma relação entre o da'at superior (a língua) e os mundos inferiores (os artelhos), e o da'at inferior (o órgão procriador) e os mundos superiores (os dedos).

A união das sefirot celestiais de Atsilut faz nascer a consciência do da'at inferior em Beriá e abaixo. O serviço das almas nos mundos inferiores revela, em última instância, o da'at superior na terra.

Além disso, o alef e o lamed - o da'at superior e o da'at inferior - da língua e do órgão procriador, às vezes se invertem. As emoções do coração encontram sua expressão nas palavras da língua. A essência embrionária da mente "contrai-se" na semente do órgão procriador.

Podemos agora entender por que a ordem das duas manifestações do "pacto único" conforme citado em nossa mishná é primeiro "a palavra da língua" e em seguida "a circuncisão do órgão procriador" (apesar de que seguindo-se a ordem do serviço Divino de chash-mal-mal descrito acima, "a palavra da língua" vem depois de "a circuncisão do órgão procriador"). Finalmente, a revelação da essência Divina (na terra) depende da retificação e da santificação da "circuncisão do órgão procriador."

A cura do corpo e da alma - parte 10
O centro de energia - Pontos de contato do corpo


Na seção anterior, vimos que "o pacto único está colocado no meio, na palavra da língua e na circuncisão do órgão procriador." Estes dois pontos - a língua e o órgão procriador, na verdade os dois pontos essenciais do "intercurso" - são os dois centros primários de energia, ou pontos de contato, situados ao longo da linha mediana do corpo.

Na Cabalá, a energia emitida a partir de cada um destes centros ou pontos de contato funde-se com aquela da alma-gêmea da pessoa para procriarem. O poder de procriar fisicamente brota do ponto mais baixo, inferior, ao passo que o poder de procriar espiritualmente brota do ponto mais elevado da boca e língua. Aprendemos que humanos (seres materiais) são criados a partir da união inferior dos órgãos procriadores, ao passo que anjos (seres espirituais) são criados a partir da união de "boca a boca," pelo poder do beijo (a expressão mais íntima da "palavra da língua").

Somos ainda e ensinados na Cabalá que existe uma centro adicional de energia - ou ponto de contato - o ponto central do peito, o ponto de contato do "abraço." Este ponto, relativo aos pontos acima e abaixo dele, representa um nível intermediário de energia conectiva, mais material que aquele do ponto acima, porém mais espiritual que aquele do ponto abaixo dele. Aqui, o anjo desce para vestir-se numa forma corpórea e terrena.

Na prática meditativa - o esforço espiritual da alma para contactar e tornar-se um com D'us - a Cabalá e a Chassidut ensinam que, da mesma forma que a união de duas almas gêmeas, deve-se começar a partir do ponto médio, o ponto do abraço; para ascender ao ponto mais elevado, o beijo; e finalmente para descer ao ponto inferior, o verdadeiro estado de apegar-se ao ser amado para tornarem-se um (como em Bereshit: "e ele se apegará à sua mulher e se tornarão uma só carne").

Para continuar nossa jornada cabalística, cada mundo ou estado completo, auto-contido da realidade, possui cinco figuras com forma humana (partsufim): O Ancião, o pai, a mãe, o filho (ou noivo) e a filha (ou noiva). Como cada um desses possui todos os três centros de energia ou pontos de contato descendo na linha central, cada mundo no total possui quinze centros de energia ou pontos de contato.

De fato, cada um de nós, criado à imagem de D'us, reflete, em corpo e alma, todas as cinco figuras Divinas, razão pela qual todo judeu é considerado como sendo "um mundo completo". E assim, podemos identificar, especificamente, quinze centros de energia ou pontos de contato descendo a linha central do corpo humano.

Na Cabalá, todo estado meditativo e esforço espiritual para despertar energias e criar uniões relaciona-se a uma prece específica a D'us. A meditação dos quinze pontos de contato é a "intenção" da prece, que segue o recital do Shemá a cada manhã. O texto da prece - confirmando a verdade absoluta de nossa fé judaica, que encontra sua expressão no recital do Shemá - começa com a palavra emet (verdade) e é seguido por quinze palavras, das quais todas são sinônimos ou variações do conceito "verdade," cada uma das quais prefaciada pela letra vav ("e," implicando energia conectiva; como uma palavra, vav significa "um gancho").

Refere-se à linha central do corpo ou ao eixo médio das sefirot celestiais em geral como emet. A verdade suprema não é nem direita nem esquerda; é o poder que une a direita e a esquerda para tornarem-se uma. Isso deriva da origem do "centro" que transcende tanto os estados antitéticos de direita e esquerda. Possui um espectro completo de quinze "colorações," refletidas no corpo como quinze pontos descendo sua linha central.

Os quinze pontos dividem-se em cinco grupos de três, cada grupo correspondendo a uma das cinco figuras primárias do completo "mundo" humano. O primeiro grupo de três compreende: (1) o ponto no topo do crânio, (2) o ponto onde o cabelo encontra a testa (o lugar acima do qual é colocado o tefilin da cabeça), e (3) o ponto do meio da testa (mencionado como o ponto essencial da "testa da vontade"). Todos os três destes pontos incorporam energia supra-racional; todos estão acima dos olhos, o início da percepção consciente. Correspondem aos três pontos (figurativamente: boca, peito e órgão procriador) do Ancião (acima do pai e da mãe - chochmá e biná, a mente racional).

O próximo grupo de três é: (1) o ponto entre os olhos (a "boca" da sabedoria), (2) o ponto do nariz, e (3) a reentrância acima do lábio superior (o ponto que o anjo toca antes do nascimento para fazer que a pessoa esqueça toda a Torá que aprendeu no útero). Estes são os três pontos (boca, peito e órgão procriador) do pai.

Em seguida vem (1) a ponta da língua na boca, (2) o ponto do queixo, e (3) o ponto central da garganta. Estes são os três pontos (boca, peito e órgão procriador) da mãe.

Depois vem (1) o ponto entre os ombros, (2) o ponto central do tórax superior (a que se refere como "o pássaro da alma"), e o ponto central do (baixo) tórax (o ponto essencial do peito, o ponto de abraço acima descrito). Estes são os três pontos (boca, peito, e órgão procriador) do filho.

Finalmente, vem (1) o ponto do umbigo (a "boca" durante a gravidez), (2) o ponto do baixo abdômen (o ponto do útero) e (3) o ponto do órgão procriador (masculino). Estes são os três pontos (boca, peito e órgão procriador) da filha.

As palavras hebraicas para estes quinze pontos são: (1) veyatsiv (firme), (2) venachon (estabelecido), (3) vecayam (resistente), (4) veyashar (reto), (5) vene'eman (fiel), (6) ve'ahuv (amado), (7) vechaviv (prezado), (8) venechmad (precioso), (9) vena'im (agradável), (10) venorá (reverenciado), (11) ve'adir (poderoso), (12) umetucan (correto), (13) umecubal (aceitável), (14) vetov (bom), e (15) veyafê (lindo).

Resumindo:
Palavras hebraicas
Partsuf
Corpo
veyatsiv
firme
O Ancião

boca
topo do crânio
venachon
estabelecido
peito
onde cabelo encontra testa


vecayam
resistente
órgão procriador
meio da testa


veyashar
reto
pai

boca
entre os olhos
vene'eman
fiel
peito

nariz
ve'ahuv
amado
órgão procriador

reentrância acima do lábio superior
vechaviv
prezado
mãe

boca
ponta da língua
venechmad

precioso
peito
queixo
vena'im
agradável
órgão procriador
centro da garganta

venorá
reverenciado
filho
boca
entre os ombros

ve'adir
poderoso
peito
ponto central do tórax superior


umetucan
correto
órgão procriador
ponto central do baixo tórax


umecubal
aceitável
filha
boca
umbigo


vetov
bom
peito
baixo abdômen (útero)

veyafê
lindo
órgão procriador
órgão procriador masculino


A cura do corpo e da alma - parte 11
Sistemas fisiológicos segundo a Cabalá - Modelo um


...Disse D'us a estes ossos: "Vejam, trarei o espírito em vós e vivereis. E colocarei vasos sangüíneos em ti e farei crescer carne em vós, e vos cobrirei com pele. E vos darei espírito e vivereis, e sabereis que Eu sou D'us."

Na passagem acima, de Ezekiel 37, vemos uma representação em quatro níveis do corpo - ossos, vasos sangüíneos, carne e pele - e um quinto nível, espiritual, que dá vida ao corpo - o espírito. O modelo mais apropriado para a análise comparativa desta estrutura é o nome de quatro letras, essencial, de D'us, com o ápice do yud formando o quinto nível transcendente.

O primeiro dos quatro estágios, o yud, alude ao ponto essencial e básico da consciência, porquanto a forma da letra yud é a mais compacta de todas as letras hebraicas, servindo como seu âmago estrutural. Freqüentemente usado para representar uma semente, o yud na vida do corpo pode ser visto como seus ossos (especialmente a "semente" do corpo está na medula óssea, como será explicado). O sistema ósseo, o esqueleto, a estrutura mais básica do ser humano, apóia todos os sistemas fisiológicos adicionais que sobre ele está colocado. Além disso, a palavra hebraica para "osso" (etsem) significa também "próprio" ou "essência," que espiritualmente refere-se ao âmago de nosso ser. Fisicamente, isso torna-se manifesto como o centro da estrutura do corpo.

O nível seguinte desta meditação cai sobre o primeiro hê do nome de quatro letras de D'us. O hê é entendido como sendo uma letra tri-dimensional com os dois lados anexos projetando comprimento e largura, enquanto a terceira dimensão está sugerida no pé destacado que aprendemos a imaginar como uma linha correndo através da página, manifestando assim a dimensão de profundidade. Acima de tudo, a letra hê refere-se à expansão, em todas as três dimensões do corpo físico, do ponto da essência, que aqui é visto como o sistema esqueletal. Em termos espirituais, o hê corresponde à biná, o entendimento no coração que espalha-se para dar vida a todo o corpo, (i.e., "motivar" suas múltiplas funções). Dessa maneira, fisicamente, o primeiro hê do nome de D'us reflete o sistema circulatório - a básica comunicação interior de força de vida dentro do corpo - o "entendimento" interno e a autoconservação do corpo.

Em seguida, o vav no nome de D'us refere-se às emoções básicas ou atributos do caráter, dos quais existem seis - o equivalente numérico da letra vav em hebraico. Os atributos do caráter de uma pessoa relativos a seu entendimento são como a carne de uma pessoa que preenche todo seu corpo (o vav, especificamente, corresponde ao tiferet, que é o torso, o "tronco" do corpo) mas que em si mesmo está repleto com os vasos sangüíneos e os reveste.

Finalmente, a pele, como a camada mais externa e revestimento exterior do corpo, exibe a aparência superficial que afeta os outros, dessa forma servindo perfeitamente como o "reino" das quatro divisões gerais do corpo.

Toda vez que este sistema de quatro níveis é utilizado para contemplar a "existência," sempre há um quinto nível, mais elevado e abrangente, que estimula os outros quatro. Este quinto nível é visto como a fonte da existência, e no caso do corpo, é o espírito de vida, que vem para animar todos os outros níveis. Como veremos agora, isto corresponde ao sistema respiratório. O seguinte mapa resume o modelo geral que descrevemos.

O espírito da vida (respiração) -keter - coroa -espinho do yud
Ossos- chochmá - sabedoria -yud
Vasos sangüíneos- biná - entendimento- hê
Carne- midot - atributos do caráter-vav
Pele- malchut - reino -hê


A cura do corpo e da alma - parte 12
Sistemas fisiológicos segundo a Cabalá - O modelo extensivo (1)


Da análise básica do corpo no capítulo anterior, podemos prosseguir a uma análise mais detalhada, onde cada uma das dez propriedades da alma está explicitamente relacionada a um sistema fisiológico no corpo. Quanto aos vários modelos, quando analisados paralelamente à estrutura básica de referência da Cabalá, as dez sefirot, as dez propriedades gerais da alma, subdividem-se ainda no decorrer da análise - nesta apresentação, elas estão na verdade divididas em doze categorias, quando vistas como correspondendo aos sistemas fisiológicos básicos do corpo.

A primeira propriedade, a coroa super-consciente, corresponde ao sistema respiratório, o conduíte físico por meio do qual o espírito da vida entra no corpo. Quando D'us criou o homem, Ele "formou o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o sopro da vida." O sopro da vida vem de D'us nas alturas, a fonte de toda a vida. Ao respirar, interiorizamos aquilo que nos é exterior; inalamos daquilo que está acima de nós. A palavra hebraica para "inalar" (she'ifá) significa também "aspiração." Assim, respirar é uma expressão do desejo inato da alma de ascender e ir além de seu "eu" consciente, até o reino de sua conexão super-consciente com a Divindade (conforme vivenciado em sua fé, prazer e vontade super-racionais).

Chochmá, o yud no Nome de D'us, corresponde à medula óssea. Importante pesquisa médica atualmente considera a medula óssea como um sistema em si mesmo. A medula óssea é responsável pela produção de células do sangue - a unidade biológica mais fundamental no corpo. Assim como a medula óssea produz estas células sanguíneas, assim, também, tudo se origina na chochmá, pois "Tu fizeste tudo com sabedoria."

Biná, que está no lado esquerdo da árvore sefirótica, está associada ao próprio sangue, atualmente considerado como sendo um sistema fisiológico em si mesmo (além do sistema dos vasos sanguíneos). Biná, que significa "construir," recebe sua matéria prima da chochmá, a medula óssea, expandindo sua informação codificada. Na Cabalá, biná é mencionada como a "mãe" cujas contribuições básicas à formação da criança são os aspectos vermelhos de seu corpo, como está declarado no Talmud. Em contraste, chochmá é mencionada como o "pai," que gera os aspectos brancos do corpo, tais como os ossos.

Estes dois sistemas fisiológicos relativamente abstratos - a medula óssea e o sangue - assumem os papéis gerais de "pai" e "mãe" no corpo, e funcionam juntos em perfeita união. Na Cabalá, a contínua união dos princípios "pai" e "mãe" é responsável pela contínua criação da realidade. Nas palavras do Zôhar, o pai (aqui, a medula óssea) e a mãe (neste caso, o sangue) são "os dois parceiros que jamais se separam." Sua união, expressando o poder criativo da alma viva, é contínuo - a medula óssea cria continuamente novas células sangúineas.

A sefirá diretamente sob a chochmá no eixo direito da árvore das sefirot é chessed. Chessed é personificada pelo primeiro judeu, Avraham, como está escrito no versículo: "Dê bondade a Avraham." O valor numérico do nome de Avraham (248) é equivalente ao número de ossos do corpo, o que está detalhado na Mishná. Este é também o número de mandamentos positivos da Torá. Conseqüentemente, chesed, o atributo de Avraham, identifica-se com o sistema do esqueleto.

A frase "o D'us [ou fonte de vida] de Avraham" é entendida na Cabalá como referindo-se à força abobadada acima de Avraham, o poder da chochmá localizado na árvore sefirótica no eixo direito das sefirot acima do poder de chessed. Os ossos do corpo agem como os vasos, ou recipientes para o nível mais abstrato da medula óssea. Assim, "o D'us de Avraham" refere-se ao sistema da medula óssea acima do sistema do esqueleto.

Enquanto biná refere-se ao sangue, é a propriedade da guevurá, ou restrição - localizada exatamente sob a biná no eixo esquerdo da árvore sefirótica - que dá "forma" e direção ao sangue, controlando sua circulação por todo o corpo. O poder de restrição canaliza o sangue e o dirige a vasos específicos, que segundo a Cabalá, são as 365 artérias e veias principais correspondendo aos 365 dias do ano solar e aos 365 mandamentos negativos da Torá. Embora pudéssemos a princípio considerar o sangue e vasos sanguíneos como um único sistema, eles são agora entendidos como sendo dois sistemas separados, conforme mencionado acima. Na Chassidut, aprendemos que a força de contração (guevurá) que os vasos sanguíneos exercem sobre o próprio sangue servem para fortalecer a força vital inerente no sangue.

A cura do corpo e da alma - parte 13
Sistemas Fisiológicos segundo a Cabalá - O modelo extensivo (2)


O terceiro poder cognitivo da alma é da'at. O poder de da'at na alma corresponde ao sistema nervoso no corpo. Da'at é entendido na Cabalá e Chassidut como sendo o centro de toda a sensibilidade e sentimento da alma. Os sensores do corpo são seus nervos.

Aprendemos na Cabalá que da'at possui dois lados aparentemente antitéticos mas em última instância, complementares. A primeira aparição de da'at na Torá está na frase: "A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal." Disso entendemos que da'at é um sentido de polaridade espiritual ou moral, aquele entre o bem e o mal. O poder da alma para sentir o bem e ser atraída a ele é mencionado como o lado direito de da'at, ao passo que o poder da alma de sentir o mal e repeli-lo é mencionado como o lado esquerdo de da'at. Numa alma retificada, a atração para o bem acarreta a auto percepção consciente de amar o bem, ao passo que o temor da alma do mal responsável por repelir e expulsar o mal opera no nível inconsciente da alma.

Abstraindo e expandindo este entendimento, o lado direito de da'at corresponde a todas as sensações conscientes e reações voluntárias da pessoa, ao passo que o lado esquerdo do da'at corresponde a todas as sensações e reações involuntárias da pessoa.

Em termos do sistema nervoso, o lado "direito" de da'at corresponde ao sistema nervoso voluntário, ao qual se refere como o sistema nervoso cérebro-espinhal. Aqui, a sensação consciente e o controle do corpo implicam em auto-percepção, conhecer a si mesmo. Numa personalidade retificada, conhecer a si mesmo é para o mérito de agir construtivamente no mundo e ajudar aos outros. Por esta razão, este lado de da'at é identificado com o direito.

O outro, o lado "esquerdo" de da'at, corresponde ao sistema nervoso involuntário, o sistema nervoso autônomo, que se divide em sistemas simpático e parassimpático. O sistema parassimpático serve para desacelerar o coração, dilatar os vasos sanguíneos, aumentar a atividade das glândulas, contrair as pupilas dos olhos, etc., ao passo que o sistema simpático faz o oposto de todos esses.

Atuando como o lado inconsciente de da'at, o sistema nervoso involuntário permite que todas as funções necessárias ao corpo se realizem automaticamente. Processos que ocorrem naturalmente, como digestão e respiração, funcionam sem o envolvimento consciente da pessoa. Tais funções são basicamente para que a pessoa sobreviva, preservando a vida do corpo (não devido à preocupação pelo outro). Por este motivo, este lado do da'at é identificado com a esquerda.

Diretamente abaixo de da'at no eixo central da árvore sefirótica, a sefirá de tiferet corresponde à carne (como acima em nossa descrição geral dos quatro sistemas fisiológicos básicos, onde vimos que a carne corresponde ao vav do Nome de D'us em geral e à sefirá de tiferet em particular) e ao sistema muscular do corpo. O coração, que pertence tanto ao sistema muscular quanto ao sistema dos vasos sanguíneos, tende ao lado esquerdo do corpo, aludindo às forças combinadas de guevurá e tiferet.

Yessod, a continuação e extensão de tiferet no eixo central da árvore sefirótica, é o poder de auto-efetivação da alma. Aqui, num plano físico, ela se manifesta como o sistema reprodutivo - a capacidade inata de reproduzir e recriar o próprio eu na forma de descendência.

Com uma reflexão mais completa pode ser visto que uma propriedade adicional da alma e um sistema fisiológico adicional correspondem ao sinal da Sagrada Aliança - o Berit Milá. O ato da circuncisão é um processo duplo realizado na pele do órgão procriador masculino: a remoção do prepúcio e descascar a membrana mucosa para revelar a coroa do órgão. Este processo refina sua natureza original, a pele física, tornando-a capaz de refletir a luz espiritual. Isso é aludido na afinidade fonética das palavras para "pele" ('or', soletrada com um 'ayin') e "luz" ('or', soletrada com um 'alef') em hebraico. Além disso, quando o berit milá é puro e retificado, reluz e toda a pele da pessoa começa a irradiar, como foi o caso de Adão e Eva antes do pecado original. Daí se deduz que o berit milá, especificamente a manifestação da coroa do órgão (em hebraico, ateret hayessod), pode ser considerado como a origem do sistema fisiológico da pele.

Como a primeira sefirá de keter, malchut, a sefirá final (sob yessod, a última das sefirot ao longo do eixo central da árvore sefirótica), relaciona-se também com a interiorização de um componente necessário da vida a partir do mundo externo. Extraindo as "centelhas" de nutrição espirituais e físicas do ambiente de alguém - os domínios inferiores da realidade, os reinos mineral, vegetal e animal - e digerindo-os, transforma-os em energia humana vital. A digestão também funciona como um processo de esclarecimento, onde elementos úteis são assimilados pelo corpo, ao passo que produtos desnecessários são expelidos. Na Cabalá, o rei é aquele que desce de seu trono (em geral, por meio da palavra e da ordem) para os reinos inferiores da realidade, a fim de extrair deles seus benefícios para seu povo.

Em contraste com o keter - o sistema respiratório, que funciona numa dinâmica de descida da energia vital (oxigênio) ao corpo - malchut, que representa a digestão, envolve a dinâmica oposta, a elevação das "centelhas caídas" de energia (nutrição) para o corpo. Como uma imagem feminina na Cabalá, malchut alude ao sistema digestivo, como na descrição bíblica da "mulher de valor" quando ela "dá alimento para sua casa [corpo]."

Voltaremos agora às duas sefirot restantes, netsach (a última sefirá no eixo direito da árvore sefirótica) e hod (a última no eixo esquerdo). Quando aos sistemas fisiológicos, netsach corresponde ao sistema endócrino, que engloba as glândulas e os hormônios, ao passo que hod representa o sistema imunológico. De todos os sistemas do corpo, estes são os mais recentemente compreendidos pelo mundo médico e estão de fato bastante interrelacionados. Nas palavras da Cabalá, netsach e hod são "duas metades de um mesmo corpo," ou, coloquialmente, "dois lados de uma mesma moeda."

Netsach, situada sob chesed no eixo direito das sefirot, significa tanto "vitória" quanto "eternidade." É a capacidade de superar obstáculos que ficam no caminho dos processos de crescimento e desenvolvimento do corpo e daqueles processos que asseguram boa saúde e longevidade, de nutri-los por meio de seus hormônios vitais. Trabalhando para gerar novas células e estruturas dentro do corpo, os hormônios do sistema endócrino perpetuam a vida do corpo e o ajudam a superar os obstáculos do tempo. Netsach, como um ramo de chessed, é entendido na Cabalá como o "leite" que nutre o crescimento e desenvolvimento motivados pelo chessed.

Finalmente, voltamo-nos ao sistema fisiológico que combate as doenças, o sistema imunológico. Este sistema monitora o que pertence adequadamente ao corpo e o que é um intruso invasor. Um sistema imunológico saudável aniquila intrusões destrutivas estranhas ao corpo. Mais tarde falaremos deste sistema em particular






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Em resumo:
keter
coroa, força de vida super-consciente
sistema respiratório
bináentendimento, júbilo
sangue
chochmásabedoria, abnegaçãomedula óssea
da'at
conhecimento, união
sistema nervoso
guevuráforça, temor
vasos sanguíneos
chessed
bondade
esqueleto
tiferet
beleza, misericórdia
carne, sistema muscular
hod
agradecimento, sinceridade
sistema imunológico
netsach
vitória, confiança
sistema endócrino
yessod
alicerce, devoção
sistema reprodutor
ateret hayessod (fonte de malchut)
soberania, exaltação
pele
malchut
reino, humildade
sistema digestivo

































A cura do corpo e da alma - parte 14
O Poder do Pensamento

Em nossas explicações sobre o funcionamento do corpo, até agora não levamos em consideração os fatores psicológicos.

Desde tempos imemoriais, o interrelacionamento e interdependência da alma/mente e do corpo - a natureza holística da condição humana - era conhecida intuitivamente e aceita como ponto pacífico. 


Atualmente, a ciência reconhece por completo e tem perfeitamente estabelecida, por experiência, esta verdade fundamental. No mundo médico, o interesse em psiconeuro-imunologia (que passaremos a definir e discutir), alimentada pela percepção largamente difundida que o modo de pensar da pessoa tem efeitos significativos sobre a saúde do indivíduo, está aumentando continuamente.

O dito chassídico declara: "Pense o bem e o bem acontecerá!"

A respeito do sofrimento, sabe-se que a consternação influencia significativamente o estado de saúde da pessoa, mas que em geral seu efeito negativo desaparece após um período de um ano (o período completo de luto, segundo a Torá).

Tem sido também demonstrado que imagens mentais dirigidas, tais como a pessoa visualizar-se destruindo um invasor estranho no próprio corpo, têm uma influência perceptível na superação da doença.

O Time de Três

Três sistemas psicológicos estão envolvidos na interação entre o corpo e a alma, mantendo o bem-estar geral do indivíduo. 

Estes são:1-  o sistema nervoso, 2- o sistema endócrino e 3- o sistema imunológico. 

Fala-se hoje de mecanismos neuro-endócrino-imunes. Esta equipe fisiológica ajuda o corpo a adaptar-se em face de desafios potencialmente desgastantes, um processo ao qual se refere como alostase.

A alostase atinge a estabilidade psicológica e fisiológica por meio de mudança-adaptação. 

Este processo de mudança pelo bem de estabelecer a estabilidade enfrenta três perigos: o mecanismo de reação pode tornar-se freqüente demais, pode falhar em se desligar (com a cessação da necessidade de mudança), ou pode ser inadequado a princípio. Um fenômeno comum é que sob tensão aguda, infecções iminentes podem ser mantidas afastadas, mas a resistência pode desmoronar quando a pressão é aliviada. 

Assim, vemos que o processo de alostase em geral exige o mais alto grau de equilíbrio e sensibilidade ao estado atual da mente-corpo.

O estresse, uma causa freqüente de doenças, ainda é enigmático e cientificamente indefinível. O que se sabe é que os efeitos psicológicos da mente sobre a saúde são exercidos através das influências no sistema imunológico.

 De todos os sistemas fisiológicos, claramente o sistema nervoso é o mais diretamente associado com a própria psique. Assim, quando dizemos que a mente exerce influência sobre o sistema imunológico, queremos dizer que o sistema nervoso comunica-se de alguma maneira com o sistema imunológico. Sabe-se agora que esta comunicação funciona nas duas direções.

O estresse afeta o sistema imunológico (em casos extremos, problemas psiquiátricos podem criar anormalidades no sistema imunológico), que então se comunica de volta com o sistema nervoso. Segundo os resultados de pesquisa muito atual, o sistema nervoso comunica-se com o sistema imunológico por meio do sistema endócrino. Consegue-se assim um ciclo completo de comunicação, do sistema nervoso para o sistema endócrino para o sistema imunológico e de volta ao sistema nervoso.

Em resumo, a boa saúde depende de pensamento positivo, especialmente em épocas de tensão, e do esforço combinado destes três sistemas fisiológicos.

A cura do corpo e da alma - parte 15 
O Modelo Cabalista

Aqui encontramos um belo exemplo de como um modelo cabalista confere percepção a um complexo mecanismo físico. Segundo nosso mapa sefirótico-fisiológico, as três sefirot que correspondem aos sistemas nervoso, endócrino e imunológico são da'at, netsach e hod, respectivamente. Estes três formam o triângulo mais elevado do "Maguen David" (Estrela de David), construída das seis sefirot: da'at, netsach, hod - o triângulo mais elevado, e chessed, guevurá, yessod - o triângulo inferior (com tiferet no meio).

Como membros do corpo, vimos que da'at, netsach e hod correspondem ao lobo posterior do cérebro, à perna direita, e à perna esquerda, respectivamente. É o cérebro sentindo e dirigindo o corpo a caminhar ao longo de sua trilha de vida com cuidado, agradecendo sinceramente à Divina Providência a cada passo bem sucedido (hod, o sistema imunológico) - pois "todos os caminhos podem ser perigosos" - e confiança (netsach, o sistema endócrino). Nas palavras de Mishlê (Provérbios), "Aquele que caminha sinceramente caminhará confiantemente."

Vimos acima que o processo alostático exige o mais alto grau de equilíbrio e sensibilidade ao estado atual da mente-corpo. Porém, a própria sensibilidade é a propriedade de da'at, o lobo posterior do cérebro, e equilíbrio é o poder de netsach e hod, os dois pés sobre os quais o corpo se apóia.

Moshê (Moisés) e Aharon (Araão)

Na Cabalá, cada uma das sefirot está identificada com uma alma arquetípica. As duas sefirot associadas de netsach e hod estão identificadas com as almas dos santos irmãos Moshê e Aharon, sobre quem é dito: "Veja, como é bom e agradável para irmãos morarem juntos." A origem destas duas almas está na sefirá de da'at (o poder de estar "junto"). Assim, o segredo do triângulo mais elevado do Maguen David é na verdade o "nascimento" das almas de Moshê e Aharon a partir de sua origem comum.

Agindo juntos, os dois irmãos Moshê e Aharon mereceram ser os emissários de D'us para tirar os judeus do Egito. Nos capítulos seguintes, veremos que todas doenças relacionam-se ao estado espiritual de exílio em geral, e do exílio egípcio em particular. A libertação do Egito é a libertação da doença. Após a abertura do Mar Vermelho, o ponto alto do êxodo, e a canção de agradecimento que Moshê e o povo judeu entoaram a D'us, D'us promete:

Toda a doença que coloquei no Egito
Não colocarei sobre vós
Pois Eu sou D'us, aquele que vos cura.


Após o Êxodo, Moshê tornou-se o conduíte Divino por meio do qual D'us deu a Torá a Israel. Aharon tornou-se o Sumo Sacerdote de Israel, representando o epítome de nosso serviço de D'us.

Moshê e Aharon são os dois bálsamos de Israel, Moshê por meio da Torá e Aharon através do poder da bênção sacerdotal. Conectando-nos com a Torá e devotando nossa vida ao serviço de D'us, atraímos o poder curativo Divino para nossas almas.

A cura do corpo e da alma - parte 16
O Poder da Oração


A moderna pesquisa científica tem corroborado aquilo que há muito é conhecido pela humanidade: rezar a D'us é potente; possui o poder de curar, ou, expresso em palavras de fé, a prece sincera atrai o poder curativo do Alto.
Na Cabalá e Chassidut, aprendemos que há cinco níveis de prece para os enfermos, que correspondem às quatro letras do Nome essencial de D'us Havaya, e ao quinto nível transcendente aludido pela ponta do yud. Descreveremos estes níveis em ordem crescente:

Os sábios ensinam que "a prece de uma pessoa doente por si mesma é mais potente que a prece de outros por ela." Quem pode sentir e identificar-se com seu sofrimento e apreensão melhor que a pessoa enferma? Sua própria prece brota das profundezas de seu coração. Com toda sua alma, volta-se para D'us como sua única esperança de recuperação.

Aprendemos na Cabalá que a alma aflita, que sofre - a alma no estado espiritual de exílio existencial - corresponde à sefirá de malchut, que por sua vez corresponde ao hê final do Nome Havaya de D'us. Quando mais a pessoa está identificada com o atributo de malchut - identificando seu sofrimento pessoal com aquele da Divina Presença e da "Congregação de Israel" como um todo (ambas das quais são designações de malchut) - mais potente é a prece por si mesmo.

Em outras obras, nossos sábios ensinam que "se houver uma pessoa doente na casa de alguém, este deve procurar um sábio e pedir-lhe para implorar (a D'us) para que tenha misericórdia dele." Vemos aqui que a prece de um verdadeiro sábio possui o poder de atrair a misericórdia de D'us para o doente, mais que aquela de outra pessoa (incluindo o próprio doente e aqueles mais próximos - sua família direta).

A capacidade de atrair misericórdia depende da conexão com a sefirá de tiferet, cuja experiência interior é de misericórdia e compaixão para com o outro. A sefirá de tiferet corresponde ao vav do nome Havaya de D'us. A alma arquetípica que na Cabalá corresponde à sefirá de tiferet é aquela de nosso patriarca Yaacov. É ela que desperta a misericórdia sobre "a congregação de Israel" (conforme representada por sua esposa Rachel). Yaacov representa também o modelo de um sábio de Torá.

Pela perspectiva de tiferet, o sofrimento de malchut é visto sob uma ótica diferente, mais profunda, e assim a capacidade de tiferet despertar misericórdia para malchut é mais do que este pode despertar misericórdia para si mesmo. Apesar disso, mesmo esta perspectiva mais elevada sobre a realidade e a prece que ela inspira são consideradas parte dos níveis "revelados" de Divindade - as letras vav e o hê final do Nome Havaya de D'us - em contraste com os níveis "ocultos" de Divindade - as letras yud e o primeiro hê de Havaya, do qual falaremos agora.

Ensina-se na Chassidut que um verdadeiro tsadic, somente com o poder de seu pensamento - sem necessidade de expressar verbalmente seus pensamentos e emoções na prece - pode, miraculosamente, pela Divina graça, curar os enfermos e libertar os encarcerados.

Ao concentrar o pensamento em uma alma que sofre, o verdadeiro tsadic conecta sua própria alma à outra, estende-lhe sua mão, e a eleva - redime-a - de sua doença.

Este poder redentor deriva da sefirá de biná, que corresponde ao primeiro hê do nome Havaya de D'us. No Zôhar, refere-se à biná como "o mundo de liberdade," a epítome da redenção espiritual (o segredo do ano jubileu, o qüinquagésimo ano - correspondendo ao qüinquagésimo portal do entendimento - quando escravos são libertados e as terras retornam a seus proprietários originais).

De forma geral, o pensamento, ao contrário da fala, corresponde ao "mundo oculto" de biná, o primeiro hê do Nome Havaya. E assim o poder de pensamento do tsadic está no seu nível oculto.

Como todo judeu tem o potencial interior para tornar-se um tsadic - diz-se sobre o futuro que "Teu povo é todo de justos [tsadikim]" - em um certo sentido este nível diz respeito a todo e cada judeu, em relação ao seu próximo judeu, ou mesmo em relação a si mesmo. Especialmente importante é o ensinamento da Chassidut sobre o poder do pensamento em relação à própria pessoa (ou em relação àqueles por quem está profundamente preocupada): "pense o bem e o bem acontecerá."

Acima deste nível está o poder da bênção sacerdotal. Aqui, a vontade explícita de D'us - a bênção sacerdotal é um mandamento da Torá - juntamente com a intenção e verbalização dos sacerdotes, atraem a energia Divina e poder curativo de um nível ainda mais elevado que aquele inerente ao pensamento do tsadic.

A vontade de D'us, conforme está expressa nos preceitos da Torá, deriva do nível de chochmá, o yud do nome Havaya. No Zôhar, encontramos a declaração "a Torá emana de chochmá." A experiência interior de chochmá é de verdade e absoluto altruísmo. Este estado de abnegação é na verdade a essência embrionária do amor de Israel, a total identificação com o próximo judeu, com as quais o sacerdote abençoa o povo.

A bênção sacerdotal começa com a letra yud. Possui quinze palavras. Cada uma das primeiras treze palavras possui a letra yud. Estes treze yuds da bênção sacerdotal são entendidos na Cabalá como correspondendo aos treze atributos da misericórdia Divina, cuja origem está em keter, mas que são revelados ao mundo pelo poder de chochmá, o yud - a primeira letra - do nome Havaya.

No Templo, os sacerdotes, quando abençoavam o povo, proferiam o Nome Havaya de D'us como está escrito (em qualquer outro lugar e contexto isso é terminantemente proibido). O poder Divino assim evocado deriva do nível de chochmá, o nível do mundo de Atsilut - o "domínio particular" de D'us (o Templo Sagrado acima) - ao qual a Cabalá se refere como "o segredo do Nome."

Acima ainda dos dois níveis ocultos e dos dois níveis revelados acima descritos, existe um quinto nível transcendente. Este é o nível de "infinita, Divina paciência," correspondente à coroa celestial (keter) e à ponta do yud do nome Havaya de D'us.

Aqui, a pessoa simplesmente espera, com o poder da infinita paciência, pela salvação de D'us. A pessoa não reza com palavras audíveis nem tem pensamentos conscientes. A completa fé na Divina providência - todos os caminhos de D'us são bons - transforma o estado geral de consciência da pessoa em um estado de júbilo - "alegre no sofrimento." Em completo silêncio, a pessoa é atraída para cima, para alcançar o nível de "Meu pensamento, que não é teu pensamento." Paradoxalmente, embora neste nível não haja fim para a paciência e perseverança da pessoa, ao atingir este nível de perfeita fé em D'us - sendo um com o Eterno - "a salvação de D'us é como um piscar de olhos."

A cura do corpo e da alma - parte 17
Cinco Níveis de Prece


Em nosso capítulo anterior, referimo-nos aos cinco níveis ascendentes de "prece." Entretanto, apenas os dois primeiros níveis (que correspondem aos dois níveis revelados do Nome Havaya) são de fato prece explícita a D'us no sentido comum. Num sentido mais amplo, porém, qualquer estado espiritual que desperte a Divina misericórdia para curar os doentes (ou preencher qualquer outra carência humana) é considerado como uma forma de prece.

Especificamente, enquanto que os primeiros dois níveis são prece explícita a D'us, o terceiro é pensamento, o quarto é bênção, e o quinto, silêncio. Na Chassidut, aprendemos que a diferença geral entre prece (os primeiros dois níveis) e bênção (o quarto nível) é que a prece é um serviço "ascendente", ao passo que a bênção é uma serviço "descendente".

Ao se colocar em prece perante D'us, a pessoa sente-se situada "abaixo" - esforçando-se para elevar-se ao céu. No primeiro nível - a prece da própria pessoa doente - seus olhos e coração elevam-se a D'us, implorando Sua salvação. No segundo nível - a prece do sábio pela pessoa enferma - a prece ascende a D'us enquanto, simultaneamente, o sábio, situado "acima" da pessoa doente, pretende atrair de cima para baixo o poder curativo. Assim, relativamente ao primeiro nível - somente a subida - o segundo nível é "subida pelo bem da descida." (No primeiro nível, a pessoa reza a D'us para que Ele efetue a descida; o doente, por si só, consegue apenas implorar humildemente, não "puxar os cordões." No segundo nível, o sábio junta-se a D'us e, sua prece sincera a Ele, para atrair o poder curativo.)

O ato espiritual da bênção, em contraste à prece, obedece a uma dinâmica de "descida" do alto. Aqui, fica-se "em pé," por assim dizer, perante a origem espiritual de a partir da qual a bênção Divina deriva. Aquele que dá a bênção "ordena," de certo modo, que a bênção desça do alto para a alma que ele abençoa. Ao abençoar as pessoas, os sacerdotes na verdade colocam-se acima delas, sobre a plataforma.

O poder do pensamento pode agora ser entendido como sendo um estado intermediário entre a prece explícita vinda de baixo e a bênção vinda do alto. É a conexão "telepática" de almas como iguais - "todos de Israel são amigos."

O silêncio é ainda um estado mais elevado de "igualdade." No silêncio, a pessoa não ascende nem desce. A pessoa atingiu o nível de "Eu, D'us, não mudo." Isso, paradoxalmente, é a suprema origem de toda bênção e poder curativo. Por essa razão, refere-se ao nome essencial de D'us, Havaya - sobre o qual se diz: "Eu. D'us [Havaya] não mudo," como "O Nome da Misericórdia."

Observamos ainda, ao contemplar esses cinco níveis ascendentes de prece para os enfermos, uma ordem definida de eu-outro-eu-outro-eu. Conforme vimos acima, o nível de pensamento (do tsadic) diz respeito também a si mesmo (pois, conforme foi dito acima, neste nível, todos são iguais - a pessoa relaciona-se com o outro como consigo mesma, e consigo mesma como com o outro) - "pense o bem e o bem virá." O primeiro e o quinto níveis dizem respeito explicitamente ao próprio serviço espiritual da pessoa para provocar a Divina misericórdia. Os níveis segundo e quarto vêm do poder de uma outra alma simpatizante, "acima" de si próprio (o sábio e o sacerdote).



Resumindo:

O Nome HavayaSefiráNível de PreceDinâmica
ponto do yudketerDivina paciênciaimutável
yudchochmábênção sacerdotaldescida
binápensamento do tsadichorizontal
vavtiferetprece do sábiosubida pelo bem da descida
malchutprece da pessoa doentesubida



Q

   








A cura do corpo e da alma - parte 18
Arrependimento e retorno a D'us


Nossos sábios nos ensinam que "o arrependimento é notável, pois traz cura ao mundo."

No capítulo anterior, vimos que o ápice da prece a D'us é atingir um estado de silêncio interior, olhos voltados a D'us e Sua salvação iminente (que é "como o piscar de um olho"), e o coração repleto de júbilo ("jubiloso no sofrimento"). Aqui, a alma atinge o nível da coroa celestial, keter elyon.

Mais adiante explicaremos que este nível recebe uma alusão na frase "pois Eu sou D'us, que cura você," cujas iniciais escrevem Arich (literalmente, "a face, longa, estendida," simbolizando a infinita paciência), uma apelação para keter elyon, a fonte de cura (aruca, da palavra arich).

O ápice da prece é a origem do arrependimento (teshuvá - "retorno" a D'us). O arrependimento em si é o poder curativo da alma. Todas as doenças derivam de um estado espiritual de "carência" ou "vazio." Na Cabalá, a palavra "doente" (cholê), cujo valor numérico é 49. indica que à pessoa doente falta o 50º portal do entendimento. Assim, "curar" é "preencher" ou "completar" a consciência da pessoa com o 50º portal do entendimento.

O poder da alma de preencher todos os estados de vazio espiritual e físico deve derivar de um local de "saciedade" consumada, um lugar na alma onde todas (as necessidades da pessoa) estão presentes, nada falta. Este é o nível de keter elyon, o qual, ao penetrar na consciência, é conhecido como o 50º portal do entendimento. A aspiração consciente da alma de atingir este nível é o serviço espiritual de teshuvá.

O coração realmente compreensivo é o coração que sabe e deseja voltar a D'us, e portanto, ser curado. Nas palavras de Yeshayáhu (Isaías):

E seu coração entenderá,
e ele retornará e será curado.

Na Cabalá e Chassidut, aprendemos que existem quatro níveis de carência espiritual. Cada carência é o resultado da alma ter manchado uma das quatro letras do nome Havaya. Por meio de sincera teshuvá, a pessoa atrai luz curativa e energia de keter elyon para preencher todas as lacunas, para retificar todas as falhas.

A carência mais forte da alma é a falta da consciência de alguém estando repleta da luz dos mistérios da Torá, aquela luz que resolve todos os conflitos da vida, que respondem todas as perguntas existenciais da vida: por que estamos aqui, aonde estamos indo, por que Mashiach ainda não chegou.

Paradoxalmente, aqui, a própria "preocupação" a respeito das questões existenciais da vida é a própria teshuvá ("retorno" a D'us) e torna a pessoa um recipiente para receber a luz dos mistérios da Torá. (Aqui, muito mais que a respeito dos seguintes níveis de carência espiritual, "[o próprio] conhecimento da doença é [por si mesmo] metade da cura" - "metade" no sentido de servir como um recipiente para receber a cura.) Nas palavras de nossos sábios:

Os mistérios da Torá são concedidos somente àquele cujo coração se preocupa dentro dele.

Este nível de carência corresponde ao yud do Nome Havaya, o nível da sabedoria Divina e discernimento aos mistérios da Torá. Aqui, a pessoa não está realmente "enferma" mas apenas "preocupada" ou "ansiosa." (O yud de Havaya corresponde ao mundo de Atsilut, jamais "doente," mas continuamente preocupado e desejando manifestar todo seu Divino potencial de revelar a infinita luz de D'us e os mistérios da Torá a toda a realidade). A verdadeira moléstia começa no segundo nível de carência.

O mais elevado estado espiritual ao qual se refere na Torá como sendo "doente" é o "mal de amor." Este é o estado descrito no Cântico dos Cânticos:

Sustenta-me com taças de vinho;
Revive-me com maçãs,
Porque desfaleço de amor.

Estar doente de amor é a ânsia de retornar e tornar-se um com o ser amado, de quem a pessoa se afastou. Esta é a experiência de exílio espiritual, a fonte da doença, como será explicado.

Aqui, é o "Eu" afastado - o "Eu" que anseia por estar junto do "Tu" - que está doente. Este estado de doença reflete a falha espiritual da biná, correspondendo ao primeiro hê do Nome Havaya. É aqui em particular que o doente é aquele a quem falta o 50º portal do entendimento (biná), associado na Cabalá com a experiência consumada de amor descrita no Cântico dos Cânticos:

Como és bela e agradável, ó amor das delícias!

Os primeiros dois níveis de carência correspondem às duas primeiras letras do Nome Havaya de D'us (o yud e o primeiro hê), aos quais se refere na Cabalá como "as coisas ocultas [que] pertencem a D'us, nosso D'us." Aqui, sempre consciente da Divindade, a pessoa carece da Divina Revelação. Em contraste, os dois próximos níveis de carência, que correspondem às duas letras finais do nome Havaya de D'us (o vav e o hê final) - são mencionados na Cabalá como "as coisas reveladas [que] pertencem a nós e nossos filhos" - são estados de carência da própria consciência Divina. Como será explicado agora, até o ponto em que a pessoa anseia por prazeres mundanos, assim alguém perde a consciência Divina.

No plano físico (as duas letras finais do Nome Havaya de D'us são relativamente físicas, em contraste com as duas primeiras letras, que são relativamente espirituais), há dois estados de moléstia ou doença; nas palavras de nossos sábios (termos pertinentes a várias leis práticas da Torá): "uma pessoa doente que não está em perigo mortal" e "uma pessoa doente que está em perigo mortal." Estes dois estados no plano físico aludem aos seus opostos espirituais ou morais:

"Uma pessoa doente que não está em perigo mortal" é aquela que anseia por prazeres mundanos que, em princípio, são permissíveis segundo a Torá. Embora a Torá não proíba a pessoa de tomar parte nestes prazeres, o elemento de luxúria imposto em sua busca consciente afasta a mente e o coração da pessoa de D'us. D'us deseja que nós, Seus filhos, participemos de todos os prazeres. Ele os criou para nós em Seu mundo (dentro dos parâmetros definidos pela Sua Torá), mas deseja que nós sempre tenhamos total consciência de Sua presença em tudo, e que vivenciemos (e expressemos) sincera gratidão para com Ele, por Sua benevolência. A luxúria física rebaixa a alma da pessoa e a distancia de D'us. Em especial, a pessoa danifica o nível das emoções de seu coração (as seis midot, de chessed a yessod) que corresponde ao vav do Nome Havaya.

"Uma pessoa doente que está em perigo mortal" é aquela que anseia por prazeres mundanos proibidos pela Torá. Os mandamentos da Torá são como as prescrições de um médico. Aquilo que a Torá proíbe é mortalmente perigoso para a alma e para o corpo. O perigo mortal está ao nível de malchut ("reino"; diz-se dos reis: "e ele reinou e ele morreu"), que corresponde ao hê final do Nome Havaya, sobre o qual se diz: "seus pés desceram até a morte."

Por meio de teshuvá, a pessoa preenche todas as carências e retifica todas as falhas das quatro letras do Nome Havaya. A pessoa atrai luz e poder curativo de Arich, a coroa celestial. Conforme retornamos a D'us (para "curarmos," por assim dizer, as falhas que causamos em Seu santo Nome), assim também Ele retorna a nós (para curar todas nossas doenças espirituais e físicas).

Resumindo:

O Nome HavayaSefiráCategoriaExperiência
ponta superior do yudketer elyon"pois Eu sou D'us que te cura"paciência infinita
yudchochmácarência de discernimento Divinoansiedade existencial
bináamor ardentesentimento de afastamento de D'us
vavas seis midot"uma pessoa doente que não está em perigo mortal"desejos permissíveis
malchut"uma pessoa doente que está em perigo mortal"desejos proibidos
   


Quatro Sistemas de Prática Médica
A cura do Corpo e da Alma - Parte 19
Segue-se um breve esboço dos quatro sistemas básicos de prática médica contemporânea, vistos aqui como as quatro letras do Nome de D'us.

1 - Yud: Homeopatia. O princípio subjacente deste sistema é conhecido como a "lei de similares," onde a pessoa paradoxalmente usa ou a própria doença ou algo similar à doença como cura. Este princípio, há muito conhecido da humanidade, encontra sua expressão explícita no idioma dos sábios como curar por meio de "igual por igual." Além disso, nossos Sábios ensinam que este é o método empregado pelo próprio D'us, que cura ("suaviza") "amargura com amargura." "Igual por igual" implica que a cura está dentro da própria doença; a doença é meramente uma "casca" estranha de mal, ocultando dentro de si uma partícula do bem.

Este discernimento Divinamente inspirado na natureza da realidade em geral e particularmente na relação com a condição humana corresponde à sabedoria incorporada no ponto do yud do Nome de D'us.

2 - Hê: Alopatia (Medicina Convencional). Este sistema baseia-se na lógica e razão que dita que a maneira de lutar contra a doença é usando uma força oposta que confronta a moléstia cara a cara. A inteligência humana então age empregando métodos científicos para extrair da natureza produtos químicos cujas propriedades deverão agir contra os sintomas de uma determinada moléstia. O estado doentio inicial do paciente é considerado como "dado," que deve ser oposto com produtos feitos pelo homem que possuem uma natureza oposta àquela da doença. A hipótese de que um determinado estado inicial é "incorreto" (i.e., "doente") e que deve ser corrigido por uma linha de raciocínio oposta conforme expresso pela frase talmúdica: "o próprio oposto faz mais sentido!" A prática médica convencional está baseada no padrão geral de lógica e raciocínio inato à mente humana (em contraste com o discernimento Divinamente inspirado) que na Cabalá corresponde ao primeiro hê do Nome de D'us.

3 - Vav: Osteopatia (quiroprática). Segundo este sistema, o corpo é retificado sem qualquer intervenção médica, mas somente pelas mãos do médico realinhando o corpo a seu estado adequado. Incluindo tratamentos como acupuntura e acupressão, a osteopatia trata os músculos (o sistema fisiológico que corresponde a tiferet) e ainda mais profundo, penetra no sistema nervoso (o sistema que corresponde a da'at), tratando a medula espinhal. Tiferet - o torso, que corresponde ao vav do Nome de D'us - significa "beleza," nas palavras do Zôhar a "beleza [tiferet] é o corpo." Um corpo "a prumo" ou "ereto" (o trabalho do quiroprático) é belo. Refere-se a da'at na Cabalá como a alma de tiferet, indicando que o sistema nervoso (da'at) está no âmago do sistema muscular (tiferet). No formato da letra vav, o yud em cima do vav alude a da'at (o sistema nervoso) ao passo que a extensão direta e ereta do próprio vav representa tiferet (o torso e o sistema muscular).

4 - Hê: Naturopatia. Este sistema de cura por meio de ervas e outras fontes extraídas diretamente da natureza reflete a crença de que D'us, o Criador, com toda a certeza forneceu uma cura, em Sua criação da própria natureza, antes que fizesse a doença possível. Assim, deve haver algo em nosso mundo que possa servir como uma cura natural, algo que não requer manipulação humana para alterar seu estado. Este sentido, que reflete uma profunda apreciação do grande potencial latente na terra, recebe uma alusão no versículo em Tehilim que declara: "A verdade brotará da terra." "Verdade," na Cabalá, é o supremo poder de cura, implicando até mesmo a ressurreição dos mortos. Além disso, a eficácia do método de cura natural em um ser humano é sugerido por um outro versículo encontrado em Devarim que: "o ser humano é uma árvore do campo," implicando nossa conexão essencial com a natureza e o poder da natureza de curar nossas enfermidades.

Além dos remédios à base de ervas, a naturopatia reconhece e enfatiza a importância da dieta e nutrição adequadas, exercícios físicos e estilos de vida saudáveis em geral. O hê final do Nome de D'us refere-se ao nível de Divindade inerente à própria natureza, o poder curativo contido em cada ser criado (tanto para curar a si próprio quanto aos outros também).




Homeopatia
a lei dos similares
chochmá - sabedoria
yud


Alopatia
combater a doença "cara a cara" 
biná - entendimento

Osteopatia
endireitando o corpo
midot - atributos de caráter
vav


Naturopatia
extraindo os recursos da natureza
malchut - reino

A cura do corpo e da alma - parte 20
Seis níveis de cura

Num discurso chassídico, Rabi Yitschac Isaac de Homil (um dos mais notáveis chassidim de Chabad) delineia seis níveis de cura. 


Estes podem ser entendidos como correspondendo às cinco manifestações da alma e da própria essência da alma, como elucidaremos em seguida. 

A correspondência de cima abaixo é a seguinte:


Nível da alma
Nível de cura


6
etsem haneshamá
a essência da alma
poder Divino miraculoso


5
yechidá
"o único"
"como se o Eterno morasse dentro dele"

4
chaya
"o vivo"
"a luz da Torá dá vida a ele"

3
neshamá
"sopro [de vida]"
Nomes Sagrados


2
ruach
"espírito"
amuletos


1
nefesh
"força de vida inata"
medicamentos


Descreveremos brevemente esses seis níveis, começando com o nível 1:

1- Curando ao nível de Nefesh ("força de vida inata")

O primeiro nível de cura, inferior porém o mais fundamental na escada de seis degraus da cura, é aquele empregado por um médico especialista. O doutor, treinado e perito, conhece o medicamento adequado a prescrever para tratar qualquer doença específica do corpo.

A perícia e a prescrição do médico relacionam-se com o nível natural do corpo, o nível no qual o corpo "vive" - a força de vida da alma conforme ela se encerra dentro do corpo.

O medicamento correto para uma determinada doença tem o poder de contactar este nível inferior da alma - a nefesh - e atraí-la dentro do corpo. Neste nível, entretanto, a conscientização do médico é basicamente, se não unicamente, dirigida ao corpo e suas moléstias (não conscientemente ciente da conexão entre o corpo e a alma).

O "intermediário conectado," pelo qual a alma - a nefesh - está ligada ao corpo, é o sangue. Encontramos explicitamente na Torá que "o sangue é a alma [nefesh]." A palavra hebraica para "sangue" (dam) é cognata à palavra para "semelhança" (demut). Este nível de cura relaciona-se à semelhança Divina na qual o homem foi criado.

O próprio nome do primeiro homem, Adam (Adão), é cognato à palavra para "sangue" (dam). O nome Adam pode ser lido "Eu me tornarei sangue," aludindo ao poder de atrair a nefesh ao corpo por meio do sangue, a função realizada pelo médico especialista.

2- Curando ao nível de Ruach ("espírito")

O segundo nível de cura é através do poder de amuletos (em hebraico, segulot). Embora originariamente esta seja a mais autêntica ciência, no decorrer das gerações degenerou muito e tornou-se identificada com diversas práticas supersticiosas.

Um exemplo de como é aplicado o poder dos amuletos, descrito por Rabi Yitschac Isaac de Homil em seu discurso, é que, desenhando-se a forma de um homem numa parede, o mestre dos amuletos pode influenciar espiritualmente e afetar fisicamente o homem desenhado, manipulando ou alterando o desenho. Dessa maneira, um bom mestre pode curar um paciente enfermo.

O conhecimento empregado neste nível é "sugestivo" por natureza. Um ato realizado aqui "sugere" que um ato similar acontece ali. O poder da sugestão relaciona-se na Cabalá e na Chassidut aos poderes emotivos da alma, o nível geral de ruach ("espírito").

Enquanto que no primeiro nível, o corpo foi afetado diretamente pela alma - o nível de nefesh - através do sangue, aqui, o amuleto afeta o nível de ruach (por sugestão), que em seguida afeta indiretamente o corpo.

O mestre dos amuletos é um verdadeiro "espiritualista" (dirigindo-se ao espírito do homem, o ruach). O processo de cura aqui envolvido é de fato um acontecimento espiritual; trabalha sobre as emoções auto-conscientes da alma. Na Cabalá, este nível de consciência está identificado com a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Aqui, o bem e o mal são mesclados juntos, razão pela qual este nível de cura é mais susceptível a ser mal utilizado (muitas vezes inadvertidamente).

Aqui, os poderes emotivos do homem são afetados e despertados - suas paixões, ira, etc. Quando se age construtivamente sobre eles, o ruach torna-se suficientemente energizado para afetar e curar a partir de cima o corpo ao qual ele se relaciona.

Todos os métodos de cura que professam o emprego de energias vitais projetadas da pessoa que cura para o paciente pertencem a este nível de cura. A base cognitiva para tal metodologia e técnicas é mencionada na Cabalá como "o poder [intelectual] da associação," mais literalmente, "o poder da imaginação." A partir daí fica claro por que tantos assim chamados "curandeiros" hoje em dia brincam somente com a imaginação, tanto do curandeiro quanto do paciente.

Além disso, na Cabalá e na Chassidut aprendemos que o "poder da imaginação" consumadamente retificado chega às raias da profecia. Na época do exílio do povo judeu, o fenômeno profético desaparece (substituído pela imaginação falsa, ilusória). Muito em breve, com a Redenção do povo judeu e do mundo inteiro, a verdadeira profecia retornará e D'us "derramará Seu espírito sobre toda a carne."
A cura do corpo e da alma - parte 21

3- Curando ao nível da neshamá


O terceiro nível de cura é através do poder dos Nomes sagrados, como aqueles inscritos dentro de um amuleto carregado junto ao corpo ou guardado em um outro lugar de destaque.

Um Nome sagrado tem o poder de atrair o influxo Divino aos aspectos supra-racionais da alma, produzindo uma experiência celestial, Divina, que fortalece a alma e a abastece com poder suficiente para curar o corpo.

Especificamente, este método de cura está relacionado ao terceiro nível da alma - a neshamá - a capacidade da alma de perceber diretamente a presença de D'us no mundo e de sentir o Divino sopro de vida entrando em seu ser.

O nível da neshamá é inicialmente supra-consciente na psique do homem, pois seu estado inicial, inato, de consciência, é somente aquele de nefesh (físico, conscientização material) e ruach (conscientização espiritual).

O Nome sagrado contacta a neshamá e a leva a um estado de conscientização e experiência. A pessoa sente que D'us está sempre consigo - "D'us é tua sombra, a seu lado direito." D'us está sempre lá para te proteger e curar todas tuas moléstias físicas e espirituais.

O curandeiro que faz uso dos Nomes sagrados deve ser um "especialista" em Cabalá. Deve conhecer a nuança exata e o poder de cada um dos Nomes sagrados, e quando escrever um amuleto, deve - em um estado de sincera humildade e abnegação, rezar a D'us para que este remédio seja eficaz e meditar sobre todas as intenções Divinas prescritas pela Cabalá a respeito do Nome específico (juntamente com o nome do paciente).

Aprendemos que Rabi Yisrael Báal Shem Tov inscrevia num amuleto escrito para curar um paciente somente seu próprio nome. Com isso ele afetava, ao nível da neshamá do paciente, a conscientização da presença da alma do verdadeiro tsadic com ele o tempo todo. O verdadeiro tsadic atrai à conscientização de todas as almas conectadas a ele a verdadeira percepção da absoluta unidade e bondade de D'us (para curar toda a carne).

4- Cura ao nível de Chaya ("ser vivo")

O quarto nível de cura é aquele referido por nossos sábios: "Se a cabeça de alguém dói, ele deve mergulhar no estudo de Torá... se seu corpo inteiro dói, deve mergulhar no estudo de Torá."

Similarmente, nossos sábios ensinam: "Aquele que mergulha na luz da Torá, a luz da Torá o anima."

Para atrair vitalidade física da luz da Torá, a alma deve estar ligada à Torá, a palavra de D'us, na verdade. A luz da Torá é a luz transcendente de D'us, a luz infinita que "envolve todos os mundos." A experiência da alma neste nível não é aquela da presença de D'us sendo algo a parte que a experiência da alma (irradiando Sua Divina luz à alma e ao corpo), mas sim aquela da alma vivenciando a si mesma como unificada dentro da presença de D'us. Isso ocorre porque "A Torá e D'us são um."

Esta conscientização está ao nível de chaya, "o ser vivo," a percepção da luz da Torá como "nossa vida e a duração de nossos dias." O poder do vínculo reforçado da alma com a Torá é suficiente para atrair a força curativa ao corpo.

Este nível de cura é análogo à lei de que um corpo de água impuro (doente) instantaneamente torna-se purificado quando levado a "beijar" as águas de um micvê puro. Da mesma forma, quando a alma toca - "beija" - as puras águas da Torá, "mistura-se" com as águas vivas, recebendo assim força de vida suficiente para curar o corpo.

Apesar disso, na frase dos sábios acima - "se a cabeça de alguém dói..." o termo "dói" (em hebraico, chash) é usado (em vez de uma palavra mais forte para a doença física), sugerindo que a doença a que se refere aqui não é uma que afetou mortalmente um dos órgãos vitais internos, mas sim uma "dor" sozinha de um dos membros do corpo (ou todos eles - "se todo o corpo de alguém dói...").

Aqui, dando prosseguimento à analogia das águas puras do micvê, a luz da Torá cega os olhos das "cascas" (kelipot) impuras responsáveis pela doença. A influência negativa das " cascas" desaparece e o corpo se recupera. Entretanto, quando os membros vitais, internos, do corpo foram mortalmente afetados, o "beijo" da luz da Torá não é suficiente para curá-los miraculosamente (i.e., retorná-los a seu previamente completo estado de ser).

O quarto nível da alma, chaya, está identificado na Cabalá com a origem da Divina sabedoria da Torá. Isso é mais elevado que a capacidade da alma de perceber a presença de D'us no mundo e sentir Seu sopro de vida entrando em seu ser, o nível da neshamá, energizado pelos Nomes sagrados, conforme descrito acima. Sobre este nível diz-se que: "a sabedoria [da Torá] dá vida a quem a possui."

Na Cabalá, aprendemos que a chaya da alma reside no "ar fluido" acima do cérebro, sob o crânio. Em nosso serviço Divino, isso corresponde a um verdadeiro estado de abnegação - como aquele que se sente ao imergir nas águas puras do micvê - imbuído com um senso de infinita serenidade.

Notaremos que a partir deste nível, o curandeiro e o paciente tornam-se um; neste caso, pelo serviço espiritual da alma indisposta, a pessoa consegue curar a si própria.

A cura do corpo e da alma - parte 22

5- A cura no nível de Yechidá

Embora possa ser fisicamente impossível curar um corpo mortalmente enfermo, mesmo pela luz Divina da Torá, mesmo assim, é possível para a própria alma de alguém "assumir o controle" e "substituir" o corpo desempenhando todas suas funções físicas em seu lugar. O corpo permanece mortalmente enfermo, como antes (a tal ponto que pela lei da Torá a pessoa é definida como taref- a ponto de morrer), mas de alguma forma continua a viver.

Esta é a cura a partir do quinto nível da alma, a yechidá, "o único." Diz-se sobre este nível: "como se o Santíssimo habitasse em suas entranhas." "O Santíssimo nas entranhas de alguém" faz com que o corpo pareça estar funcionando normalmente, embora esteja praticamente morto. A santidade realmente transcendente do Ser Supremo é existencialmente separada e removida do corpo físico; assim, o corpo de maneira alguma é afetado ou alterado pela presença do Ser Supremo habitando nele e "vivendo" por ele.

A yechidá - "o único" - sugere "singularidade" essencial, como refletido por sua habilidade de funcionar independentemente (sozinho) em um outro (o corpo).

Diz-se sobre este nível: "o tsadic vive em sua fé." Na Chassidut, este é o nível ao qual se refere como "vida essencial" (chai be'etsem), em contraste a "conceder vida" (chaim lehachayot), a força de vida da chaya. Ao invés de conceder vida ao corpo (quando isto é fisicamente possível), a yechidá "vive," em seu estado de vida essencial, para o corpo. Isso ocorre pelo poder da fé simples do tsadic.

6- Etsem Haneshamá ("a essência da alma")

O sexto nível de cura é aquele para o qual reservamos a palavra "milagre" em seu sentido mais verdadeiro. Embora todos os níveis de cura acima (a partir do segundo) pareçam ser sobrenaturais, é neste nível que o próprio corpo mortalmente enfermo passa por uma metamorfose miraculosa, existencial; o corpo físico torna-se renascido.

Nossos sábios nos ensinam que por ocasião da ressurreição dos mortos, os corpos voltarão à vida saindo do túmulo exatamente no mesmo estado de ser e condição física em que estavam no momento da morte. Então, instantaneamente, serão curados.

O estado do primeiro momento da ressurreição - vivo, embora doente como estava no momento da morte - corresponde ao quinto nível da yechidá acima descrita. O estado do segundo momento da ressurreição - o renascimento do próprio corpo - corresponde ao sexto nível, a revelação da essência da alma (a "centelha de D'us" encerrada na yechidá, como será explicado).

Neste nível, todas as manifestações da alma (i.e., os cinco níveis prévios de nefesh a yechidá) e do corpo são somente uma. A vida essencial da alma e a vida eterna do corpo são a mesma.

Um exemplo deste sexto nível de cura é o milagre de Chanania, Mishael e Azaria, como está relatado no Livro de Daniel. Quando jogados na fornalha por ordem do rei da Babilônia, o fogo não queimou seus corpos (embora queimasse aqueles ao redor). O estado do corpo em fogo é uma analogia física àquela da doença mortal, terminal. Para o corpo sobreviver e emergir incólume exemplifica o poder existencial do renascimento espontâneo.

Esta é a revelação do Divino "santo dos santos" da alma, acima do nível de "como se o Santíssimo habitasse em suas entranhas," descrita acima a respeito da yechidá. O Divino "santo dos santos" imbui a alma daquele a ponto de ser mártir (a consciência de Chanania, Mishael e Azaria) com o poder de metamorfosear seu corpo físico.

Este nível corresponde à verdadeira "centelha Divina" na yechidá da alma judaica. Esta centelha deriva da essência da infinita luz acima, precedendo a contração primordial (tsimtsum). Subseqüente ao tsimtsum, a possibilidade de um milagre absoluto como aquele descrito acima é excluído da perspectiva de criação. Mesmo assim, a "centelha Divina" encerrada na alma de cada judeu permite a manifestação de um milagre assim. Esta manifestação é o supremo segredo e objetivo da presença da alma judaica na criação.


Nota: Aqui termina a parte relativa a cura e inicia a parte de preparo do curador.

A cura do corpo e da alma - parte 23
Mãos, olhos e boca do médico


Há catorze aparições da raiz hebraica para cura (refuá) nos Cinco Livros de Moshê. Catorze é o valor numérico da palavra para "mão" em hebraico (yad). Isso alude à conexão temática entre cura e mão, sugerindo que há poder curativo na mão do médico. A palavra "mão" em hebraico também pode significar "poder" e "capacidade."

Além disso, o processo total de cura, segundo a Torá, é realizado por meio do inter-envolvimento das mãos, olhos e boca do médico.

Como foi declarado acima, as catorze aparições da palavra para cura representam a mão do médico.

O médico modelo na Torá é o sacerdote (cohen). Na Cabalá, o poder inato da alma do sacerdote deriva da sefirá de chochmá, que está associada ao sentido da visão. O sacerdote diagnostica a doença através do olhar, e então a cura com o olhar.

O correlato emotivo de chochmá é chessed, o poder de curar por meio do amor (que é despertado pela observação e reflexão do médico sobre a doença do paciente).

A palavra para "cura" (refuá) é composta das mesmas letras que aquelas da frase "a luz da boca" (orpe). O amável conselho e reafirmação do médico a seu paciente irradia luz e energia de cura.

Como foi dito acima, o Báal Shem Tov ensina que qualquer processo de crescimento espiritual ou, de fato, qualquer ato completo de retificação (i.e., o cumprimento de uma mitsvá em pensamento, palavra ou ação) deve passar por três estágios: submissão, separação ou suavizamento. Como a verdadeira cura é um processo tanto espiritual como físico, a conscientização de um verdadeiro doutor deve também passar por estes três estágios.

Relativo um ao outro, o sentido do tato (na mão do médico) está inicialmente "no escuro," e procura localizar, contactar e sentir a doença e identificar sua origem. Na alma, isso exige um estado de submissão. A visão (o sentido da visão do médico) lança luz sobre a moléstia, distinguindo as áreas afetadas daquelas não afetadas. Isso corresponde ao estágio da separação. Finalmente, as palavras boas e calmantes do médico (a luz de sua boca) "suavizam" a consciência do paciente preocupado, enchendo-o de esperança e confiança, o estado psicológico que conduz à cura.

De fato, todos os três sentidos podem manifestar os três estágios de submissão, separação e suavização, conforme estão contidos (na terminologia da Cabalá e Chassidut, "inter-incluídos") dentro do nível geral de suavização. O toque do médico acalma o ferimento. A luz de seus olhos traz energia curativa à área afetada. Suas palavras não somente acalmam como também, na verdade, completam o processo curativo em si, como quando anuncia ao paciente "você está bem" (e assim, de fato, ele fica bem).

1. submissão
mãos - tato

2. separação
olhos - visão

3. suavização
boca - fala

A cura do corpo e da alma - parte 24
O Sistema Imunológico

O senso inato do eu e do não-eu

De todos os sistemas do corpo, é o sistema imunológico que age como o mecanismo natural de defesa contra as doenças. Monitorando o status interno do corpo para determinar o que pertence adequadamente e é saudável, o sistema imunológico dá o alarme ao detectar a presença de substâncias estranhas, incompatíveis ou mesmo ameaçadoras. Quando percebe a invasão de alguma substância estranha, o sistema imunológico então determina se sua presença é uma ameaça - se é prejudicial para as células saudáveis. A presença de substâncias tal como um vírus, daria sinal de alerta e exigiria uma reação. Nesta altura o sistema imunológico cria anticorpos - células especiais projetadas para neutralizar ou destruir a substância estranha dentro do corpo.

O sistema imunológico é a sensibilidade da pessoa à matéria estranha, e pode ser entendido num plano espiritual mais amplo como referindo-se a um senso inato da pessoa de eu e não-eu. Uma pessoa está à vontade consigo mesma - com aquilo que percebe ser parte de si própria. Uma pessoa naturalmente se retrai daquilo que sente ser-lhe estranho, algum tipo de invasão alienígena, seja num nível biológico na forma de doença ou psicológico, no sentido de influências indesejadas e estranhas.

Um problema do sistema imunológico é portanto um problema relacionado ao mecanismo de defesa do corpo. Um exemplo extremo de um problema desse tipo é o caso de doença auto-imune, uma moléstia que ataca a raiz do mecanismo de defesa do corpo, tornando-o incapaz de distinguir entre elementos saudáveis e prejudiciais; os elementos prejudiciais parecem ao corpo como sendo saudáveis. Além disso, o sistema imunológico pode então passar por tal confusão interna que erradamente percebe o próprio corpo saudável da pessoa como uma ameaça - o aliado, ou sua própria gente, parece ser o inimigo. Em casos assim, o sistema imunológico na verdade cria anticorpos para lutar contra as células saudáveis e os próprios órgãos do corpo.

Nas palavras do Profeta Yeshayáhu (5:20):

Ai daqueles que chamam o mal de bem, e o bem de mal

que assumem as trevas como luz e a luz pelas trevas;

que proclamam o amargo como doce e o doce como amargo!


Em todas as três interpretações psicológicas equivocadas que caracterizam a natureza da doença, conforme descrito aqui pelo Profeta - mal versus bem, trevas versus luz, amargo versus doce - aquele que sofre da doença primeiro vê o negativo como sendo positivo (o mal como sendo bom, etc.), e somente depois, em conseqüência, vê o positivo como negativo. E assim é no que tange ao corpo: numa doença auto-imune, o corpo primeiro interpreta erradamente a matéria invasora, doentia, como sendo saudável, e então continua a lutar contra suas próprias células saudáveis, como se fossem invasores estranhos.

Aprendemos na Cabalá que a palavra "ai" (hoi) que dá início às palavras do Profeta acima, refere-se a um estado existencial de "desaparecimento" da luz espiritual e da força de vida do corpo. Especificamente, aquela força de vida que se espalhava, por meio do sangue - o sistema fisiológico que corresponde à sefirá da biná - a todos os membros do corpo (na Cabalá, de chessed até hod) retorna e desaparece do corpo a sua fonte no reino inconsciente da mente. A mente não consegue mais afetar os membros, permear o corpo com a habilidade inata de entender o que é bom (para mim) e o que é mau (para mim). Como veremos mais adiante, toda doença relaciona-se com o bem-estar do sangue e do sistema circulatório. É função do sangue levar "entendimento" - biná - a todas as células do corpo. "Ai" ao mau funcionamento do sangue, como refletido no mal-entendido do sistema imunológico.

A cura do corpo e da alma - parte 25
A raiz etimológica de "Doença"


Como acontece com muitas raízes etimológicas em hebraico (e seu idioma irmão, o aramaico), o radical de duas letras para "doença" (chal) possui significados variáveis, dentre aqueles que são opostos aparentes.

Primeiramente, a raiz para "doente" tanto pode significar "fraco" quanto "forte." Na história de Sansão e Dalila - quando Sansão revelou a Dalila o segredo de sua força - "ficar doente" significa "tornar-se fraco".


Ele abriu todo seu coração a ela, e lhe disse:
"Uma lâmina jamais passou sobre minha cabeça,
Pois tenho sido um nazarita para D'us desde o útero de minha mãe
Se eu for raspado, então minha força me deixará,
E me tornarei fraco [vechaliti],
E serei como qualquer outro homem."


Na Chassidut, aprendemos com este versículo - "e me tornarei fraco e serei como qualquer outro homem" - que o próprio conceito de "doença" é relativo na natureza. O que para qualquer outro homem poderia ser um estado de boa saúde e bem-estar, para Sansão é um estado de doença. Para Sansão, perder sua força era perder seu próprio "sexo" ou estado de masculinidade; tornar-se como uma mulher, um membro do sexo fraco (aquilo que consideramos como sendo o natural e saudável ciclo menstrual da mulher é considerado pela Torá como um estado inato de "doença," uma das maldições a Eva resultantes de seu pecado de comer o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal).

Em contraste, a palavra chayil, cognata de "doente," significa "força," conforme declarado a respeito dos justos neste mundo e no Mundo Vindouro:


Eles vão de força em força (michayil el chayil),
Cada um deles aparecerá perante D'us em Tsyion.

Um soldado é uma chayal. Uma "mulher de valor" é uma eshet chayil.

Outro par de opostos, da raiz chal (primeiramente em seu uso aramaico), é chal no sentido de "amargo" ou "azedo" e chal no sentido de "doce."

A relação entre amargor e doença é aparente pelo fato de que o nome do órgão físico, que segundo os sábios é o assento de toda doença, significa "amargo." É a vesícula biliar - em hebraico, mará, de mar, "amargo" - sobre a qual se diz que todas as oitenta e três doenças (o valor numérico da palavra para "doença" em hebraico [machalá], como será explicado) que afligem a humanidade dependem da vesícula biliar.

A bile da vesícula era chamada pelos antigos como o humor "amarelo" ou "verde" no corpo. Na Cabalá e Chassidut, está particularmente associado com o desejo natural do corpo de buscar o prazer físico. É chamado ainda como "as águas inferiores" da criação, em contraste com as "águas superiores," prazer espiritual e Divino. Quando as duas águas são separadas e distanciadas uma da outra, aparece a doença.

Mesmo quando aprisionado, apanhado pelas garras do prazer físico, separado de sua fonte espiritual, a consciência interior das águas inferiores ainda clamam a D'us na amargura existencial: "também desejamos estar na presença de D'us, vivenciar o prazer Divino como o das águas superiores." Assim, aprendemos na Chassidut que a doença e seu remédio dependem da retificação ou redirecionamento do "princípio do prazer" da alma, a transformação do amargo (a doçura aparente dos prazeres físicos profanos) ao (realmente) doce (prazer no Divino, a experiência da suprema Divina unidade subjacente a toda realidade, tanto física como espiritual).

Baseados nestes dois fenômenos - a relação etimológica de "fraqueza" à "força" e "amargor" à "doçura," tudo em conjunção com a palavra para "doença" - aprendemos na Chassidut que "doença" é na verdade um estado existencial intermediário de ser - o intermediário entre vida e morte. "Vida" é um estado de santidade (aquele que é realmente santo vive para sempre), ao passo que "morte" é um estado de profanidade (a origem de toda impureza). O estado intermediário é o reino do "mundano" (chulin, do radical chal, doença). Na Cabalá, é chamado de kelipat noga, "a casca translúcida," o intermediário entre transparência (revelação clara da natureza Divina da realidade) e opacidade (ocultação - não reconhecimento - do Divino).

Assim, a doença pode servir como uma ponte em duas direções: da vida para a morte ou da morte para a vida. Recuperar-se da doença é renascer, estar vivo novamente. A pessoa na verdade fica doente para retornar mais forte e mais saudável que antes. Às vezes, como no caso de Mashiach, a pessoa torna-se doente a fim de conectar-se e assim elevar almas caídas. Mashiach sofre, em verdadeira doença física, a fim de redimir - erguer-se do reino dos mortos - o povo de Israel e toda a humanidade. Nas palavras para sempre ressonantes de Yeshayáhu:


...ele [Mashiach] é um homem de dor,
familiarizado com a doença [choli]...
Certamente, ele tolerou nossa doença [choloyenu],
E ele sofreu nossa dor.

Como é ensinado na Chassidut, cada um de nós possui uma centelha de Mashiach. Uma parte essencial da providência Divina responsável por alguém ficar doente é que ele chega a identificar-se com todas as almas sofredoras, e, em súplica a D'us, pretende se recuperar e ser redimido juntamente com todas elas.


A cura do corpo e da alma - parte 25
Doença: O Portal para a melhoria da saúde

Nossos Sábios ensinam que antes da época do Profeta Elisha, ninguém se recuperava de uma doença mortal. Através do poder da prece, Elisha foi o primeiro homem a se recobrar de uma moléstia grave, e assim ele abriu o caminho para que todos se recuperassem. Mais tarde, o Rei Chezekiyá - cujo nome significa "força Divina" - estava à morte (pela palavra do Profeta Yeshayáhu), rezou a D'us das profundezas de seu coração, e conseguiu anular o decreto profético. Ele recebeu o mérito de ter mais quinze anos acrescentados a sua vida.

Depois do pecado do bezerro de ouro - o pecado protótipo do povo judeu, equivalente ao pecado primordial de Adão e Eva - Moshê implorou a D'us para que Ele perdoasse o pecado (a palavra em hebraico para "perdão", mechal, é cognata de "doença", chal), que Ele curasse o espírito enfermo do povo.

E Moshê suplicou [vayechal] a D'us, seu D'us, e disse:
Por que, ó D'us, Tu diriges Tua ira contra Teu povo..

Aqui, a palavra "suplicou", um sinônimo para prece, é cognata da palavra para "doença". Nossos Sábios depreendem dessa equivalência etimológica que Moshê rezou tão fervorosamente para que D'us perdoasse o pecado do povo que tornou-se fisicamente enfermo, com febre. Disso podemos deduzir que na própria doença está a habilidade inerente de passar pela auto-transformação, da doença ao bem-estar, e tudo isso pelo poder da prece.

Em conclusão, assim como a doença pode servir para transformar a fraqueza em força, assim também ela transforma a amargura em doçura.

A cura do corpo e da alma - parte 26
Compromisso de Buscar o Bem

Como já foi explicado, um sistema imunológico sadio é aquele que está sempre atento ao bem-estar do corpo. A sefirá espiritual que se relaciona ao sistema imunológico é hod. Hod significa "reconhecer" - reconhecer o que é verdadeiro e o que é bom. Na Chassidut, isso é entendido como sendo o poder da alma de se comprometer a buscar uma vida de verdade e bondade.

O comprometimento com um ideal implica reconhecer aquilo que transcende a esfera normal do entendimento da pessoa; um verdadeiro ideal não é aquele formado e desenvolvido na mente racional, mas sim um que reflita o mais profundo senso intuitivo da alma quanto ao que, em última análise, é verdadeiro e bom. Hod controla o supremo ideal em comprometimento a dedicar a própria vida à sua realização.

Porém aqui, mais que a respeito de qualquer outra sefirá - simplesmente porque hod relaciona-se com o transcendente, embora indefinido reino da alma e da realidade - jaz o perigo da interpretação errada, neste caso, da interpretação incorreta do verdadeiro ideal. Em vez de se comprometer a servir a D'us e dedicar a própria vida ao Seu Divino plano para a criação, a pessoa pode cair a ponto de se comprometer com o outro lado...

No que tange ao corpo, vemos no Livro de Daniel um versículo que descreve a incapacidade do corpo para reconhecer adequadamente o que é (verdadeiro e bom) "eu" e "não-eu":

Minha agradável aparência [hodi] foi horrivelmente alterada.

A palavra usada para "agradável aparência" é hodi, literalmente, "meu hod". Quando hod é escrito de trás para diante, temos a palavras davá, que significa "estar doente" ou "enfermo". A Cabalá explica que a qualidade de hod durante uma época de exílio (um estado disfuncional onde desaparecem as condições normais e a confusão se instala) é a qualidade da doença, de davá.

Na frase "separação de sua enfermidade" [nidat devotá], davá (aqui: "enfermidade") refere-se ao estado de doença inerente ao ciclo menstrual feminino, como foi mencionado acima. Tudo isso aponta para a relação entre hod e a realidade feminina, nas palavras do Zôhar: "ela está em hod" - como será explicado mais tarde.

O sistema imunológico é assim entendido como sendo de natureza feminina, um sistema fisiológico que - metaforicamente, como uma mulher - reconhece sua alma gêmea ideal e lealmente se compromete a preencher seu propósito de vida, ou então alguém que se extravia, é desleal para com sua alma gêmea, incapaz de reconhecê-la como o lado complementar de seu verdadeiro ser, sem o qual não consegue atingir a plenitude
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A cura do corpo e da alma - parte 26
Exílio Espiritual

O conceito/realidade da doença está fortemente conectado na Torá ao do exílio. O povo (ou o indivíduo) no exílio foi banido de sua fonte, de sua terra. O afastamento, seja no plano físico ou no espiritual, é equivalente à doença. Em geral, a doença - fraqueza - é o afastamento da alma do corpo; na terminologia da Cabalá e Chassidut, o afastamento da luz dos recipientes (como no mundo primordial do Caos, uma realidade que viveu a dissociação e distanciamento das suas luzes de seus recipientes, e portanto quebrou, tornou-se doente e por fim morreu).

Encontramos a justaposição dos dois conceitos de exílio e doença na expressão "este exílio doente" (como é lida esta expressão na Chassidut).

O Zôhar chega a ponto de dizer que a Shechiná (presença Divina na criação, Sua luz infinita, imanente, que "preenche todos os mundos") é em si "doente" quando no exílio (o exílio do povo judeu). Rabi Shneur Zalman de Liadi explica isso mais detalhadamente no Tanya.

O sangue relaciona-se à sefirá da biná, o princípio-mãe - "a mãe dá ao filho o vermelho [o sangue]". O exílio final e mais duradouro, o exílio ao qual o profeta se refere como "o exílio doente" é o exílio de Edom, da palavra "vermelho" (adom) e sangue (dam).

Na Chassidut é explicado que a retificação consumada do princípio mãe na alma é através do amor ilimitado pelo próximo judeu. Aqui, a pessoa vivencia todo o povo judeu reunido, em amor e companheirismo, sob as asas protetoras da Divina "mãe". Amar todos os judeus como a si mesmo conecta todos os membros do "corpo" Divino; o amor em si é o sangue que dá a vida, e une todos os membros do corpo. A palavra para sangue (dam) está associada com a palavra para homem (adam), que se conota em especial o povo judeu como um todo. Somente pelo amor ilimitado (ahavat chinam) por todos de Israel, retificamos a causa do "exílio doente" - o ódio infundado (sinat chinam).

Nossos Sábios ensinam que todos os exílios do povo judeu, incluindo o último - o exílio de Edom - refletem (diferentes aspectos do) primeiro, exílio arquétipo - o exílio do Egito. Na Cabalá, o Egito também corresponde, em impureza, ao útero da mãe (o êxodo do Egito é o nascimento do povo de Israel deste útero impuro). Assim, todo exílio, como toda doença, começa e termina com o mau funcionamento do sangue.

O mau funcionamento do sangue resulta no enfraquecimento do sistema imunológico. Na terminologia da Cabalá: "biná se expande até hod" - como será explicado.

A Torá extrai ainda uma comparação ao estado de exílio (um estado espiritualmente enfermo) e sua conexão à propriedade de hod - uma propriedade do sistema imunológico. Sabemos que o anjo de Essav feriu a coxa esquerda de Yaacov; este ferimento terminou por enviar Yaacov e seus filhos ao exílio e significa, em geral, a natureza do exílio do povo judeu.

A perna ou coxa esquerda é identificada com hod. Este é o membro mais vulnerável a ferimentos. Isso se relaciona também com o sistema corporal - o sistema imunológico - mais susceptível a desordem, confusão e incapacidade de distinguir entre Essav e Yaacov. Com a vitória de Yaacov sobre o anjo de Essav, era essencial para ele restabelecer e reforçar sua própria identidade. Ele forçou o anjo a abençoá-lo com seu verdadeiro nome, não conhecido até então - Israel.

Para concluir, quando retificamos nossa capacidade de reconhecer e agradecer a D'us por tudo que temos, para nos relacionarmos com Ele acima da lógica e da razão, e voltarmos a Ele em submissão (todas as características do poder retificado de hod da alma), seremos então curados da enfermidade do exílio e estaremos aptos a vivenciar nosso retorno à saúde e redenção. Assim, vemos que hod é a vulnerabilidade à doença (pois é onde o anjo atacou), bem como o ponto onde a doença é superada - onde somos fracos é precisamente onde podemos nos tornar fortes; onde ficamos doentes é onde podemos ser curados. Assim, em toda doença está imbuída a pista da natureza da própria cura.




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