Google Tag Manager

sábado, 4 de abril de 2015

O PAPEL DO GESTOR ESCOLAR NA INSERÇÃO DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO AMBIENTE ESCOLAR

O PAPEL DO GESTOR ESCOLAR NA INSERÇÃO DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO AMBIENTE ESCOLAR

Um artigo de:

Isadora Rainha de Castro, professora de francês e português, formada pela UERJ em Letras, com especialização em Gestão Integrada da Educação (supervisão escolar e administração) pela Universidade Geraldo di Biase (RJ) e MBA em Gestão Empreendedora da Educação pelo SESI/UFF (RJ). 

Atuando há 13 anos na Educação na rede estadual do Rio de Janeiro, em sala de aula e na Gestão Escolar. 

Foi diretora-adjunta do CE Barão do Rio Bonito (Barra do Piraí - RJ) por 4 anos e continua no cargo, atualmente, no CE Hispano Brasileiro João Cabral de Melo Neto, no Méier (RJ), unidade escolar que faz parte do Programa Dupla Escola (SEEDUC-RJ), que tem por objetivo principal a formação integrada do aluno através do ensino em tempo integral.








CENTRO UNIVERSITÁRIO GERALDO DI BIASE
FUNDAÇÃO EDUCACIONAL ROSEMAR PIMENTEL

O Papel do Gestor Escolar na Inserção das
Novas Tecnologias no ambiente escolar

Por
Isadora Rainha de Castro
  
Volta Redonda, 2013

CENTRO UNIVERSITÁRIO GERALDO DI BIASE
FUNDAÇÃO EDUCACIONAL ROSEMAR PIMENTEL


O Papel do Gestor Escolar na Inserção das Novas Tecnologias no ambiente escolar

Isadora Rainha de Castro


RESUMO

Este artigo propõe-se a debater, sucintamente, sobre a importância do uso da tecnologia na educação do século XXI e o papel do gestor como um facilitador da inserção das ferramentas tecnológicas na escola, sob a ótica de Phillippe Perrenoud, Celso Antunes, Heloísa Lück, entre outros autores.



PALAVRAS-CHAVE

Tecnologia; Tecnologias da Informação e Comunicação; Gestão Escolar; Prática Educativa; Formação Continuada Docente.



ABSTRACT

Cet article propose un débat succinct sur l’importance de l’usage de la technologie dans l’éducation du XXIe. siècle et le rôle du gestionnaire scolaire facilitant l’insertion des outils technologiques à l’école, sur le regard de Philippe Perrenoud, Celso Antunes, Heloísa Lück, d’entre autres auteurs.




 INTRODUÇÃO

Vivemos, atualmente, num momento em que as relações humanas são marcadas pela forte presença das novas tecnologias da informação e da comunicação, estabelecendo novos padrões de comportamento e de expectativas sobre a sociedade que se pretende construir. Ao mesmo tempo em que a capacidade de transmissão de conhecimento passa a ser altamente potencializada graças aos avanços tecnológicos, assistimos ao que parece ser uma desvalorização do ser e a uma manipulação de informações, acarretando em violência, abuso de poder e marginalização.

Diante desse quadro, qual o papel da escola? De que forma ela pode usufruir dos recursos tecnológicos para gerar informações passíveis de se transformarem em conhecimento para os estudantes? Pode a tecnologia ser uma facilitadora para formação de um currículo que atenda às demandas da sociedade contemporânea? Este trabalho pretende, de forma sucinta, explanar sobre o tema tendo como suporte teórico os autores Philippe Perrenoud, Celso Antunes e Heloísa Lück, entre outros, que fundamentaram seus estudos na importância da formação do professor frente à necessidade de desenvolver novas competências que auxiliarão a inserir os alunos no atual contexto social e, assim, enriquecer o currículo escolar de forma mais dinâmica e significativa.
Primeiramente, este artigo abordará sobre a importância da formação continuada para o docente e como o gestor pode ser um facilitador para este processo. No próximo ponto, discutiremos os desafios do gestor diante da escola do século XXIe as possibilidades do uso das tecnologias da informação e comunicação no trabalho pedagógico e administrativo.
  

I A FORMAÇÃO DO PROFESSOR E O PAPEL DO GESTOR ESCOLAR
  
Segundo Celso Antunes, é essencial ao professor do século XXI atualizar-se e inteirar-se das novas possibilidades de transmissão de saberes, buscando recursos eficientes, capazes de despertar e/ou aprimorar nos alunos competências necessárias às exigências da sociedade contemporânea:


A escola já não pode mais aceitar o professor que, ao concluir seu curso, acredita ter conquistado de maneira perene todas as ferramentas para perpétuo exercício do ensinar. O saber se banalizou, o que antes apenas chegava ao aluno pela fala do professor chega agora de múltiplas formas e com vibrantes contornos. Esquecer o computador tornou-se tão impossível como negar a existência de saberes que se divulgam diariamente por múltiplas mídias e diferentes canais. Essa constatação implica a necessidade de que o professor descubra novas maneiras de ensinar para transformar informações em conhecimento e, pela via dos conteúdos de seu currículo, desenvolva competências e habilidades, acordando capacidades e inteligências. Fazer isso não requer necessariamente uma volta à escola nem mesmo a renúncia ao incontestável direito ao lazer, mas pequenas atitudes como união com seu grupo, divisão de tarefas, muita leitura, pesquisa e debate que possam avaliar essa formação permanente servem de ferramenta pra efetivamente ensinar.
(ANTUNES, op.cit.p.93 e 94)

Segundo Antunes, o professor, diante do atual contexto, deve buscar novas formas para transformar informações em conhecimento, e esse processo é facilitado a partir do momento em que se oportuniza a atualização deste profissional, através de encontros, debates, pesquisa e leitura, e não apenas de uma volta à universidade para a busca de uma nova formação.

Para saber mais, clique sobre mais informações, abaixo.




Neste sentido, é importante que o gestor escolar perceba seu papel fundamental no fomento à formação continuada do corpo docente e ao estímulo ao uso das TICs em sala de aula, apresentando-as como um recurso importante e inovador no processo de ensino-aprendizagem. Heloísa Lück ressalta a importância de se criar um ambiente propício à pesquisa e à troca de conhecimentos dentre os professores:

Aos gestores compete criar condições estimulantes para o exercício de capacidades e aptidões necessárias ao bom desempenho profissional e maior e melhor aprendizagem pelos alunos. Em vista disso, no desenvolvimento dessas capacidades e aptidões é importante a construção de conhecimentos pedagógicos e sua sistematização para constituir o ideário teórico-metodológico da escola.
(LÜCK, op.cit.p. 93 e 94)

Assim como Heloísa Lück, Perrenoud (Perrenoud, 2000), diz que todo professor deveria buscar conhecimentos dentro do domínio da Informática e perceber suas possibilidades na luta contra o fracasso escolar e a exclusão social.

O professor deve ter consciência de que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. (FREIRE,1996,p.24-25).” Torna-se essencial ao professor buscar novos conhecimentos, desenvolver novas competências que o auxiliem nessa tarefa, utilizando-se de estratégias e metodologias que atendam às exigências da sociedade contemporânea. O uso das novas tecnologias no fazer pedagógico possibilita à escola construir e produzir conhecimento, tornando a aula mais atraente e rica, além de inserir o aluno no mundo digital.

Como o gestor escolar pode implantar as novas tecnologias na escola e facilitar seu acesso? Como motivar os professores a buscar a formação adequada para utilizar esses recursos de maneira eficaz para construir novos saberes e competências em seus alunos? Segundo Perrenoud, torna-se necessário à escola criar um ambiente em que essas discussões aconteçam, para que se possa repensar as relações entre o que se quer ensinar e o que é necessário ao aluno diante das novas exigências da sociedade contemporânea, além de se refletir sobre como construir possibilidades de aprendizagem utilizando as novas tecnologias, que modificaram “as maneiras de viver, de se divertir, de se informar, de trabalhar e de pensar” (PERRENOUD, p. 139). 

Neste caso, o gestor escolar seria o agente motivador que facilitaria a organização do trabalho pedagógico em torno das NTICs, levando a comunidade escolar a refletir sobre como, quando e por que utilizá-las. Como explicita Celso Antunes, é possível transformar a escola em um ambiente “que se especializa em aprendizagem” (ANTUNES, p. 70), levando-se em conta o uso consciente e reflexivo das novas tecnologias.
  
II OS DESAFIOS DO GESTOR DO SÉCULO XXI

Para que a gestão escolar se faça de forma democrática e atual, é importante que o gestor se atente para a necessidade de utilizar as novas tecnologias a favor de uma organização que contemple as expectativas e ansiedades da sociedade da informação e comunicação, levando a uma outra dimensão em termos de gestão escolar: a da gestão das informações e dos conhecimentos, como explica Almeida:

Nessa perspectiva, a concepção de gestão educacional assume um significado abrangente, democrático e transformador, que supera e relativiza o conceito de administração escolar, embora não o despreze, porque ele constitui uma das dimensões da gestão escolar voltada à compreensão da escola como espaço de conflitos de relações interpessoais; de negociação entre interesses coletivos e projetos pessoais para a construção do projeto político-pedagógico da escola; de democratização dos processos e produtos; de emergência e alternância de lideranças; de socialização de tecnologias e sua utilização na produção de saberes, no acompanhamento de suas atividades; na identificação e articulação entre competências, habilidades e talentos das pessoas que atuam na escola, com vistas à resolução de suas problemáticas.
 (ALMEIDA, op.cit.p.17)


Ainda segundo Almeida, é importante que o gestor considere todas as potencialidades das TICs para “produzir, criar, mostrar, manter, atualizar, processar, ordenar” (ALMEIDA, op.cit.p.18), ações próprias da gestão escolar, o que engloba também a gestão das tecnologias e dos recursos necessários para que as mudanças na escola aconteçam de forma produtiva. Ao se pensar em inserir as TICs em sua escola, o gestor deve, antes, planejar cada ação, levando em consideração alguns critérios, como os que foram apontados em reportagem publicada na Revista Nova Escola, Edição Especial nº 42:

1)    A equipe gestora deve definir os objetivos de se utilizar a tecnologia em consonância ao Projeto Político-Pedagógico da escola, que deve prever o uso desse recurso no processo de ensino-aprendizagem;

2)    É importante realizar um levantamento do que a escola já possui e do que é necessário para atender aos objetivos traçados no PPP;
3)    Outro ponto importante é verificar as condições da infraestrutura da escola: a capacidade da rede elétrica e o alcance da internet dentro da unidade;

4)    A formação continuada da equipe é fundamental, e o gestor deve incentivar os docentes a se atualizarem, principalmente em relação ao so das TICs

5)    É preciso que o gestor esteja atento ao mobiliário: mesas e cadeiras adequadas, e armários seguros para armazenar o equipamento


6)    De acordo com os objetivos traçados, o gestor deverá observar os custos de todo o equipamento e instalação necessários para a realização de um projeto de informatização da escola;

7)    É imprescindível que a escola repense suas estratégias de avaliação, a fim de que se observe o impacto do uso das TICs na aprendizagem dos alunos.

O gestor escolar, diante das novas demandas do século XXI, não pode perder de vista a necessidade de desenvolver uma gestão participativa, criando “condições necessárias para que a gestão escolar democrática e práticas escolares sejam efetivas na promoção da formação de seus alunos” (LÜCK, op.cit. p. 78), estando aberto e preparado também às mudanças constantes. Ou seja, uma gestão que promove a colaboração de todos cria estruturas descentralizadas, levando à superação de conflitos e dinamizando as ações, principalmente se forem alinhadas ao uso das TICs como ferramentas facilitadoras dos processos. De acordo com Libâneo:

A escola precisa deixar de ser meramente uma agência transmissora de informação, e transformar-se num lugar de análises críticas e produção da informação, em que o conhecimento possibilita a atribuição de significado à informação.
  (LIBANEO, op.cit.,p.11)

Dessa forma, cabe ao gestor escolar ser a mola propulsora da inserção das TICs na escola, envolvendo toda a comunidade escolar para um novo olhar sobre as formas de receber/transmitir/transformar informações, a fim de gerar conhecimento e aprendizagem. Deve também fazer com que a escola passe a ter uma função de fato significativa para a comunidade que atende, procurando utilizar instrumentos facilitadores das informações e da comunicação, elevando-a a um local propício à geração de ideias, análises críticas e informações.


III -  CONSIDERAÇÕES FINAIS

 As novas tecnologias, utilizadas em quase todas as áreas de atividade humana, devem ser incluídas também no cotidiano da escola, para que a comunidade escolar possa refletir sobre processos de aprendizagem mais eficazes, atraentes e motivadores, relacionando o que se aprende com o para que se aprende. A escola deve ser um local aberto às mudanças e às demandas da sociedade do século XXI, apropriando-se das ferramentas tecnológicas para facilitar a comunicação e a troca de informações, abrindo-se para novas relações com o saber.

O papel do gestor escolar, nesse sentido, é essencial, tornando-se o elemento facilitador do acesso às TICs e motivando o corpo docente a buscar a formação continuada, no intuito de desenvolver competências que levem a repensar as estratégias de aula e os objetivos dos conteúdos a serem trabalhados. O gestor deve promover uma gestão participativa, em que a aprendizagem se desenvolve em um processo colaborativo entre os ambientes externos e internos à comunidade escolar, daí a necessidade de envolver a escola no turbilhão tecnológico que envolve toda a sociedade atual.

Para que a inserção das TICs na escola aconteça de forma produtiva, é importante que seja promovida a formação contextualizada de todos os profissionais envolvidos em cada processo, de forma que sejam capazes de identificar os problemas e as necessidades institucionais, relacionadas à implantação e uso de tecnologias. O gestor, ao inserir as TICs no cotidiano escolar, fortalece seu papel de articular o uso administrativo e pedagógico das tecnologias na escola, contribuindo, assim, para traçar novos paradigmas na educação.

  
IV REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. Gestão de Tecnologias na escola: possibilidades de uma prática democrática. Salto para o Futuro/TV Escola.www.tvbrasil.com.br/salto

ANTUNES, Celso. Como desenvolver as competências em sala de aula. Col. Na sala de aula, fasc. 8. Petrópolis: Vozes, 2001.

_________ 9 Passos para uma Escola Pública de Excelente Qualidade. Petrópolis: Vozes, 2013.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996 (Coleção Leitura).

LIBANEO, José Carlos. Adeus Professor, Adeus Professora? Novas Exigências Educativas e Profissão Docente. 6. ed. São Paulo: Ed. Cortez, 2002.

LÜCK, Heloísa. A Gestão Participativa na Escola. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: ArtMed, 2000.

REVISTA NOVA ESCOLA ESPECIAL: Guia de Tecnologia na Educação. Edição Impressa de Julho de 2012.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...