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sábado, 2 de setembro de 2017


Elisângela Lima Tapada
Psicóloga Clínica 
CRP 12/08895
(47)9 9783 2343

Quando o amor sufoca: mas amor sufoca? hmmmmm

Atualmente vemos com tanta frequência nas mídias, filmes, novelas, contextos afetivos que denotam relações em que o conceito de amor está vinculado ao conceito de permuta, si te amo, te dou tudo o que tenho, incluindo meu afeto, meu sorriso, minha sexualidade, meu dinheiro, meu mundo interno de ideias e segredos, logo, você está CONDICIONADO a me RETRIBUIR dessa forma, e assim, os laços afetivos si constroem em bases de permuta, enquanto a “doação” está fluindo, tudo fica ok, uma vez que uma das partes não esteja interessado em “doar-se” como estava no contrato inicial, começasse as bases para uma nova etapa da relação, as veladas cobranças emocionais. 

O que vemos atualmente são casais que muitas vezes estão juntos não pelo amor, mas pelo sentimento de dívida, algo entre eles precisa ser resolvido e ficam ilusoriamente tentando resolver o que já si mostra sem condições de salvar, pois, si ali o sustento da relação si mantem pelo controle do que o outro tem a oferecer, o amor já não está ali há muito tempo, já fez as malas deles e foi embora. 

Triste ilusão de querer recuperar uma relação com controle, posse, ciúme e cobranças afetivas veladas, o amor, é por si só livre, permite que o outro esteja na condição emocional que ele pode estar na relação, compreende seu momento de abertura a conviver e o recolhimento necessário de solidão. 

Para saber mais, clique sobre mais informações em letras pequenas abaixo.



E com isso vemos diariamente, casais rompendo suas relações pelo esgotamento emocional construído ali, onde ambas as partes não conseguem mais nem distinguir onde tudo começou apenas sentem, que não estão mais com energia emocional para sequer ficarem próximos.

O que fica interessante de avaliar é que a forma como vamos nos relacionar afetivamente com alguém, está intrinsecamente ligada a forma como nos relacionamos com as demais pessoas em nossas vidas. 

Nelas incluímos familiares, amigos, colegas. 

Se numa relação afetiva preciso “comprar” o afeto do outro, o que faço em minhas outras relações?

 O que dou para que eu me sinta “segura” de que você não vai me deixar porque está em dívida comigo? 

Ou seja, na ilusão de construir uma relação amorosa, leve, você induz a mesma a ser tensa e angustiante para as duas partes, pois a parte que “ganha” não quer lhe chatear, mas também se sente em algemas inconscientes, o que lhe deixa em satisfação e você realiza sua fantasia de tê-la ao seu lado; porém, percebe que inconscientemente sua angustia nunca aliviou, pois na verdade você sabe que o sentimento do outro, que vem pra você, está carregado do que você plantou, que no caso foi pagamento de dívida, ou seja, você não deseja ver em si mesma que está alimentando uma imensa ilusão de que teu “dar” esteja sendo verdadeiramente desinteressado, pois a posse do mesmo si, mostra nos momentos em que o outro não responde, a sua expectativa de retorno.

 Isso é frequentemente observado em relações familiares, onde a “compra” afetiva ocorre fluentemente como uma forma de expressão de amor; e porque fazemos isso? 

Veja bem, você sabe que você se sente inseguro ao se relacionar com outra pessoa, porque certamente, não teve em suas bases familiares uma referência afetiva acolhedora que a ensinasse pedir afeto e dar afeto livremente, e sim, apenas a troca afetiva que se manifestava em momentos festivos e situações de permuta, por exemplo; se você fizer os temas, e passar na prova, vai ganhar aquele jogo que me pediu no natal passado, e demais exemplos aparecem pra ilustrar os contextos de controle que pais constroem com seus filhos. 

Lembrando que nossa cultura alimentou essa forma dos pais educarem os filhos por muitas gerações o que estamos nos convidando a refletir atualmente é sobre a forma como queremos construir nossas relações daqui pra frente; nos libertar de padrões adoecidos de afeto que mais se forjam em expressões afetivas, sufocantes e asfixiantes do que respeito ao que o outro deseja ter de nós.

Com isso, vemos famílias trocando afetos em permuta como base de sustentação da própria convivência familiar aparentemente normal; o que nos faz refletir, é a questão do sentimento de asfixia que fica nessa relação,  quando um desse grupo, percebe e decide não fazer parte da troca; ai já dá pra imaginar o que pode acontecer; o campo de guerra vai ser armado, pois para um contexto onde sempre “funcionou” assim, como que agora você diz que não quer participar dessa teia, o que ela tem que você não a aceita? e então, o sentimentalismo e o vitimismo levanta forças para “lutar” contra ao “egoísmo” do outro que não quer algemar-se a eles.

Agora porque essas expressões luta, vitimismo e egoísmo?

Bom, quando afirmamos que damos algo por amor, então pressupõe -se que você deu desinteressadamente, o presente é uma expressão materializada de seu afeto, ok? 

Mas quando você dá algo e depois quer opinar, definir, orientar sobre a vida e decisões pessoais do outro, aí você já está fazendo uso desse “amor” para controlar e ordenar a vida desse outro que você entende que tem “direito” de fazer, simplesmente porque você está fazendo por amor. 

A bendita crença de que por amor, se invade, especula, sufoca e asfixia o outro, porque você  crê que o bem dele, dá à relação uma base totalmente oposta ao que você afirma “querer fazer”.

Você novamente não quer olhar pra si mesmo e perceber que sua euforia, ansiedade e insegurança sobre sua própria capacidade de “despertar” o sentimento de amor e afeição do outro por ti, o faz agir antecipadamente, comprando o afeto dele, e controlando-o posteriormente. 

Triste ilusão de conceito de amor. Porém, muito vista atualmente em nossos lares hoje e em demais relações afetivas, que vemos por aí.

Por isso pessoal, vamos pensar no que significa amor para nós, pois fica a dica... se é amor, não tem controle, ok? 

Amor e poder são duas forças opostas que estas são as únicas forças que por natureza não se atraem.

Muito amor no coração e pouco controle sobre o outro em nossas vidas.

Um beijo no coração de cada um.
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