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sábado, 26 de abril de 2014

Esperanto

O que é o Esperanto?








Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Esperanto#Espiritismo


Língua Internacional Esperanto
Criado por: L. L. Zamenhof 1887
Emprego e uso: Linguagem auxiliar internacional
Total de falantes: Nativos: 200 a 2000 (1996, est.)1
Falantes fluentes: est. 100 000 a 2 milhões
Falantes não fluentes: est. 10 milhões
Categoria (propósito): Língua artificial
Linguagem auxiliar internacional
Esperanto
Categoria (fontes): Línguas românicasgermânicas (vocabulário)
línguas eslavas (fonologia)
Estatuto oficial
Língua oficial de: Nenhum país, mas é usado como língua oficial por algumas organizações.
Regulado por: Academia de Esperanto
Códigos de língua
ISO 639-1: eo
ISO 639-2: epo
ISO 639-3: epo


Esperanto é a língua artificial mais falada no mundo. 


Ao contrário da maioria das outras línguas planejadas, o esperanto saiu dos níveis de projeto (publicação de instruções) e semilíngua (uso em algumas poucas esferas da vida social).2

Seu iniciador, o médico judeu Ludwik Lejzer Zamenhof, publicou a versão inicial do idioma em 1887, com a intenção de criar uma língua de mais fácil aprendizagem, que servisse como língua franca internacional, para toda a população mundial (e não, como muitos supõem, para substituir todas as línguas existentes).

O esperanto é empregado em viagens, correspondência, intercâmbio cultural, convenções, literatura, ensino de línguas, televisão e transmissões de rádio. Alguns sistemas estatais de educação oferecem cursos opcionais de esperanto, e há evidências de que auxilia na aprendizagem dos demais idiomas.


Índice 

1 História
2 Propriedades linguísticas
2.1 Classificação
2.2 Fonologia
2.2.1 Consoantes
2.2.2 Vogais
2.3 Gramática
2.4 Vocabulário
2.5 Sistema de escrita
2.5.1 Braille
3 Razões alegadas para adesão ao esperanto
3.1 Problema linguístico
4 Comunidade esperantófona
4.1 Geografia e demografia
4.2 Cultura
4.3 Símbolos
4.3.1 Estrela verde
4.3.2 Bandeira
4.3.3 Jubilea simbolo
5 Esperanto e movimentos sociais
5.1 Anarquismo
5.2 Centro de Mídia Independente
5.3 Bona Espero
6 Esperanto e religiões
6.1 Catolicismo
6.2 Cristandade em geral
6.3 Espiritismo
6.4 Fé Bahá'í
6.5 Homaranismo
6.6 Islão
6.7 Oomoto
6.8 Evangélico
6.9 Traduções da Bíblia
7 Uso
8 Referências
9 Ver também
10 Ligações externas
10.1 Informações básicas
10.2 Associações
10.2.1 Regionais
10.2.2 Religiosas
10.3 Aprendizado pela Internet
10.4 Outros


Tópico sobre Esperanto
Esse artigo faz parte da série em desenvolvimento Esperanto
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História

Ludwik Lejzer Zamenhof vivia em Białystok (atualmente na Polônia, na época Império Russo). Em Białystok moravam muitos povos e falavam-se muitas línguas, o que dificultava a compreensão, mesmo nas mais quotidianas situações, o que o motivou a criar uma língua auxiliar neutra, a fim de solucionar o problema.

Durante a adolescência, criou a primeira versão da “lingwe universala”, uma espécie de esperanto arcaico. O seu pai, entretanto, fê-lo prometer deixar de trabalhar no seu idioma para se dedicar aos estudos. Zamenhof então foi para Moscovo estudar medicina. Em uma de suas visitas à terra natal, descobriu que seu pai queimara todos os manuscritos do seu idioma.

Zamenhof pôs-se, então, a reescrever tudo, adicionando melhorias e fazendo a língua evoluir.

Primeira edição do Unua Libro, em russo.

O primeiro livro sobre o esperanto foi lançado em 26 de julho de 1887, em russo, contendo as 16 regras gramaticais, a pronúncia, alguns exercícios e um pequeno vocabulário. Logo depois, mais edições do Unua Libro foram lançadas em alemão, polacofrancês. O número de falantes cresceu rapidamente nas primeiras décadas, primordialmente no Império Russo e na Europa Oriental, depois na Europa Ocidental, nas Américas, na China e no Japão. Muitos desses primeiros falantes vinham de outro idioma planificado: volapük. As primeiras revistas e obras originais em esperanto começaram a ser publicadas.

Em 1905 aconteceu o primeiro Congresso Universal de Esperanto, em Bolonha-sobre-o-Mar, na França, juntando quase mil pessoas, de diversos povos. Em 1906 foi fundado no Brasil o primeiro grupo esperantista: o Suda Stelaro, em Campinas.

Todo o movimento esperantista avançava a passos largos e seguros, mas com o advento das duas guerras mundiais o movimento teve um recuo: as tropas comandadas por Hitler perseguiam e matavam os esperantistas na Alemanha e nos países dominados por esta; as tropas de Stalin faziam o mesmo na Rússia; a família de Zamenhof foi dizimada; no Japão e na China, a perseguição ao esperanto também ganhou proporções assustadoras.

Após a segunda grande guerra, o esperanto reergueu-se. Em 1954, a UNESCO passou a reconhecer formalmente o valor do esperanto para a educação, a ciência e a cultura, e em 1985 a mesma UNESCO recomendou aos países-membros a difusão do esperanto.

Após 1995, com a popularização e disseminação da internet, o movimento esperantista ganhou uma nova força propulsora. Uma evidência do maior interesse contemporâneo pelo esperanto é o considerável número de artigos na Wikipédia em esperanto: mais de 189 000, em dezembro de 2013, com índice de profundidade 18 — número maior que o de muitas línguas étnicas.3


Propriedades linguísticas
Classificação

O esperanto é uma língua aglutinante, sem gêneros gramaticais para entidades assexuadas, sem conjugação de verbos variáveis por pessoa ou número e com três modos — indicativo, imperativo e subjuntivo, além das formas nominais do verbo e seis particípios; tem apenas dois casos morfológicos: o acusativo e o nominativo.

Como uma língua construída, o esperanto não é relacionado genealogicamente a nenhuma língua étnica; pode ser descrito como uma língua de léxico predominantemente românico e de morfologia aglutinante. A fonologia, a gramática, o vocabulário e a semântica são baseados em línguas indo-europeias ocidentais. Os fonemas são essencialmente eslavos, assim como muito da semântica, enquanto o vocabulário é derivado primordialmente de línguas românicas, com uma menor contribuição de línguas germânicas e algumas palavras de várias outras línguas (o dicionário etimológico de esperanto "Konciza Etimologia Vortaro", de André Cherpillod, faz referência a 110 línguas).

A pragmática e outros aspectos da língua não descritos especificamente nos documentos originais de Zamenhof foram influenciados pelas línguas nativas dos primeiros falantes, principalmente russo, polonês, alemão e francês. A relação entre grafemas e fonemas é biunívoca (uma letra para cada som e um som para cada letra) e a morfologia é extremamente regular e fácil de aprender.

Tipologicamente, a ordem sintática padrão do esperanto é sujeito-verbo-objeto e adjetivo-substantivo. Novas palavras podem ser formadas a partir de processos de construção com morfemas já existentes na língua, ou podem ser introduzidas como neologismos.

Fonologia
O esperanto tem cinco vogais e 23 consoantes, das quais duas são semivogais. Não há tons. A sílaba tônica é sempre a penúltima (paroxítona), a não ser que a palavra tenha apenas uma vogal ou que a vogal final tenha sido omitida (situação em que é tónica a última sílaba; neste caso é graficamente substituída por um apóstrofo: «kastelo» = «kastel’») - recurso estilístico para a poesia.


Consoantes
Bilabial Labio-
dental Alveolar Pós-
alveolar Palatal Velar Glótico
Plosiva p b t d k g
Nasal m n
Vibrante ɾ
Fricativa f v s z ʃ ʒ x h
Africada ʦ ʧ ʤ
Lateral l
Aproximante j

Vogais
Anterior Posterior
Fechada i u
Média e o
Aberta a

Gramática
Ver artigo principal: Gramática do Esperanto

A gramática segue poucas regras simples, entre elas as chamadas 16 regras do esperanto, sendo porém necessário algum estudo para uma aprendizagem satisfatória.

As palavras são formadas pela junção regular de radicais (prefixos, sufixos e outros), de modo que “novas” palavras criadas ad hoc são compreendidas trivialmente através da sua análise morfológica (inconsciente, no caso de falantes fluentes).

As diferentes classes gramaticais são marcadas por desinências próprias: substantivos recebem a desinência -o, adjetivos recebem a desinência -a, advérbios derivados recebem a desinência -e e todos os verbos recebem uma de seis desinências de tempos e modos verbais.

A pluralidade é marcada nos substantivos e adjetivos concordantes pela desinência j, e o caso acusativo é marcado pela desinência n, cuja ausência indica o nominativo. Assim, bela birdo significa bela ave, belaj birdoj, belas aves, e belajn birdojn, como em mi vidas belajn birdojn (eu vejo belas aves), belas aves complementando diretamente uma ação (nesse caso, sendo vistas).

Substantivo Nominativo Acusativo
Singular -o -on
Plural -oj -ojn

Adjetivo Nominativo Acusativo
Singular -a -an
Plural -aj -ajn



As seis inflexões são três tempos e três modos verbais. O tempo presente é marcado por as, o futuro por os, e o passado por is; o modo infinitivo é marcado por i, o condicional por us, e o volitivo (imperativo + conjuntivo) por u. Assim: mi vidas, vejo; mi vidos, verei; mi vidis, vi; vidi, ver; mi vidus, eu veria; ni vidu, vejamos. As desinências não variam de acordo com a pessoa.

Tempo verbal Desinência
Presente -as
Passado -is
Futuro -os

Modo verbal Desinência
Infinitivo -i
Volitivo -u
Condicional -us



Além dessas formas, o verbo pode se apresentar na forma de particípio. São os particípios do esperanto:

Desinência do Particípio
Tempo Ativo  Passivo
Presente -anta -ata
Passado -inta -ita
Futuro -onta -ota



Terminados em -a, os particípios são usados com o verbo esti (ser/estar) para a formação de tempos compostos. A desinência -a pode também designar um adjetivo do particípio. Trocando-se o -a por -o, constrói-se um substantivo do particípio, e por -e, um advérbio do particípio.


Vocabulário
Ver artigo principal: Vocabulário do Esperanto

O vocabulário original do esperanto foi definido em Lingvo internacia, publicado por Zamenhof em 1887. Trata-se de uma compilação de 900 radicais, passíveis de expansão para dezenas de milhares de palavras com prefixos, sufixos e composição. Em 1894, Zamenhof publicou o primeiro dicionário de esperanto, Universala Vortaro, com uma maior quantidade de radicais. As próprias regras da língua permitem a introdução de novos radicais de acordo com a necessidade, recomendando apenas que isso seja feito a partir das formas mais internacionais.

Desde então, muitas palavras têm sido "emprestadas", basicamente mas não apenas de línguas da Europa ocidental. Nem todas as novas palavras propostas entram em uso generalizado, mas muitas o fazem, especialmente termos técnicos e científicos. Termos para uso cotidiano, por sua vez, geralmente são feitos a partir de outros radicais — por exemplo, komputilo (computador) a partir de komputi (computar) com o uso do sufixo il (para indicar ferramentas). Há frequentes debates entre esperantófonos sobre a justificabilidade da introdução de uma palavra em particular e sobre as possibilidades de alcançar o sentido pretendido através da construção de palavras com elementos já existentes.


Sistema de escrita

O esperanto é escrito através de uma versão modificada do alfabeto latino, ao qual foram incluídas seis letras com sinais diacríticos: ĉ, ĝ, ĥ, ĵ, ŝ e ŭ. A língua não inclui as letras q, w, x e y, que podem porém ser encontradas em textos no seio de palavras não-assimiladas oriundas de outras línguas.

O alfabeto contém 28 letras:a b c ĉ d e f g ĝ h ĥ i j ĵ k l m n o p r s ŝ t u ŭ v z

Todas as letras são pronunciadas como seus equivalentes minúsculos no Alfabeto Fonético Internacional, à exceção das seguintes:
LetraPronúncia
c [ʦ]
ĉ [ʧ]
ĝ [ʤ]
ĥ [x]
ĵ [ʒ]
ŝ [ʃ]
ŭ [u̯]


A impossibilidade de escrever as letras com sinais diacríticos em certos meios fez com que se adotassem convenções substitutivas. Zamenhof, ainda nos primeiros anos da língua, recomendou o uso de "h" após as letras "c", "g", "h", "j" e "s" para formar "ĉ", "ĝ", "ĥ", "ĵ" e "ŝ". Uma convenção semelhante, mas com o "x", usando-o também para o "ŭ" ("cx" = "ĉ", "ux" = "ŭ", etc.), foi criada originalmente para utilização em telegrafia,4 evitando situações de ambiguidade entre o "h" ortográfico e este "h" substituto de diacrítico; muito usado recentemente, principalmente em meio eletrônico, com a relativa popularização da internet.

Em setembro de 2006, a Seção de Pronúncia da Academia de esperanto propôs uma resolução sobre o uso de sistemas diferentes de escrita sob circunstâncias e necessidades especiais: a "substituição [das letras acentuadas por outros signos ou combinação de signos], quando for apenas um meio técnico que não objetive reformas da ortografia do esperanto, e quando ele não causar confusão alguma, não deve ser visto como contrária ao Fundamento".5 Assim, o uso do esperanto em código Morse, braile, taquigrafia e com a letra x em substituição aos sinais diacríticos é considerado correto por esta Academia, sob circunstâncias específicas.


Braille


Razões alegadas para adesão ao esperanto
Problema linguístico

Muitos esperantófonos tomaram a iniciativa de aprender esperanto pelo chamado lingva problemo (literalmente, problema linguístico). 

Uma das maiores faces desse problema é o chamado imperialismo cultural, que encerra em si o favorecimento a poucos grupos linguísticos, e a pouca praticidade da estrutura vigente de comunicação entre sujeitos sociais de línguas diferentes. Vários estudiosos têm se debruçado sobre esses aspectos. Izabel Cristina Oliveira Santiago levanta várias ocasiões históricas em que o custo de traduções alcança níveis questionáveis: "Nova Délhi, 1968. A Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento custou mais de 2 milhões de dólares, sendo que mais da metade disso foi gasto com o uso de apenas quatro línguas — tidas como predominantes. [...] só em 1976, por exemplo, em vez de serem investidos na alimentação das multidões de famintos, 700 mil dólares foram gastos para traduzir em seis línguas os relatórios sobre a fome mundial."6 O psicólogo, e ex-tradutor das Nações Unidas, Claude Piron, (Bélgica, 1931 - 22 de janeiro de 2008), dedicou-se à temática, abordando-a sob um ponto de vista psicológico a partir de vastíssimo material bibliográfico e documental, tratando a insistência no atual modelo de comunicação internacional como uma neurose.7

Comunidade esperantófona


Geografia e demografia
Esperantófonos são mais numerosos na Europa e Ásia Oriental do que nas Américas, África e Oceania, e mais numerosos em áreas urbanas do que em rurais.8 Na Europa, é mais comum nos países do norte e do leste; na Ásia, na China, na Coreia, no Japão e no Irã; nas Américas, no Brasil, na Argentina e no México; na África, no Togo e em Madagascar.

Uma estimativa do número de esperantófonos foi feita por Sidney S. Culbert, um professor de psicologia aposentado da Universidade de Washington e esperantista de longa data que rastreou e avaliou esperantófonos em áreas de amostragem em dezenas de países por mais de vinte anos. Culbert concluiu que entre um e dois milhões de pessoas falam esperanto no nível 3 da escala ILR (competência linguística para trabalho profissional).9 A estimativa de Culbert não foi feita apenas para o esperanto; incluía-se numa listagem de estimativas para todas as línguas com mais de um milhão de falantes, publicada anualmente no The World Almanac and Book of Facts. Uma vez que Culbert nunca publicou os resultados detalhados para países e regiões particulares, é difícil verificar a precisão de seus resultados.


Cultura

O cantor de rock JoMo (Jean-Marc Leclercq) lançou seu primeiro disco solo com composições em esperanto em 2001.

Como uma língua planejada, o esperanto realmente não possuía a princípio uma cultura, mas os quase 120 anos de história e divulgação da língua geraram o que poderíamos chamar assim. Algumas pessoas acusam-no quanto a ser um "idioma universal" por não apresentar cultura, literatura, falantes nativos e por outras razões. Em contrapartida, já há elementos de cultura própria do esperanto, há um acervo considerável de músicas e obras literárias originais na língua (inclusive alguns escritores, como William Auld, já foram indicados ao Nobel de Literatura por suas obras originais em esperanto), há pessoas que têm o esperanto como língua materna (na maioria dos casos, poliglotas) e a língua é usada em todos os continentes.

O esperanto não veio de uma cultura específica, mas formou uma. Esperantistas falam em esperanto e sobre esperanto, usando termos, gírias, sarcasmos e uma série de expressões próprias do meio esperantista, alguns aspectos comuns de todos os esperantistas podem definir tal cultura.

A literatura em esperanto, consistindo de obras traduzidas e escritas diretamente na língua é altamente universalista, pois são adicionadas à literatura esperantista as melhores obras de cada nação, juntamente com os aspectos particulares de cada uma, assim como as crenças e costumes típicos de cada povo. Nas obras escritas diretamente em esperanto, vemos a mesma universalidade presente em toda a cultura esperantista.

Devido à ideia inicial de fraternidade do esperanto, a tolerância e respeito aos costumes e crenças dos vários povos consiste em um dos componentes dessa cultura; o repúdio ao imperialismo cultural é comum entre os esperantistas, e o desejo de intercâmbio e contato com outros povos apresenta-se na absoluta maioria dos esperantistas, muitas vezes consistindo um dos motivos do aprendizado da língua. Isso é comprovado na leitura do Manifesto de Praga, documento que sintetiza os objetivos comuns a todos os falantes do esperanto.

49º Internacia Seminario (2005-2006), em Xanten(Alemanha), encontro jovem internacional organizado pela Juventude Esperantista Alemã.

Além do desenvolvimento da cultura em torno da língua, é interessante notar que a causa esperantista parece atingir um grupo especial de indivíduos, tendo eles em comum o desejo de democracia e igualdade entre as nações. A constante entrada desses indivíduos no meio esperantista, faz com que sua cultura se desenvolva e se torne mais universalista a cada dia. Um excelente exemplo das particularidades da cultura esperantista são as expressões idiomáticas surgidas ao longo da evolução da língua, frutos diretos da comunicação internacional entre esperantistas.

Um argumento comum dos esperantistas é que o esperanto é uma língua democrática, pois através dela uma cultura não é imposta aos novos falantes, como é o caso do inglês, então caberia perguntar se essa cultura nova, gerada ao longo da evolução esperantista pós guerras não seria imposta aos povos que a adotarem como língua auxiliar. Isso certamente pode acontecer, mas por ser altamente universalista, ela tenderia a não causar males às culturas locais, e sim absorver para si mais e mais dessas culturas locais, a cultura da língua esperantista, se adotada pelos povos, seria então uma cultura comum, gerada por todas as nações, e que poderia até mesmo servir para aproximar algumas populações. No Manifesto de Praga, a democracia cultural é tratada como algo extremamente forte no esperanto.

Os Congressos Universais de Esperanto, realizados anualmente desde 1905 (excluindo-se o período das grandes guerras), alimentam e aprimoram a cultura esperantista. Nesses congressos é visível a plena existência de uma cultura geral, independente da nacionalidade de cada participante. Os Discursos de Zamenhof mostram alguns indícios dessas características de forma clara.


Símbolos

Há alguns símbolos atribuídos pelo movimento esperantista a si mesmo ou à língua. Não há unanimidade no movimento esperantista a respeito da política do uso de símbolos, mas a maioria dos esperantistas reconhecem três símbolos: a estrela verde, a bandeira e o Jubilea Símbolo. Argumenta-se contra a estrela e a bandeira que elas dão um ar nacionalista ao objeto representado, podendo também ser confundido com ideários de outra natureza (o Islão e o movimento dito comunista, por exemplo).

Memorial de 1959 com a estrela verde gravada.


Estrela verde
O mais simples e antigo dos símbolos é a estrela verde de cinco pontas, usada, por exemplo, como broche ou adesivo para automóvel. Segundo a tradição, as cinco pontas representam os cinco continentes (segundo cálculo tradicional) e o verde simboliza a esperança. Zamenhof, entretanto, em 1911, já não tinha mais certeza de sua origem; a cor lhe fora proposta pelo irlandês A. Richard Henry Geoghegan, que depois lhe esclareceu que se tratava da cor nacional da Irlanda.10 Já em 1893,Louis de Beaufront propunha o uso do verde e da estrela em tudo que se relacionasse ao movimento. A consolidação da estrela como símbolo do esperanto data dos últimos anos do século XIX; da estrela na cor verde, provavelmente apenas em 1904.10

Bandeira com proporções.


Bandeira

A bandeira é uma espécie de extensão da estrela verde, retomando a mesma cor e significados, com a adição do branco, para representar paz e neutralidade. Era originalmente a bandeira do clube de esperanto de Bolonha-sobre-o-Mar (França). Foi adotada generalizadamente nessa cidade por ocasião do primeiro Congresso Universal de Esperanto, em 1905.

Uma das versões do jubilea simbolo.


Jubilea simbolo


O jubilea simbolo (símbolo do jubileu) é um símbolo alternativo proposto para o esperanto, contendo a ideia interna da língua: juntar todos. As suas duas metades laterais representam a letra latina E (Esperanto) e a letra cirílica Э (Эсперанто), simbolizando a união do ocidente e do oriente. A ideia de usar as duas letras ocorreu por causa da Guerra Fria, quando as duas grandes potências estatais a se enfrentar tinham como línguas maternas o inglês (com alfabeto latino) e o russo (com alfabeto cirílico).

A sua elaboração foi promovida através de um concurso em 1983, por ocasião do centenário da língua (1987). A ideia original é do brasileiro Hilmar Ilton S. Ferreira.10 O símbolo é usado com cores diferentes, com ou sem contornos, de acordo com a opção do usuário.


Esperanto e movimentos sociais
Existem diversos movimentos sociais e culturais que apoiam o esperanto de alguma forma.


Anarquismo
Entre eles podemos destacar o anarquismo. Paul Bertelot, anarquista francês, em 1905, criou a revista Revuo Esperanto, que é até hoje o órgão oficial de divulgação da UEA. Bertelot viajou pela Europa, divulgando o esperanto entre os trabalhadores, ajudou a organizar o primeiro congresso de esperanto, fundou clubes esperantistas na América do Sul, morrendo prematuramente no Brasil, em 1910. A seção libertária da SAT, criada na década de 1920, até hoje é atuante. No Brasil, desde de 2005, funciona o grupo de propaganda e ação esperantista-anarquista Fenikso Nigra.


Centro de Mídia Independente

O Centro de Mídia Independente (CMI) é uma rede internacional formada por produtores de informação de ordem política e social que se autodeclaram independentes de quaisquer interesses empresariais ou governamentais. O site brasileiro do CMI possui versão em esperanto.11


Bona Espero


Bona Espero é uma escola e internato localizada no município de Alto Paraíso de Goiás, região norte do estado de Goiás, a 412 quilômetros de Goiânia (capital do estado) e a 250 quilômetros de Brasília (capital federal), que abriga crianças carentes da região onde a utilização e o ensino do esperanto é comum no dia-a-dia. A instituição é visitada por muitos esperantistas há mais de 50 anos de existência. Foi fundada por um grupo nordestino de esperantistas; hoje é administrada pelo casal Gratapagglia, por Ursula (alemã) e Giuseppe (italiano), além de outros três diretores.


Esperanto e religiões


Alguns grupos religiosos ao redor do mundo apoiam de alguma forma o esperanto.

Cartão postal feito por ocasião do 4º Congresso Católico Esperantista, de 4 a 12 de setembro de 1913 em Roma.


Catolicismo


Em 1910 foi fundada a União Internacional Católica Esperantista, cujo órgão, a revista Espero Katolika, é o periódico em esperanto mais antigo ainda em atividade.

Papas católicos romanos (incluindo pelo menos o Papa João Paulo II e Bento XVI) usaram o esperanto ocasionalmente no urbi et orbi multilíngue.


Cristandade em geral

A Kristana Esperantista Ligo Internacia (Liga Internacional Cristã Esperantista) foi formada logo cedo na história do esperanto e é de orientação predominantemente protestante, mas também são filiados a ela católicos romanos e ortodoxos.

Há alguns apologistas e professores cristãos que usam o esperanto como um meio de comunicação. O pastor nigeriano Bayo Afolaranmi tem um grupo no Yahoo! chamado "Spirita nutraĵo" (alimento espiritual), que hospeda mensagens semanais desde 2003.


Espiritismo


Em 1908, o espírita Camilo Chaigneau escreveu um artigo intitulado "O Espiritismo e o Esperanto" na revista de Gabriel Delanne (depois reproduzido no periódico "La Vie d'Outre-Tombe", de Charleroi, e na revista brasileira Reformador em1909), recomendando o uso de Esperanto em uma "revista central" para todos os espíritas no mundo.12 13

O esperanto então foi divulgado ativamente no Brasil por espíritas. Este fenómeno originou-se através de Ismael Gomes Braga e Francisco Valdomiro Lorenz, sendo o último um emigrante de origem checa que foi pioneiro de ambos os movimentos neste país.12

Assim, a Federação Espírita Brasileira publica livros didáticos de esperanto, traduções das obras básicas do espiritismo e encoraja os espíritas a se tornarem esperantistas.14 15

Por causa disso, no Brasil, muitos não-esperantistas mal-informados têm a impressão de que o esperanto é "língua de espírita";16 a contradizê-lo é de notar a discrepância entre o número relativamente elevado de espíritas entre os esperantófonos brasileiros (entre um quarto e um terço) e a insignificância do recíproco (número de espíritas brasileiros que falam esperanto, cerca de 1%). Este fenómeno não se verifica noutros países.


Fé Bahá'í


A Fé Bahá'í encoraja o uso de uma língua auxiliar, e, sem endossar nenhuma língua específica, vê no esperanto um grande potencial para esse papel.17 Considera-se, entretanto, que qualquer língua ao ser adotada poderá ser modificada e adaptada através de um consenso com representação de todos os países.

Lidja Zamenhof, filha do fundador do esperanto, tornou-se Bahá'i.

Vários volumes de escritos da Fé Bahá'i já foram traduzidos para esperanto.


Homaranismo
Zamenhof promoveu uma doutrina filosófica e religiosa, chamada homaranismo, mas temeu que se confundissem as ideias da doutrina com o ideal pró-esperanto. Por esse e outros motivos, não se empenhou tanto em sua divulgação. Todavia, a maior parte dos adeptos do homaranismo hoje são esperantistas, tendo conhecido a doutrina através do esperanto.


Islão


Ayatollah Khomeini do Irã fez um chamado oficial aos islâmicos ao aprendizado do esperanto e elogiou o uso dessa língua como um meio para melhor compreensão entre povos de diferentes religiões. Após sugerir que o esperanto substituísse o inglês como uma língua franca internacional, a língua foi introduzida nos seminários de Qom. Uma tradução do Corão em esperanto foi publicada pelo estado pouco tempo depois18 19 Khomeini e o governo iraniano passaram a fazer oposição ao esperanto em 1981 após notar que seguidores da Fé Bahá'i estavam interessados no esperanto.18


Oomoto


A religião oomoto encoraja o uso do esperanto entre seus seguidores,20 6 e inclui Zamenhof entre seus espíritos divinos.


Evangélico
A Congregação Cristã no Brasil recebeu uma versão em Esperanto, intitulada de Kristana Kongregacio en Brazilo.


Traduções da Bíblia

A primeira tradução da Bíblia para esperanto foi uma tradução do Tanakh (Velho Testamento), feita por Zamenhof. A tradução foi revisada e comparada com traduções para outras línguas por um grupo de clérigos britânicos, antes de sua publicação na British and Foreign Bible Society em 1910. Em 1926, ela foi publicada junto com uma tradução do Novo Testamento, numa edição geralmente chamada de Londona Biblio. Nos anos 60, Internacia Asocio de Bibliistoj kaj Orientalistoj tentou organizar uma nova e ecumênica versão da bíblia em esperanto.21 Desde então, o pastor luterano Gerrit Berveling traduziu os Livros Deuterocanônicos, além de novas traduções dos Evangelhos, algumas das epístolas do Novo Testamento e alguns livros do Tanakh; estes foram publicados em várias brochuras separadas, ou em série na revista Dia Regno, mas os deuterocanônicos apareceram numa edição recente da Londona Biblio.


Uso

Mapa que indica onde há anfitriões do Pasporta Servo(2005).

Redator das transmissões em Esperanto da Radio Polonia, Łukasz Żebrowski, em estúdio em Varsóvia.

O esperanto é frequentemente usado para se ter acesso a uma cultura internacional, dispondo ele de um vasto leque de obras literárias, tanto traduzidas como originais. Há mais de 25.000 livros em esperanto, entre originais e traduções, além de mais de uma centena de revistas editadas regularmente. Muitos esperantófonos usam a língua para viajar livremente pelo mundo usando o Pasporta Servo, rede internacional de hospedagem solidária. Outros têm correspondentes em vários países diferentes através de serviços como o Esperanto Koresponda Servo.

Com o desenvolvimento da internet e sua maior popularização, as iniciativas de imprensa em esperanto têm se tornado mais fáceis, e pouco a pouco ela se desenvolve.

Atualmente, vários Estados subvencionam transmissões regulares em esperanto de suas estações de rádio oficiais, como China, Polónia (diariamente), Cuba, Itália e Vaticano. Em menor escala, várias estações de rádio mantêm programas em ou sobre esperanto, como a Rádio Rio de Janeiro, que têm um departamento dedicado exclusivamente ao esperanto.

Anualmente, de 1.200 a 3.000 esperantistas encontram-se anualmente no Congresso Universal de Esperanto.

A língua mostra-se útil essencialmente para a troca de informações entre indivíduos de etnias diferentes que doutra maneira só seria realizada através de elementos mediadores (uma língua estranha a pelo menos um deles, um intérprete, organizações privadas, Estados, etc.).

Comparado a uma língua étnica, o esperanto apresentou algumas utilidades particulares:

Efeito propedêutico: Existem evidências de que estudar esperanto antes de estudar qualquer outra língua acelera e melhora a aprendizagem, pois aprender outras línguas estrangeiras a seguir é mais fácil que aprender a primeira, enquanto que o esperanto reduz os obstáculos associados com a "primeira língua estrangeira", esse fenômeno é conhecido como efeito propedêutico, sendo muito acentuado no esperanto.


Num estudo, um grupo de estudantes do ensino secundário estudou esperanto durante seis meses e, depois, francês durante ano e meio, obtendo um melhor conhecimento de francês do que o grupo de controle que estudou só o francês durante dois anos.


É provável que outras línguas planificadas também apresentem esse efeito no mesmo grau que o esperanto, mas devido ao maior número de falantes e melhor disponibilidade de material didático, a língua esperantista parece ser a mais recomendável para obter o efeito propedêutico.

Traduções: A enorme flexibilidade do esperanto, a possibilidade do uso de diversas nuances, e a sua simplicidade gramatical tornam a língua uma ótima candidata para uma língua intermediária nas traduções. Um ótimo exemplo foi o uso do esperanto para a tradução de alguns livros da editora FEB para a língua japonesa, nesse caso, os originais em francês foram traduzidos para o esperanto, e do esperanto para o japonês, já que se tem um bom número de falantes de esperanto no Japão.


Referências

Ir para cima↑ Esperanto (em inglês). Ethnologue. Página visitada em 22 de janeiro de 2011.
Ir para cima↑ Sikosek, Ziko M. Esperanto Sen Mitoj ("Esperanto Sem Mitos"). Segunda edição. Antuérpia: Flandra Esperanto-Ligo, 2003. p.188.
Ir para cima↑ List of Wikipedias - 100.000+ articles (em inglês). Meta-Wiki. Página visitada em 18 de dezembro de 2013.
Ir para cima↑ Ancxjo. “Morskode...” (em esperanto). Bubo. Página visitada em 22 de janeiro de 2011.
Ir para cima↑ Oficialaj Informoj Numero 1. Akademio de Esperanto (15 de setembro de 2006). Página visitada em 22 de janeiro de 2011.
Ir para:a b Santiago, Izabel C. O. O que é Esperanto: a questão da língua internacional. Segunda edição. São Paulo: Brasiliense, 1992. p. 7-8.
Ir para cima↑ O desafio das línguas: da má gestão ao bom senso (2007). Página visitada em 22 de janeiro de 2011.
Ir para cima↑ Sikosek, Ziko M. Esperanto Sen Mitoj ("Esperanto Sem Mitos"). Segunda edição. Antuérpia: Flandra Esperanto-Ligo, 2003.
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Ir para:a b c Sikosek, Ziko M. Esperanto Sen Mitoj ("Esperanto Sem Mitos"). Primeira edição. Antuérpia: Flandra Esperanto-Ligo, 1999, p.91.
Ir para cima↑ Sendependa Centro de Amas-komunikiloj - Brazilo.
Ir para:a b O Espiritismo e o Esperanto (Spiritism and Esperanto)
Ir para cima↑ Departamento de Esperanto da União das Sociedades Espíritas (USE)
Ir para cima↑ Esperanto > Introdução Federação Espírita Brasileira
Ir para cima↑ Pardue, David. "Uma só língua, uma só bandeira, um só pastor: Spiritism and Esperanto in Brazil". Acesso: 2006-08-26.
Ir para cima↑ Esperanto Jornal Correio Espírita
Ir para cima↑ Bahaa Esperanto-Ligo. "Bahaismo kaj internacia help-lingvo". Acesso: 2006-08-26.
Ir para:a b Esperanto - Have any governments opposed Esperanto? (em inglês). Página visitada em 26 de agosto de 2006.
Ir para cima↑ Porneniu. Esperanto in Iran (in Persian) (em inglês). Página visitada em 26 de agosto de 2006.
Ir para cima↑ The Oomoto Esperanto portal (em inglês).
Ir para cima↑ La Sankta Biblio - 'Londona text' (em esperanto). Página visitada em 26 de agosto de 2006.


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Ligações externas


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Campos Esperanto-Klubo - Clube de Esperanto de Campos. (Campos dos Goytacazes, RJ - Brasil).
Cearaa Esperanto-Asocio - Associação Cearense de Esperanto. (Fortaleza, CE - Brasil).
Esperanto-Asocio de Gojaso - Associação Goiana de Esperanto. (Goiânia, GO - Brasil).
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Kaŭkaja Esperanto-Klubo - Clube de Esperanto de Caucaia. (Caucaia, CE - Brasil).
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Santarém Esperanto-Asocio - Associação Santarena de Esperanto. (Santarém, PA - Brasil).
Sorokaba Esperanto-Klubo - Clube de Esperanto de Sorocaba. (Sorocaba, SP - Brasil).
Suda Mato Grosso Esperantista Societo Sociedade Esperantista do Mato Grosso do Sul. (Campo Grande, MS - Brasil).
Taguatinga Esperanto-Klubo - Clube de Esperanto de Taguatinga. (Taguatinga, DF - Brasil).


Religiosas
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Budhana Ligo Esperantista (em esperanto) - Liga Budista Esperantista
Ĉina Budhana Retejo Esperantista (em esperanto) - Sítio Chinês Budista Esperantista
Internacia Katolika Unuiĝo Esperantista (em esperanto) - União Internacional Católica Esperantista
Japana Budhana Ligo Esperantista (em esperanto) - Liga Budista Esperantista Japonesa
Kristana Esperantista Ligo Internacia (em esperanto) - Liga Internacional Cristã Esperantista
Oomoto (おほもと) (em esperanto)
SPIRITISMO EN ESPERANTO (em esperanto) - SPIRITISMO EN ESPERANTO


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Kurso Saluton! - Curso internacional gratuito de esperanto, pela Internet.
lernu! - Aprendizado gratuito de esperanto, pela Internet. Disponível em várias línguas.
Kurso de Esperanto - Descarga gratuita do curso de esperanto KaPe.
Programa Mia Amiko do Esperanto@Brazilo - Curso de esperanto com monitores em português.
Majstro - Dicionário.
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O Esperanto como Revelação


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O Esperanto como Revelação
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Esperanto_como_Revela%C3%A7%C3%A3o

O Esperanto como revelação é um livro espírita, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, com autoria do espírito Francisco Lorenz. Publicado pelo Instituto de Difusão Espírita no ano de 1976.

O livro é escrito em 2 idiomas, sendo as páginas pares em Português e as páginas ímpares em Esperanto. É contado no livro uma breve biografia de Chico Xavier, a história do Esperanto, uma biobibliografia de Francisco Valdomiro Lorenz e vários motivos, relatos e incentivos para a divulgação de uma língua internacional, que facilitará a comunicação entre pessoas encarnadas e desencarnadas, tanto no mundo material quanto no mundo espiritual.

O final do livro ainda é enriquecido com fotos de Ludwik Lejzer Zamenhof, o criador do Esperanto, Chico Xavier e Francisco Lorenz.
Ver também
Esperanto e Espiritismo
Ligações externas
O Esperanto como Revelação no Submarino



Resumo de  O Esperanto como Revelação
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
Ditado pelo Espírito
Francisco Valdomiro Lorenz 
Psicografou esta mensagem,

A 19 de janeiro de 1959, em Uberaba, Brasil.
ÍNDICE
O ESPERANTO COMO REVELAÇÃO

Alem Da Morte
II
O Problema Da Linguagem 
Na Espiritualidade
III
Disparidade De Linguagens E Separação Dos Espiritos
IV
Necessidade De Uma Lingua Internacional
V
Criação Do Esperanto Entre Os Espiritos
VI
Criação Do Esperanto Entre Os Homens
VII
Contribuição Mediúnica Na Difusão Do Esperanto
VIII
Exigências Da Solidariedade
IX
Idioma Internacional E Religião Universal
X

Em Saudação
I
ALEM DA MORTE
Despertando, fora da roupagem constringente do corpo físico, e sobrepujando-nos à 
comoção natural do processo liberatório da alma, insopitável anseio de expansão nos excita.
Compelidos a reajustar o quadro informativo das definições teológicas, acordamos e, 
reconhecendo o impositivo da própria renovação, sonhamos perlustrar os caminhos do 
mundo.
Conhecer, enfim, a Terra! Auscultar-lhe a ancianidade e a grandeza! Penetrar a cultura 
dos povos e sentir-lhes de perto o conjunto de tradições e lendas, crenças e costumes! 
Não apenas escutar as palavras que se pronunciam agora nas ruínas de Tebas ou nos templos 
de Benares, nas ruas de Atenas ou nos santos lugares de Jerusalém, nas relíquias de Roma ou 
nos campos da França, mas também assinalar, de viva voz, os apontamentos dos arquivistas 
do espírito, que velam pela sabedoria do Egito e protegem o Mânava Dharma Sastra ou as 
Leis de Manu da Índia Bramânica, que sustentam os registos das anotações de Sócrates e das 
lições originais de Jesus, e que nos poderão revelar os editos dos imperadores romanos e 
repetir as palavras de Vercingetórix, o herói gaulês, quando se rendeu aos soldados de Júlio 
César para
adornar-lhe o triunfo!...
Quem, na euforia do veículo espiritual rarefeito, não aspirará a transportar-se, de 
surpresa em surpresa, nos domínios da inteligência, como a falena, ébria de liberdade e de luz, 

volitando de flor em flor?

II
O PROBLEMA DA LINGUAGEM 
NA ESPIRITUALIDADE
Na esfera imediata à moradia humana, porém, o problema da linguagem é daqueles 
que mais nos afligem o senso íntimo.
O idioma simbólico prevalece, com efeito, para as grandes comunidades dos Espíritos 
em mais nobre ascensão.
O império da arte pura é aí a sublimação permanente da Natureza.
A música diviniza a frase e a pintura acrisola a imagem, esculpindo-se monumentos 
que falam e gravando-se poemas que fulguram, através da associação de cores e sons, no 
assombroso quimismo do pensamento.
Entretanto, essa residência de numes, semelhante aos Campos Elísios da tradição 
mitológica, situa-se muito além do lar humano em que nos florescem as esperanças.
Ainda aqui, aos milhões, não obstante se nos descerrem horizontes renovadores, 
achamo-nos separados pela barreira linguística.
Vanguardeiros do progresso, como é justo, adquirem contacto com idiomas nobres ou 
dominam dialetos aqui e acolá; isso, no entanto, com reduzido rendimento no trabalho 
educativo que se propõem efetuar.
Para isso, os mais credenciados, do ponto de vista moral, reencarnam-se nos países e 
regiões que lhes granjeiam devoção afetiva, com sacrifício participando do patrimônio 
cultural que os caracteriza, gastando decênios para a esses torrões ofertar esse ou aquele 
recurso de aperfeiçoamento às próprias concepções.
Isso porque a palavra pronunciada ou escrita é e será ainda, por milênios, o agente de 
transmissão dos valores do espírito, estabelecendo a comunhão das almas, a caminho da 

Grande Luz, nas zonas de aprendizado em que se nos desenvolvem as lutas evolutivas.


III
DISPARIDADE DE LINGUAGENS E SEPARAÇÃO
 DOS ESPÍRITOS
Nas linhas inferiores da Terra, os seres de caráter rudimentar, pelo primitivismo das 
manifestações que os singularizam, correspondem-se facilmente uns com os outros.
Os bovinos de uma pastagem síria berram de modo análogo aos brutos da mesma 
espécie numa estância chilena, e o gemido de um cão em Londres é idêntico, em tudo, ao 
choro esganiçado de um cão em Tóquio.
Do fonema, porém, à linguagem articulada, vigem milhares de séculos, marcando a 
peregrinação da inteligência.
Se o animal, diante do homem, está limitado no cubículo da interjeição, o homem, 
perante o anjo, ainda está preso ao cárcere verbalístico.
Por essa razão, entre as criaturas encarnadas e entre as criaturas desencarnadas, apesar 
da reflexão mental inconteste, a linguagem é veículo ao plasma criador do pensamento, 
estendendo-o ou enquistando-o, conforme o raio de ação em que se demarca.
As conquistas de um povo estão, desse modo, encerradas com ele, em seu mundo 
idiomático, retardando-se, indefinidamente, a permuta providencial que faria das nações mais 
cultas mentoras diretas das que respiram na retaguarda.
À face disso, o Oriente e o Ocidente sempre nutriram entre si profundas antinomias e 
raças diversas se digladiam, desde longevas civilizações, restritas à faixa das idéias que lhes 
são próprias, cristalizadas na hegemonia política ou religiosa, mantendo guerras periódicas de 
perseguições e extermínio, em que largas possibilidades de tempo são sacrificadas ao deserto 
do afastamento, no qual a ignorância se converte em perigoso verdugo, embora os princípios 
redentores, formulados pelos pioneiros da evolução, convocando as pátrias terrestres ao 
aprimoramento e à fraternidade, repousem nas bibliotecas preciosas e bolorentas, à feição de 

mortos ilustres.


IV
NECESSIDADE 
DE UMA LÍNGUA INTERNACIONAL
Urgia, desse modo, não apenas para o ajuste de humanas cogitações, a criação de uma 
língua auxiliar que interligasse os territórios do espírito. Um sistema de comunhão que 
exonerasse os lidadores do avanço intelectual de maiores entraves para o acesso aos tipos 
mais altos de cultura...
Ansiavam milhões de almas pela libertação das algemas linguísticas que lhes 
mumificavam as expressões.
Espíritos habilitados a vôos amplos, nos céus da ciência e da arte, da instrução e da 
indústria, restringiam-se aos preceitos e ritos mentais dos tratos de gleba em que agiam ou 
renasciam, sufocados no círculo angusto de parco vocabulário, quais pássaros de majestoso 
poder, aprisionados na férrea gaiola da insipiência.
Grandes comunidades imperiais, quais a Rússia e a Grã-Bretanha, mostravam-se 
divididas por línguas várias e múltiplos dialetos, afigurando-se como corpos gigantescos em 
que o sangue mental circulasse deficiente.
E além da paisagem propriamente terrestre, as criaturas libertas do carro físico, se 
excepcionalmente evoluídas, no intervalo das reencarnações necessárias, via de regra não 
conseguiam transcender a fronteira de realizações dos grupos raciais a que se viam jungidas.
Inteligências dos conjuntos asiáticos, africanos, ameríndios, latinos, eslavos, saxônios 
e de outros agrupamentos permutavam aquisições, imolando cabedais insubstituíveis de 
tempo.
Verificando as imensas dificuldades para o intercâmbio de tribos e povos 
desencarnados, especialistas espirituais de fonética, etimologia e onomatopéia empreenderam 
a formação de um idioma internacional para entendimento rápido nas regiões espaciais 
vizinhas do Globo, multiplicando, em vão, tentames e experiências, até que um dos grandes 

missionários da Luz, consagrado à concórdia, tomou a si o exame e a solução do problema.

V
CRIAÇÃO DO ESPERANTO 
ENTRE OS ESPÍRITOS
Novas perspectivas descerram-se, promissoras.
Cercando-se de assessores eficientes, o construtor da unificação iniciou dilatados 
estudos e, conjugando as mais conhecidas raízes idiomáticas de vários povos, concretizou, em 
quase meio século de trabalho, a sublime realização.
Auxiliado pelas numerosas equipes de colaboradores que se lhe afinavam com o ideal, 
o gênio da confraternização humana, que conhecemos por Lázaro Luís Zamenhof, engenhara, 
com a inspiração divina, o prodígio do Esperanto, estabelecendo-se a instituição de academias 

respectivas, nos planos espirituais conexos às nações mais cultas do Planeta.

VI
CRIAÇÃO DO ESPERANTO
 ENTRE OS HOMENS
Reconhecido o primor de mecanismo da língua que nascera por fator exato de 
aproximação das coletividades espirituais, avizinha-se o século XIX com enorme programa de 
serviço renovador.
Caem bastiões do fanatismo e da ignorância.
A pesquisa científica desvela novos rumos à mente popular.
Aprestam-se enviados ao campo físico para o congraçamento dos homens.
O barco de Fulton, a locomotiva de Stephenson, o telégrafo elétrico de Morse, o 
aparelho de Bell, as fotografias animadas dos irmãos Lumière, a linotipo de Mergenthaler e as 
ondas de Hertz prenunciam o submarino e o transatlântico, o automóvel moderno e o avião, o 
cinema e a grande imprensa, o telefone, a radiofonia e a televisão da atualidade.
As profecias de Maxwell desbravam caminhos para as ciências atômicas.
No cenário de resplendentes promessas, Allan Kardec, na missão de Codificador do 
Espiritismo, desvenda novos continentes de luz ao espírito humano, operando a revivescência
do Cristianismo, e, tão logo se lhe derramam na Terra as claridades do primeiro livro 
revelador, em 1857, decide-se a reencarnação do grande mensageiro da fraternidade.
Corporifica-se Zamenhof, em 1859, num lar da Polônia, então associada ao Império 
Moscovita, cujos povos congregados falavam e escreviam em quase duzentas línguas 
diversas.
Retomando gradualmente as potencialidades que o enriqueciam na Esfera Superior, 
sente-se amparado pelos mesmos amigos que o ajudaram na constituição do idioma 
internacional.
E, ante as farpas da crítica e sob os latejos da ingratidão, atormentado, incompreendido 
pela maioria dos contemporâneos, ferido por muitos e apedrejado em seus sentimentos mais 
caros, recompõe o Esperanto para os povos terrestres, encetando nova estrada para a 

unificação mundial.

VII
CONTRIBUIÇÃO MEDIÚNICA 
NA DIFUSÃO DO ESPERANTO
Estranha-se comumente a atitude de muitos estudiosos desencarnados, recomendando, 
através de canais mediúnicos, o estudo da língua internacional.
Decerto que o Esperanto não é disciplina religiosa, mas fascinante chave de percepção, 
descortinando filões inesgotáveis de cultura superior.
Facilitar o entendimento é ato de caridade, e construir o futuro é serviço de confiança.
Qualquer viagem, além das fronteiras em que nos desenvolvemos no torrão de berço, exige 
preparação.
É inútil providenciar passaporte em favor de um analfabeto para inspeção demorada 
aos cursos da Universidade de Paris, tanto quanto desagradável colocar alguém nas telas 
maravilhosas do inverno suíço sem um trapo de lã.
Aprender Esperanto, ensiná-lo, praticá-lo e divulgá-lo é contribuir para a edificação do 

Mundo Unido.

VIII
EXIGÊNCIAS DA SOLIDARIEDADE
As criaturas que hoje se amesendam com o pão da carne serão amanhã as criaturas da 
vida real, acomodando-se, obrigatoriamente, aos valores do espírito.
Desembaraçadas do coche físico, ainda mesmo quando temporariamente imobilizadas 
nas idéias antropocêntricas que lhes alimentavam os dias, acabarão apreendendo o imperativo 
da própria libertação, abrindo janelas interiores que lhes ventilem os pensamentos.
Se um homem comum da atualidade, ocupando um avião a jato, pode retirar-se da 
América, descansar na África e conciliar negócios na Europa, no espaço de algumas horas, 
precisa senhorear várias línguas ou remunerar diferentes intérpretes para movimentar-se com 
segurança e proveito, imaginemos o homem desencarnado, na complexidade das sensações 
novas que o tomam de assalto, quando a ruptura da represa sensorial lhe extravasa os sentidos. 
A sede de comunicação e de solidariedade requeima-lhe o cérebro e comprime-lhe o coração.
É imprescindível falar e ouvir, perceber e compreender, desonerar-se de 
condicionamentos antigos, quebrar velhas fórmulas, ajustar-se a mais amplas dimensões, 

expungir o passado e partir de si mesmo.

IX
IDIOMA INTERNACIONAL 
E RELIGIÃO UNIVERSAL
Atendamos, desse modo, nós outros, espiritualistas e espíritas, encarnados e 
desencarnados, ao incremento do Esperanto, em simultaneidade com o esforço de restaurar as 
colunas do Cristianismo, por santuário vivo da Religião Universal, em bases de amor e 
sabedoria, no terreno da Bondade Imensurável de Deus e Sua Justiça indefectível.
Não importa estejamos, na condição de coidealistas do Esperanto, em sintonia com os 
nossos irmãos católicos, reformistas, ortodoxos, bramanistas, budistas, israelitas, sintoístas, 
maometanos, zoroastristas, ateus e de quaisquer outras confissões e convicções, porquanto, as 
correntes de idéias, como as fontes de níveis diversos que deságuam invariavelmente no mar, 
alcançam sempre o oceano da realidade imutável, em cujas águas as advertências da evolução 
nos impõem o reconhecimento da própria humildade ante a grandeza da vida, com a 
impersonalização de nossa fé.
Desfraldemos, assim, o estandarte verde por símbolo de união!
Em qualquer idade, aprendamos!
Incompreendidos, prossigamos!
Alegres, perseveremos!
Esperanto quer dizer "o que espera".

Marchando e servindo, crendo e amando, imperturbáveis, esperaremos.

X
EM SAUDAÇÃO
E agora, Zamenhof,
Que um século termina
Sobre a tua chegada
Ao mundo em transição,
Saudamos-te a grandeza
Em preito reverente.
Depois que deste aos homens
A mensagem de luz
Do Esperanto sublime,
Guerras encarniçadas
Açoitaram de novo
As nações divididas.
Mas do fundo da noite
Em que a discórdia alonga
Azorragues de treva,
A estrela que acendeste
Em verde resplendente
Anuncia a união.
E nós, Esperantistas,
Trabalhando, dispersos,
No chão de todo o Globo,
Repetimos contigo:
— Louvado seja Deus!

Bendito seja o amor!...

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